domingo, 11 de dezembro de 2011

Sócrates, companheiro imprescindível...

Escrevo para os mais jovens, para aqueles que nasceram da década de 90 em diante e não viram o maior movimento político dentro do mais popular de todos os esportes mundiais: a Democracia Corinthiana.
O Brasil viveu no início dos anos 80 um tempo de grande instabilidade política. A ditadura caía de podre, mas insistia em não largar o osso, até porque precisava afinar a estratégia (que infelizmente foi bem sucedida) de sair do governo e continuar no poder. O fato é que, naquele momento - 1980, 81, 82, 83, não se sabia se de fato haveria uma redemocratização brasileira. Por um lado os movimentos oposicionistas ganhavam força, as greves no ABC paulista que revelaram Lula e o PT (naquela época um partido combativo, socialista e popular, muito diferente dos dias em que vivemos). Por outro, os militares de linha dura jogavam bombas no Rio Centro e enviavam cartas bombas à OAB, numa tentativa de forçar a sociedade a ter medo da insegurança da democracia e levá-la a apoiar o recrudescimento de um regime autoritário.
Neste cenário, no clube mais popular do Brasil (assim como o Flamengo), o Corinthians, nasceu a DEMOCRACIA CORINTHIANA. Graças a uma série de relações internas como a saída do Presidente Vicente Matheus e a subida à Presidência do Corinthians um grupo que optou por uma gestão participativa, a conjuntura política brasileira que vivia a campanha das Diretas Já e a junção de jogadores privilegiados do ponto de vista da consciência dos seus papéis sociais, não só como profissionais do esporte, mas como cidadãos. Vladimir, Biro Biro, Casagrande, Zenon e sob a liderança do inesquecível Sócrates.
Todo meu respeito ao maior cérebro que vi jogar: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira morreu no dia 04 de Dezembro de 2011 e deixa uma imensa lacuna dentro do futebol. Primeiro se formou em medicina, depois foi jogar futebol, já com 24 anos, idade que hoje consideramos "velha" para começar um esporte de alto nível.
No Corinthians encontrou um grupo que nunca mais tivemos o privilégio de ver de novo, que contestava não só a ditadura militar brasileira, mas que também ousou fazer daquele clube um local de decisões colegiadas, onde o auxiliar do roupeiro tinha o mesmo peso, voz e voto do que o Presidente do clube. Eram eles, todos eles, que decidiam salários, pensavam em contratações, discutiam a necessidade ou não de se concentrarem antes dos jogos, votavam quem deveria ser titular ou reserva, enfim, fizeram daquele momento e daquele clube a maior experiência coletiva e organizada do Brasil nas barbas dos tiranos, tanto do país quanto da tradicional e ascendente máfia do futebol.
Foram campeões paulistas em 1982 e 1983, influenciaram toda uma geração de atletas e torcedores e deixaram o legado que se a sociedade se organizar, outra sociedade será possível de ser montada. Isto assustou muita gente. Fora do clube o exemplo da Democracia Corinthiana poderia se espalhar, chegar nas escolas, nas Universidades, nas fábricas... E dentro do futebol poderia levar ao fim do monopólio de meia dúzia de cartolas mafiosos e seus comparsas dos meios de comunicação preocupados em formar idiotas para consumirem bola e não da bola fabricar consciência.
Sócrates era perigoso. A Democracia, a verdadeira, a popular e coletiva é perigosa.
Sócrates, Vladimir e Casagrande participaram ativamente do movimento das Diretas Já e num dos comícios, o líder desse movimento chegou a dizer que se a Emenda Dante de Oliveira (Diretas Já) não fosse aprovado ele sairia do Brasil. Perdemos todos. A Emenda não foi aprovada, a ditadura seguiu até 1985, só votaríamos para Presidente do país em 1989 e Sócrates foi jogar na Itália.
O Corinthians aproveitou para vender todos os jogadores "perigosos" e contratou um monte de acéfalos, destes que conhecemos bem, que se juntaram a ideologia conservadora que predomina no mundo do futebol e que naquele clube tinha o goleiro Leão, hoje técnico do São Paulo, como representante dos reacionários.
Acabou a Democracia e o Corinthians virou um clube perverso como todos os outros, que tratam jogadores como comandados, técnicos como comandantes e patrocinadores como deuses. O resultado está aí: O Corinthians/CBF foi campeão brasileiro ironicamente no dia da morte do mais importante jogador de sua história política, como se ensinasse que a morte física do homem é a metáfora da morte do futebol-consciência que pode transformar. Pois se as torcidas organizadas soubessem do poder que têm, do palco semanal que possuem, se se associassem a outros movimentos populares, se exigissem democratização e não caíssem nas mãos assassinas das diretorias autoritárias, o futebol iria se orgulhar de ser de fato e de direito a mais popular de todas as manifestações coletivas no Brasil.

Obs.:
O agradecimento aqui é extensivo a dois outros jogadores que antecederam a geração de Sócrates, mas que também foram destes raros, que aliaram suas técnicas ao pensamento crítico: Alfonsinho - Santos e Reinaldo - Atlético-MG.
Que venham outros, que venham mais!

Chico Baeta

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Isto é Cuba!

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA em inglês), na apresentação do Informe sobre o Estado da População Mundial 2011, além de analisar o fato de que o mundo chegou aos 7 bilhões de habitantes, assegurou que Cuba é a nação com mais alto desenvolvimento humano latino-americano, chegando a afirmar que conta com um desenvolvimento equivalente a um quarto de século de avanço em relação aos demais países da América Latina e do Caribe.
Isso ocorre devido aos baixos níveis de mortalidade do país, a elevada esperança de vida, seu acesso à saúde e educação, sua saúde sexual e reprodutiva, e os indicadores de envelhecimento de sua população, todos com valores similares e, inclusive, maiores aos de nações industrializadas. Esta conquista de Cuba se soma a sua reconhecida luta contra o racismo, a desnutrição infantil e sua comprovada qualidade em todos os níveis de educação.
Ao longo de todos esses anos que nos separam desde 1959 - ano da Revolução cubana - muito se foi dito sobre aquela ilha. Mitos foram construídos e destruídos, mas o que sobrou hoje, foi um apanhado histórico tão irrefutável que nem a ONU é capaz de mistificar. Que apareçam os críticos e que eles olhem para Cuba para ver que com toda carga ideológica que suas canetas carregam, lá estão Fidel, Che, Raúl, Camilo, e todo o povo cubano a, em silêncio, rir comedidamente, pelos feitos sociais alcançados nestes longos e duros anos de tentativas militares contra suas liberdades e de um bloqueio genocida. Agora entendo quando Che dizia "hasta la victória, siempre!" Eles venceram! E contra isto, nada se pode dizer.

Ernesto Germano e Chico Baeta

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Estudante da USP: "A única visão que eu tinha era das botas"

Uma estudante da USP denuncia, em depoimento, que foi agredida e ameaçada por PMs na ação de reintegração de posse da reitoria. Ela tentou registrar as agressões na polícia, mas não conseguiu. "Um deles pegou na minha nuca, bateu minha cabeça no chão várias vezes, na parte do couro cabeludo, para não deixar hematoma. Nisso passou um repórter da Globo, o primeiro a chegar no local. Quando eu o vi achei que era minha salvação: comecei a gritar e falar o que estava acontecendo. O repórter olhou com o maior desprezo e passou direto".

Raphael Ken Ichi Sassaki

Leia a íntegra no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19076&boletim_id=1065&componente_id=17021

Os jovens guerreiros da praça Tahrir

Os guerreiros de Tahrir não levam armas. Óculos de natação para proteger os olhos das balas de borracha da polícia, um que outro pano ou lenço para se proteger dos gases lacrimogêneos letais, tênis velozes e uma expressão comum que atravessa o rosto de uma geração de guerreiros democráticos que têm entre 20 e 30 anos e já vão para sua segunda revolução. Estão unidos por uma fraternidade a toda prova e uma coragem capaz de desafiar a de qualquer soldado de elite de um exército profissional. A reportagem é de Eduardo Febbro, direto do Cairo.

Leia a íntegra no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19071&boletim_id=1065&componente_id=17022

Cinismo genocida - (primeira parte)

NENHUMA pessoa sã, especialmente aquelas que tiveram acesso aos conhecimentos elementares que se adquirem em uma escola primária, estaria de acordo com que nossa espécie, de modo particular as crianças, os adolescentes ou jovens, sejam privados hoje, amanhã e para sempre do direito de viver. Jamais os seres humanos, ao longo de sua turbulenta história, como pessoas dotadas de inteligência, conheceram experiência semelhante.

Sinto-me no dever de transmitir àqueles que se ocupam em ler estas reflexões, o critério de que todos, sem exceção, estamos na obrigação de criar consciência acerca dos riscos que a humanidade está correndo de forma inexorável, rumo a uma catástrofe definitiva e total, em consequência das decisões irresponsáveis de políticos a quem o acaso, mais que o talento ou o mérito, pôs em suas mãos o destino da humanidade.

Sejam ou não os cidadãos de seu país portadores de uma crença religiosa ou céticos com relação ao tema, nenhum ser humano, em seu juízo são, estaria de acordo com que seus filhos, ou familiares mais próximos, pereçam de forma abrupta ou vítimas de atrozes e torturantes sofrimentos.

Depois dos crimes repugnantes que, com frequência crescente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, sob a égide dos Estados Unidos e dos países mais ricos de Europa, vem cometendo, a atenção mundial se concentrou na reunião do G20, onde se devia analisar a profunda crise econômica que hoje afeta todas as nações. A opinião internacional, e particularmente a europeia, esperava respostas à profunda crise econômica que, com suas profundas implicações sociais, e inclusive climáticas, ameaça todos os habitantes do planeta. Nessa reunião se decidia se o euro podia manter-se como a moeda comum da maior parte da Europa e, inclusive, se alguns países poderiam permanecer dentro da comunidade.

Não houve resposta nem solução alguma para os problemas mais sérios da economia mundial, apesar dos esforços da China, Rússia, Indonésia, África do Sul, Brasil, Argentina e outros de economia emergente, desejosos de cooperar com o resto do mundo na busca de soluções aos graves problemas econômicos que o afetam.

O insólito é que logo que a OTAN desse por concluída a operação na Líbia – depois do ataque aéreo que feriu o chefe constitucional desse país, destruiu o veículo que o transportava e o deixou à mercê dos mercenários do império, que o assassinaram e o exibiram como troféu de guerra, ultrajando costumes e tradições muçulmanas – a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, uma instituição que deveria estar a serviço da paz mundial, lançou um informe político, carimbado e sectário, que põe o mundo à beira da guerra com o emprego de armas nucleares que o império ianque, em aliança com a Grã-Bretanha e Israel, vem preparando minuciosamente contra o Irã.

Depois do "Veni, vidi, vici" do famoso imperador romano há mais de dois mil anos, traduzido para o "vim, vi e morreu" transmitido à opinião pública através de uma importante rede de televisão logo que se tomou conhecimento da morte de Gadafi, as palavras são desnecessárias para qualificar a política dos Estados Unidos.

O que importa agora é a necessidade de criar nos povos uma consciência clara do abismo para onde a humanidade está sendo conduzida. Duas vezes nossa Revolução conheceu riscos dramáticos: em outubro de 1962, o mais crítico de todos, em que a humanidade esteve à beira do holocausto nuclear; e em meados de 1987, quando nossas forças enfrentavam as tropas racistas sul-africanas, dotadas com as armas nucleares que os israelenses as ajudaram a criar.

O xá do Irã também colaborou junto a Israel com o regime racista e fascista sul-africano.

O que é a ONU? – uma organização impulsionada pelos Estados Unidos antes do final da Segunda Guerra Mundial. Essa nação, cujo território estava consideravelmente distante dos cenários de guerra, tinha-se enriquecido enormemente; acumulou 80% do ouro do mundo e, sob a direção de Roosevelt, sincero antifascista, impulsionou o desenvolvimento da arma nuclear que Truman, seu sucessor, oligarca e medíocre, não vacilou em usar contra as cidades indefesas de Hiroshima e Nagasaki, no ano de 1945.

O monopólio do ouro mundial na posse dos Estados Unidos e o prestígio de Roosevelt permitiram o acordo de Bretton Woods, que atribuiu aos Estados Unidos o papel de emitir o dólar como única divisa que se utilizou durante anos no comércio mundial, sem outra limitação que seu respaldo em ouro metálico.

Os Estados Unidos, ao finalizar aquela guerra, eram também o único país que possuía a arma nuclear, privilégio que não vacilou em transmitir a seus aliados e membros do Conselho de Segurança: Grã-Bretanha e França, as duas mais importantes potências coloniais do mundo naquela época.

À URSS, Truman nem sequer informou uma palavra sobre a arma atômica antes de usá-la. A China, então governada pelo general nacionalista, oligárquico e pró-ianque Chiang Kai-shek, não podia ser excluída daquele Conselho de Segurança.

A URSS, golpeada duramente pela guerra, a destruição e a perda de mais de 20 milhões de seus filhos pela invasão nazista, consagrou ingentes recursos econômicos, científicos e humanos para equiparar sua capacidade nuclear com a dos Estados Unidos. Quatro anos depois, em 1949, testou sua primeira arma nuclear; a de hidrogênio, em 1953; e em 1955 seu primeiro megaton. A França dispôs de sua primeira arma nuclear em 1960.

Eram apenas três os países que possuíam a arma nuclear em 1957, quando a ONU, sob a égide ianque, criou a Agência Internacional da Energia Atômica. Alguém imagina que esse instrumento dos Estados Unidos fez algo para advertir o mundo sobre os terríveis riscos a que se exporia a sociedade humana quando Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos e da OTAN, situado em pleno coração das mais importantes reservas do mundo em petróleo e gás, se constituía em perigosa e agressiva potência nuclear?

Suas forças, em cooperação com as tropas coloniais inglesas e francesas, atacaram Port Said quando Abdel Nasser nacionalizou o canal de Suez, propriedade da França, o que obrigou o primeiro-ministro soviético a transmitir um ultimato, exigindo o cessar daquela agressão, que os aliados europeus dos Estados Unidos não tiveram outra alternativa senão acatar.

(Continuará)



Fidel Castro Ruz
12 de novembro de 2011
20h15.

Cinismo genocida - (Segunda e última parte)

Para termos uma ideia do potencial da URSS em seus esforços para manter a paridade com os Estados Unidos nesta esfera, basta assinalar que quando se produziu sua desintegração, em 1991, na Bielorrúsia havia 81 ogivas nucleares, no Cazaquistão 1.400 e na Ucrânia aproximadamente 5 mil, as quais passaram à Federação Russa, único Estado capaz de sustentar seu imenso custo, para manter a independência.

Em virtude dos tratados START e SORT sobre a redução de armas ofensivas, assinados entre as duas grandes potências nucleares, o número destas se reduziu para vários milhares.

Em 2010, foi assinado um novo Tratado deste tipo entre ambas as potências.

Desde então, os maiores esforços foram consagrados ao aperfeiçoamento dos meios de direção, alcance, precisão e engano da defesa adversária. Imensas quantias são investidas na esfera militar.

Muito poucos no mundo, salvo raros pensadores e cientistas, se dão conta e advertem de que bastaria a explosão de 100 armas nucleares estratégicas para pôr fim à existência humana no planeta. A imensa maioria teria um fim tão inexorável como horrível, em consequência do inverno nuclear que seria gerado.

O número de países que possuem armas nucleares, neste momento se eleva a oito, cinco deles são membros do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, e China. Índia e Paquistão adquiriram o caráter de países possuidores de armas nucleares, em 1974 e 1998, respectivamente. Os sete mencionados reconhecem esse caráter.

Israel, ao avesso, nunca reconheceu seu caráter de país nuclear. Contudo, calcula-se que possui entre 200 e 500 armas desse tipo, ficando indiferente quando o mundo se inquieta pelos gravíssimos problemas que ocorreriam, em decorrência da eclosão de uma guerra, na região onde se produz grande parte da energia que move a indústria e a agricultura do planeta.

Graças à posse das armas de destruição em massa é que Israel pôde desempenhar seu papel como instrumento do imperialismo e do colonialismo, nessa região do Oriente Médio.

Não se trata do direito legítimo do povo israelense a viver e trabalhar em paz e liberdade, se trata precisamente do direito dos demais povos da região à liberdade e à paz.

Enquanto Israel criava aceleradamente um arsenal nuclear, atacou e destruiu, em 1981, o reator nuclear iraquiano de Osirak. Fez exatamente o mesmo com o reator sírio, em Dayr az-Zawr, no ano de 2007, um fato sobre o qual estranhamente a opinião pública mundial não foi informada. As Nações Unidas e a AIEA conheciam perfeitamente o ocorrido. Tais ações contavam com o apoio dos Estados Unidos e da Aliança Atlântica.

Nada tem de estranho que as mais altas autoridades de Israel proclamem agora sua intenção de fazer o mesmo com o Irã. Esse país, imensamente rico em petróleo e gás, tinha sido vítima das conspirações da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, cujas empresas petrolíferas saqueavam seus recursos. Suas forças armadas foram equipadas com o armamento mais moderno da indústria bélica dos Estados Unidos.

O xá Reza Pahlevi também aspirava a dotar-se de armas nucleares. Ninguém atacava seus centros de pesquisas. A guerra de Israel era contra os muçulmanos árabes. Os do Irã não, porque tinham se transformado em um baluarte da OTAN, que apontava suas armas para o coração da URSS.

As massas dessa nação, profundamente religiosas, sob a direção do aiatolá Khomeini, desafiando o poder daquelas armas, desalojaram o xá do trono e desarmaram um dos exércitos melhor equipados do mundo sem disparar um tiro.

Por sua capacidade de luta, o número de habitantes e a extensão do país, uma agressão ao Irã não guarda semelhança com as aventuras bélicas de Israel no Iraque e na Síria. Uma sangrenta guerra se desencadearia inevitavelmente. Sobre isso não deve haver nenhuma dúvida.

Israel dispõe de um elevado número de armas nucleares e da capacidade de fazê-las chegar a qualquer ponto da Europa, Ásia, África e Oceania. Eu me pergunto: A AIEA tem o direito moral de sancionar e asfixiar um país, se tenta fazer em sua própria defesa o que Israel fez no coração do Oriente Médio?

Penso realmente que nenhum país do mundo deve possuir armas nucleares e que essa energia deve ser posta a serviço da espécie humana. Sem esse espírito de cooperação a humanidade marcha inexoravelmente rumo a sua própria destruição. Entre os próprios cidadãos de Israel, um povo sem dúvida laborioso e inteligente, muitos não estarão de acordo com essa disparatada e absurda política que também os leva ao desastre total.

De que se fala hoje no mundo acerca da situação econômica?

As agências internacionais de noticias informam que "O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu par chinês, Hu Jintao, apresentaram agendas comerciais divergentes […] ressaltando as crescentes tensões entre as duas maiores economias do mundo."

"Obama usou seu discurso ― afirma a agência Reuters ― para ameaçar a China com sanções econômicas, a menos que comece a ‘jogar segundo as regras do jogo’…". Tais regras são, sem dúvida, os interesses dos Estados Unidos.

"Obama ― afirma a agência ― está envolvido na batalha pela reeleição, no próximo ano, e seus opositores republicanos o acusam de não ser suficientemente severo com a China."

As notícias publicadas na quinta-feira e sexta-feira últimas, refletiam muito melhor as realidades que estamos vivendo.

A agência estadunidense AP, a melhor informada desse país, comunicou: "O líder supremo iraniano advertiu os Estados Unidos e Israel de que a resposta do Irã será enérgica se seus arqui-inimigos lançarem um ataque militar ao Irã…"

A agência noticiosa alemã informou que a China tinha declarado que, como sempre, acreditava que o diálogo e a cooperação eram a única forma de aproximação ativa para resolver o problema.

A Rússia se opôs igualmente às medidas punitivas contra o Irã.

A Alemanha rechaçou a opção militar, mas se mostrou partidária de fortes sanções contra o Irã.

O Reino Unido e a França defendem fortes e enérgicas sanções.

A Federação Russa assegurou que fará todo o possível para evitar uma operação militar contra o Irã e criticou o informe da AIEA.

"‘Uma operação militar contra o Irã pode acarretar graves consequências e a Rússia terá que fazer tudo de sua parte para aplacar os ânimos’, afirmou Contantín Cosakov, chefe da comissão das Relações Exteriores da Duma" (Parlamento) e criticou, segundo a agência Efe, "as afirmações por parte dos Estados Unidos, França e Israel sobre o possível uso da força e de que o lançamento de uma operação militar contra o Irã está cada vez mais próxima".

O editor da revista estadunidense Executive Intelligence Review, Edward Spannaus, declarou que o ataque contra o Irã desencadeará a Terceira Guerra Mundial.

O próprio secretário da Defesa dos Estados Unidos, depois de viajar a Israel, há alguns dias, reconheceu que não pôde obter do governo israelense um compromisso de se consultar previamente com os Estados Unidos sobre um ataque contra o Irã. Chegou-se a esses extremos.

O subsecretário de Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos desvelou cruamente os obscuros propósitos do império:

"Israel e Estados Unidos se envolverão nas manobras conjuntas ‘mais importantes’ e ‘de maior transcendência’ da história dos aliados, declarou no sábado (12) Andrew Shapiro, subsecretário dos Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos".

"…no […] Instituto Washington para a Política do Oriente Médio, Shapiro anunciou que participarão nas manobras mais de 5 mil efetivos das forças armadas estadunidenses e israelenses e simularão a defesa de mísseis balísticos de Israel".

"‘A tecnologia israelense é essencial para melhorar nossa segurança nacional e proteger nossas tropas’, acrescentou…"

"Shapiro destacou o apoio do governo de Obama a Israel, apesar dos comentários da sexta-feira por parte de um alto funcionário estadunidense que expressou sua preocupação de que Israel não avisasse os Estados Unidos, antes de levar a cabo uma ação militar contra as instalações nucleares do Irã."

"Nossa relação com a segurança de Israel é mais ampla, mais profunda e mais intensa do que nunca antes."

"‘Apoiamos Israel porque é de nosso interesse nacional fazê-lo’ […] É a pura força militar de Israel o que dissuade os possíveis agressores e ajuda a fomentar a paz e a estabilidade."

Hoje, 13 de novembro, a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, disse à rede BBC que a possibilidade de uma intervenção militar no Irã não só não está fora da mesa, mas é uma opção real que está crescendo, por culpa do comportamento iraniano.

Ele insistiu em que a administração norte-americana está chegando à conclusão de que será necessário acabar com o atual regime do Irã para evitar que este crie um arsenal nuclear. "Estou convencida de que a mudança de regime vai ser a nossa única opção aqui", reconheceu Rice.

Não é necessário nem uma palavra mais.



Fidel Castro Ruz
13 de novembro de 2011
20h17

domingo, 27 de novembro de 2011

Ato em homenagem a Convergência Socialista emociona

A emoção tomou conta do ato público em homenagem aos militantes da Convergência Socialista que foram perseguidos e presos pela ditadura militar. O ato, que lotou o Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa de São Paulo na noite desse 17 de novembro, também reivindica reparação e Justiça aos militantes perseguidos da extinta organização. A atividade, que contou com mais de 250 pessoas, teve o apoio do deputado estadual Carlos Gianazzi do PSOL de São Paulo.

Bernardo Cerdeira, ex-editor do jornal Convergência Socialista e ex-preso político, explicou a motivação do ato. “Esse ato se insere nas comemorações dos 10 anos da Comissão de Anistia e é também uma homenagem aos militantes mortos, presos, demitidos, perseguidos pela ditadura,”, lembrando que a antiga organização fez parte da história da luta contra o regime de exceção.

Bernardo lembrou da ocupação do campus da USP pela PM, como prova da manutenção dos aparatos de repressão da ditadura militar e disse: “defender que a Verdade venha à tona, que se possa reconstituir a memória das vítimas desta perseguição, que haja Justiça e punição aos torturadores e assassinos, não é um exercício de nostalgia. É uma iniciativa para que isso nunca mais volte a acontecer em nossa história para que não haja torturas nem criminalização dos movimentos sociais”, sendo bastante aplaudido.

Também dirigiu uma critica contundente ao governo do PT que até hoje se recusa a abrir todos os arquivos secretos da ditadura. “Só pode haver uma verdade se os documentos forem abertos sem segredo de Estado” .

A Comissão da Verdade foi alvo de quase todos os oradores. A maior parte da criticas são dirigidas ao caráter totalmente limitado que não prever a possibilidade de punir os torturadores. “Uma verdadeira Comissão da Verdade indicia processa e pune os torturadores da ditadura” , avalia Bernardo Cerdeira.

Mas o momento de maior emoção no ato foi quando os presos políticos da CS foram chamados para frente da mesa. Lá estavam os ex-presos políticos da antiga Liga Operária e da Convergência Socialista que sofreram torturas e perseguições sob o regime militar

Na história desta repressão destacam-se duas operações movidas pelos órgãos de segurança. A primeira, em maio de 1977 contra a Liga Operária, que resultou em prisões e torturas dos militantes políticos. A segunda foi em agosto de 1978, quando a repressão coloca em prática a “Operação Lótus” e prende a direção da CS, além de três militantes estrangeiros, entre eles Nahuel Moreno. Toda história é contada em um documentário sobre as perseguições dos militantes da CS. O documentário foi exibido durante o ato e emocionou muitos ativistas.

Mais de 150 militantes da CS foram presos e enquadrados pela Lei de Segurança Nacional. Calcula-se que pelo menos 100 ativistas foram demitidos em razão de seus empregos devido a perseguição política. Hoje, uma Comissão de ex-presos e perseguidos políticos destas antigas organizações, que reúne 75 pessoas, reivindicam justiça e reparações junto ao Estado brasileiro.

Em sua fala, Agmar Oliveira, vice-presidente da Comissão Nacional de Anistia, explicou que os trabalhos desenvolvidos pela comissão nestes 10 anos correm o risco de paralisia. Por isso alertou: “É necessário uma pressão maior sobre a Comissão da Anistia e sobre o Ministério da Justiça para que sejam julgados os 6 mil processos que ainda precisam ser julgados” . O advogado ainda completou: “Não é demérito nenhum ser anistiado. O Estado brasileiro tem uma dívida com aqueles que litaram e foram torturados ou assassinados”, disse.
Márcia Basseto Paes, presa em 1977 por distribuir panfletos do 1° de maio, emocionou o plenário ao relatar sua experiência no cárcere ao lado de Zé Maria de Almeida e Celso Bambrila. Incomunicáveis, os presos corriam risco de morte nas mãos da polícia, que até então não reconhecia as prisões. Foi quando um grupo de operários foi a uma assembleia de estudantes na USP para denunciar as prisões. O fato levou o movimento estudantil às ruas, produzindo a maior mobilização contra a ditadura desde 1968. “Os companheiros tiveram muita coragem para ir à USP pedir liberdades democráticas e a nossa libertação. E isso não era fácil naquela época. Eu tenho certeza que se não fosse isso a gente não estaria mais aqui”, disse. Ela arrancou aplausos do plenário quando denunciou o papel do ex-senador Romeu Tuma, como um dos chefes da repressão durante a ditadura. “Tuma foi um torturador sim!”, disse sob aplausos.

Finalizando o ato e com a voz embargada, Zé Maria de Almeida criticou o governo por “blindar” os torturados da ditadura com a Comissão da Verdade. “Nós temos uma dívida com aqueles que não estão mais entre nós. Devemos isso para aqueles que morreram na luta. A presidente Dilma foi torturada, mas seu governo impede a punição e o esclarecimento dos crimes da ditadura”, criticou.

“Liberdade de imprensa”?

Esta aconteceu em Washington e mostra que “liberdade de imprensa” é uma expressão que os estadunidenses só usam quando interessa a eles, mas lá a coisa é diferente.
O fato aconteceu com o jornalista independente Sam Husseini que compareceu a uma coletiva do príncipe Turki al-Faisal, da Arábia Saudita (grande aliada dos EUA), no Clube Nacional de Imprensa de Washington. Ele aguardou pacientemente sua vez para fazer uma pergunta ao príncipe e perguntou: “que legitimidade tem o seu regime, caro senhor. O senhor se apresenta entre nós como representante de um dos regimes mais autocráticos do planeta (...). Que legitimidade tem o seu regime, além de bilhões de dólares e armas?”
O príncipe não respondeu, mas o governo dos EUA respondeu. No mesmo dia, Sam Husseini recebeu uma carta informando que estava suspenso do Clube Nacional de Imprensa.

Ernesto Germano

Criança pobre tem que trabalhar! ?

A idade média não está tão distante! Newt Gingrich, líder nas pesquisas do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2012, defendeu que crianças pobres deveriam trabalhar “para ganharem dinheiro e ética de trabalho”. A declaração foi feita em um encontro na Universidade de Havard e divulgada pe-la CNN. Gingrich, ex-congressista da Geórgia e um dos intelectuais do partido, disse que as leis contra o trabalho infantil são “absolutamente estúpidas” e propôs que as próprias escolas paguem os estudantes mais pobres para, por exemplo, limparem os edifícios. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac (Nova York) lançada nesta terça-feira (22) mostrou que Gingrich lidera as preferências para concorrer à Presidência pelo Partido Republicano, com o apoio de 26% dos partidários, passando o rival Mitt Romney, que tem 22%.
O que é ruim - os EUA - pode ainda piorar. Parece incrível...

Estão preparando a censura em larga escala

O Pentágono e o governo de Washington estão montando o cenário para uma grande guerra contra a liberdade na internet e vai afetar usuários no mundo inteiro. Um projeto de lei apresentado no Congresso cria as condições para que desapareçam páginas da Internet. O projeto, inicialmente, é simples: criar as condições técnicas para “apagar” sítios na internet que coloquem em risco a “propriedade intelectual”. Defendido arduamente por grupos de pressão de Hollywood, é apoiado por inúmeros congressistas estadunidenses (deputados e senadores) e estabelece um mecanismo pelo qual um certo “fiscal” poderia suspende e tirar do ar, páginas contrárias aos interesses da grande indústria de entretenimentos esta-dunidense.
O grande problema no projeto é que poderão ser fechadas páginas na internet e até mesmo determinado o bloqueio através do Sistema Nominal de Domínios (DNS), um mecanismo que permite a identificação das páginas.

Israel e seus crimes impunes

Todas as casas do povoado beduíno de Deqeiqa, no sul de Hebron, receberam ordem militar de demolição, em um mais um exemplo da política de expulsão israelense na Cisjordânia ocupada. O povoado, situado nas empobrecidas e desérticas colinas do sul de Hebron, é lar de cerca de 400 pessoas que vivem da pecuária e não têm eletricidade, nem água corrente. Em janeiro, o exército israelense demoliu 17 estruturas, entre elas um sala de aula, precários estábulos e 12 casas, e agora outras 75 estruturas, a maioria casas, também correm o risco de serem derrubadas. A denúncia está sendo feita pela Alon Cohen, uma ONG israelense. Yariv Mohar, porta-voz dos Rabinos pelos Direitos Humanos, acredita que as auto-ridades israelenses “querem anexar o sul de Hebron para que passe a ser parte do Neguev, porque está muito perto da fronteira e tem poucos habitantes palestinos”. O argumento do Exército é que Deqeiqa, fora dos mapas israelenses, é um mero “agrupamento de casas” e que não pode se manter como comunidade.
Curiosamente, procurei em todos os jornais e sites da internet, mas não encontrei uma só denúncia contra Israel. Não foi realizada qualquer reunião na ONU sobre o tema e ninguém pediu a intervenção da OTAN para garantir “ajuda humanitária” na região. Nada! Apenas o silêncio cúmplice enquanto Israel comete suas barbaridades!

Ernesto Germano

Pega a mentirosa!

María Corina Machado é uma representante da direita na Venezuela e possível candidata nas próximas eleições para disputar com Hugo Chávez. Há poucos dias, María Corina concedeu uma escandalosa entrevista em redes de rádio e TV, todas dominadas pela direita, dizendo que sofreu um atentado a tiros quando passava por um bairro popular da capital. A denúncia sobre o possível atentado ganhou páginas de jornais e muito destaque, mas a máscara caiu pouco depois.
Acontece que uma conversa telefônica entre ela e sua mãe foi divulgada e desmente tudo. Na conversa ela diz que “Mamãe, estou no escritório. Estamos bem. Olha, vai sair uma notícia de que sofremos um atentado a tiros e outras coisas, mas estou avisando que estamos bem. Eu estou em meu escritório, não venha para cá.” Na mesma conversa, sua mãe pergunta “Mas, como podem inventar isto?” e ela responde “Fique tranquila”.
Para ouvir a conversa: http://www.youtube.com/watch?v=ArO1BXkMXj8&feature=player_embedded

Honduras: 59 assassinatos políticos, sob as bênçãos de Obama.

Vamos supor que algum militante da oposição fosse assassinado a tiros, em plena luz do dia, em grande cidade da Venezuela, da Bolívia, do E-quador, da Argentina ou mesmo no Brasil, para não falar em Cuba. No mesmo dia, em questão de minutos, todos os jornais estariam estampando matérias sobre os “crimes bárbaros de opositores do regime” e, com certeza, o Departamento de Estado dos EUA faria uma série de pronunciamentos na ONU exigindo intervenção imediata para garantir a “democracia”. Não é?
Mas quando 59 opositores de um regime que tem as bênçãos de Washington são mortos, em um ano apenas, ninguém fala nada!
É o que está acontecendo em Honduras, onde o governo golpista derrubou o presidente democraticamente eleito (Zelaya) e depois recebeu o aval do governo Obama, com direito a visita da senhora Clinton para garantir que todos entenderiam a mensagem. Só para se ter uma idéia, em outubro passado o presidente golpista de Honduras, Porfírio Lobo, visitou Washington e foi recebido pessoalmente por Obama, com saudações calorosas. Nenhuma palavra foi dita sobre os assassinatos de membros da oposição ao regime!
Um dos casos mais recentes foi o assassinato de Pedro Salgado, vicepresidente do Movimento Unificado Camponês de Aguán. Ele foi morto a tiros e depois decapitado, dentro de sua casa! Sua esposa, Reina Irene Mejía também foi morta a tiros. Mas não se viu uma só palavra de Obama sobre isto! Direitos humanos só quando interessam...

No Chile, torturador foi homenageado.

A homenagem feita ao ex-repressor Miguel Krassnoff nesta segunda-feira (22), em Santiago, no Chile, provocou confrontos entre simpatizantes e opositores do regime de Augusto Pinochet (1973-1990). “É inaceitável para o povo chileno a homenagem ao violador dos direitos humanos Miguel Krassnoff”, disse a porta-voz da Associação de Familiares de Detentos Desaparecidos (AFDD), Mireya García, citada pelo Prensa Latina. A dirigente do grupo de direitos humanos rejeitou a iniciativa do prefeito de Providencia, Cristián Labbé, a favor do ex-repressor e ex-membro da polícia secreta de Pinochet. De acordo com investigações judiciais, Krassnoff está envolvido nos assassinatos do cantor e compositor Víctor Jara e do líder do Movimento de Esquerda Revolucionária, Miguel Enríquez, entre muitos outros crimes.

Da série “e se fosse em Cuba”?

Vejam o absurdo da matéria. No sábado, dia 19, o Ministério de Comunicações de Israel usou forças policiais para cortar as transmissões de uma estação de rádio em Jerusalém Oriental, a “Kol Hashalom” (“Tudo pela Paz”, em hebraico). O governo israelense resolveu fechar a emissora porque tem uma programação favorável à paz entre israelenses e palestinos. É claro que arrumaram uma desculpa logo divulgada pelos “jornalistas amestrados”. Dizem que a emissora foi fechada porque se tratava de uma “rádio pirata”. A emissora foi estabelecida por pacifistas israelenses em cooperação com palestinos, com a tentativa de substituir a lendária “The Voice of Peace” (A Voz da Paz), do ativista Abie Nathan. O deputado do partido conservador Likud Dany Danon disse que o Ministério de Comunicações fechou a emissora a seu pedido após alegar que a mesma “instigava” as pessoas contra Israel.
A pergunta é sempre a mesma: e se isto acontecesse em Cuba? E se o governo cubano fechasse uma estação de rádio? Certamente estaríamos vendo “protestos” em todo o mundo e nossos jornais estariam cheios de matérias sobre as maravilhas da “liberdade de imprensa”. Talvez a OTAN já estivesse programando uma “ajuda humanitária” com toneladas de bombas para serem lançadas sobre a Ilha. Mas foi o governo de Israel, um eterno aliado, então fazem questão de calar.

Estudantes fazem mobilização continental pela educação.

Estudantes latino-americanos marcharam nesta quinta-feira (24) em mobilizações por todo continente para defender o direito à educação pública e gratuita. O ato contou com a adesão de organizações estudantis e movimentos do Chile, Colômbia, Peru, Argentina, Brasil, México, Equador, Venezuela, Costa Rica, Paraguai, El Salvador, Bolívia, Uruguai, Espanha, França e Alemanha. As manifestações também acontecerão nas redes sociais. Chile e Colômbia são países que vivem atualmente intensas manifestações estudantis. No Chile, a mobilização por educação pública e gratuita começou há mais de seis meses e desencadeou mobilizações em diversos países da América Latina. Ontem, cerca de 12 mil pessoas participaram dos protestos. Na Colômbia, estudantes protestam desde o dia 12 de outubro contra a lei de reforma da educação superior. Os estudantes colombianos, que junto com os chilenos organizaram o 24N dizem que o objetivo da marcha vai além da queda da reforma da educação. Para eles, “o objetivo é alcançar uma educação gratuita, de excelência, e a serviço da sociedade a que se deve a universidade”.
Em São Paulo, as mobilizações estavam relacionadas às reivindicações dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo), pela saída da Polícia Militar do campus da universidade e contra declarações do governador do Estado, Geraldo Alckmin, que sugeriu "uma aula de democracia” aos alunos que ocupavam a reitoria da USP. No Rio de Janeiro, os estudantes se reuniram na Ocupario, praça da Cinelândia contra a mercantilização da educação.

Mais trabalhadores resgatados em condições degradantes no Rio Grande do Sul

Ação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) possibilitou o resgate de três pessoas submetidas a condições degradantes análogas ao trabalho escravo. Eles trabalhavam no corte de pinus, no distrito Eletra Blang, na zona rural de São Francisco de Paula (RS). Em outra fazenda, na zona rural de Cambará do Sul (RS), dois adolescentes de 17 anos foram encontrados trabalhando na mesma atividade, que é proibida para menores de idade.
Os três trabalhadores resgatados em São Francisco de Paula ficavam alojados em local sem higienização, água potável, lençóis e sem armários. Não possuíam registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e não recebiam equipamentos de proteção individual. A ação também constatou que não foram realizados exames médicos admissionais, além de os três se deslocarem entre o alo-jamento e as frentes de trabalho de forma improvisada, em um trator. Entre outras irregularidades, não havia sanitários na frente de trabalho, a comida era escassa e os trabalhadores que operavam motosserra não receberam qualquer capacitação.

Ernesto Germano

Trabalho escravo em obras da construtora MRV

A construtora MRV Engenharia poderá ser multada em até R$ 11 milhões pela utilização de trabalhadores em condição análoga à escravidão em duas obras no interior de São Paulo. As ações civis públicas foram propostas pelo Ministério Público do Trabalho, depois que fiscais flagraram a existência de trabalho escravo na construção do empreendimento residencial Beach Park, em Americana, e nas obras do condomínio Spazio Mont Vernon, em São Carlos.
No caso de Americana, a precarização do trabalho foi decorrente da terceirização dos serviços nas obras. Segundo o Ministério Público, a MRV utiliza-se de empreiteiras para fazer a intermediação da mão de obra e, com isso, tenta transferir a responsabilidade trabalhista às pequenas empresas. Nessa obra, o Ministério Público observou casos de operários sem receber salários, alojamentos e moradias fora do padrão legal e aliciamento de trabalhadores. Cerca de 60 trabalhadores estão nessa situação.
Em São Carlos, a fiscalização flagrou um canteiro de obras desorganizado, com detritos acumulados e desrespeito às normas de segurança e saúde do trabalho. Entre as irregularidades foram relatadas falta de proteção contra quedas e alojamentos improvisados. A fiscalização também documentou péssimas condições de conservação e higiene de colchões e o não fornecimento de armários, roupas de cama e travesseiros para os trabalhadores. De acordo com o procurador, entre 10 ou 12 trabalhadores foram encontrados nessa situação em São Carlos, que “não era da mesma gravidade que em Americana”.

Ernesto Germano

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Caros Amigos: Uma voz diferente!

Sem mais delongas

Não dá mais para adiar: o Brasil precisa enfrentar e desmontar
o oligopólio da mídia. Já está claro, para boa parte da sociedade,
que o aperfeiçoamento e o funcionamento da democracia
– mesmo nos marcos do capitalismo – pressupõem a democratização da comunicação social.

O modelo vigente de concessões da radiodifusão possibilita a
concentração de emissoras de rádio e TV nas mãos de alguns poucos grupos empresariais, os quais controlam a informação, restringem a liberdade de expressão, influenciam decisivamente na vida cultural, política e social do povo brasileiro. Mais do que isso: o atual sistema burla a vontade popular expressa na Constituição de 1988 e representa uma ameaça efetiva para a diversidade cultural e política.

A sociedade brasileira é testemunha do partidarismo e da manipulação dos meios nas eleições. Não faz o menor sentido que
o serviço público de radiodifusão, operado mediante concessão,
seja utilizado por interesses particulares para favorecer partidos
e candidatos do agrado dos grupos econômicos, religiosos e políticos.Está na hora do Brasil aperfeiçoar os critérios de controle
social da mídia.

A sociedade é testemunha, também, do uso dos meios para criminalizar os movimentos sociais, as populações negras, faveladas e pobres em geral. Há muito tempo que a grande mídia tem sido conivente com as violências do Estado contra os segmentos populares, ao mesmo tempo em que sonega e omite informações e fatos relevantes para o desenvolvimento nacional.

A edição especial da Caros Amigos fornece aos leitores
uma coletânea de reportagens e artigos sobre a atual situação
da comunicação, aponta os grandes nós e desafios, compara com
as saídas construídas em outros países e mostra as várias alternativas e frentes de luta para melhorar, aperfeiçoar e – principalmente – democratizar o sistema de comunicação no Brasil.

Esperamos, com isso, contribuir para a reflexão e o debate.

A edição especial está nas bancas! Vá em frente!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Protestos pedem fechamento da Escola das Américas

Está marcada para este domingo (20) a grande concentração popular diante das portas do Fort Benning – instalação do Exército dos EUA (Columbos, na Georgia) – para uma grande manifestação humanitária pelo fechamento do Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança, mais conhecido como Escola das Américas (ou “Escola de Torturadores”), e pelo fim da militarização imposta pelos Estados Unidos. De acordo com a Rede de Alternativas, a Escola das Américas é considerada hoje um lugar para o treinamento de assassinos. Nas palavras do padre Roy Bourgeois, fundador da SOA Watch, “a SOA é o braço militar [dos EUA] para proteger a ganância de 1%, à custa de 99%, ao longo das Américas”.
Entre os mais destacados ex-alunos da “Escola” estão Manuel Noriega, militar que participou do golpe de estado que derrubou o Governo de Arnulfo Arias (Panamá); Elías Wessin, também envolvido em golpe de Estado, derrubou o Governo de Juan Bosh (República Dominicana); Hugo Banzer, militar que chegou à presidência em 1971 ao derrubar o general Juan José Torres em um golpe de Estado e após isso instaurou uma ditadura; Vladimiro Montesinos, assessor do ex-ditador peruano Alberto Fujimori, atualmente preso por corrupção e tráfico de drogas; e Roberto Eduardo Viola, militar ex-presidente da Argentina durante o ano de 1981.

domingo, 20 de novembro de 2011

• Aconteceu nos EUA!

Richard James Verone, cidadão estadunidense de 59 anos, residente em Gastonia, na Carolina do Norte, entrou em um banco de sua cidade e dirigiu-se ao caixa entregando um bilhete onde comunicava que era um assalto. Exigiu que lhe fosse entregue a quantia de $1 (um dólar!) e avisou que estaria sentado no saguão do banco. Parece coisa de maluco, não é? Mas o problema é que Richard James Verone estava apenas querendo ser preso para poder receber tratamento médico na cadeia, pois havia ficado sem o seu plano de saúde em função dos cortes feitos pelo governo Obama. O que Richard não sabia é que todo o seu sacrifício foi em vão, porque o governo também suspendeu os atendimentos gratuitos de saúde nas prisões estadunidenses! A matéria é do jornalista Mark Engler (https://www.facebook.com/pages/Mark-Engler-Democracy-Uprising/117982368212095 )

E se fosse em Cuba?

Desculpem insistir neste tema, mas não consigo deixar de pensar nisto. Dorli Rainey é uma senhora estadunidense de 84 anos que, nesta terça-feira (15), foi levada para atendimento médico de emergência depois de ser atingida por spray de pimenta lançado em seu rosto por policiais de Sattle. Dorli participava dos protestos convocados pelo movimento “Occupy”, contra a situação econômica nos EUA, quando foi agredida pelos policiais. Um porta-voz da polícia, defendendo a ação covarde dos soldados, disse que “o gás de pimenta foi disparado apenas contra indivíduos que se recusavam a obedecer a ordem para dispersar ou que tinham comportamento ofensivo em relação aos policiais”. Uma senhora de 84 anos? Os policiais de Seattle se sentiram ameaçados por uma senhora de 84 anos? Mas a minha pergunta ainda está posta: e se fosse em Cuba?
Vamos supor que, em alguma cidade cubana, uma senhora de 84 anos fosse agredida por um policial. O que aconteceria? Em primeiro lugar, nossos jornais estariam cheios de declarações contra o “ditador” Fidel Castro. Provavelmente, os fuzileiros navais dos EUA estariam preparando um desembarque na Ilha e a OTAN já estaria afundando Havana em bombas lançadas de moderníssimos aviões. Tudo isto sob o signo de “ajuda humanitária” para derrubar o regime repressor.
Mas a história aconteceu em Seattle. A foto de Dorli Rainey, a mulher de idade, sendo carregada por dois manifestantes e com resquícios do produto químico em seu rosto tornou-se uma das imagens-símbolo do movimento civil, que se espalha por todas as grandes cidades dos EUA e luta contra a desigualdade social no país. “É uma imagem horrível. Eu não sou tão feia assim”, disse Dorli, ex-professora, em uma entrevista à agência Associated Press. Ela é uma ativista conhecida no círculo político da cidade, e se descreve como “uma velha senhora em botas de combate”. Ela afirmou, mesmo após o incidente, que continuará a participar dos protestos. “Sou bem durona”.
Para mais detalhes da covardia e ver as imagens:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/17886/policia+joga+spray+de+pimenta+em+idosa+ao+reprimir+protesto+nos+eua.shtml

Isto sim é Cuba!

Segundo nossos jornais e comentaristas muito bem pagos, Cuba é um país miserável, seu povo vive com fome e mendigando pelas ruas, as cidades são velhas e sujas, nada presta e o povo está cansado do regime. É isto que lemos diariamente em jornais e revistas, não é? Mas não é o que podemos ver ao consultar o mapa do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU divulgado recentemente. Cuba está em 51º lugar entre os 187 países pesquisados e muito na frente se consideradas apenas as questões soci-ais.
O que coloca Cuba em 51º lugar e no segundo grupo é o baixo rendimento bruto per capita de sua população, que, ao contrário do que pensam ou querem que pensemos os analistas neoliberais, não significa necessariamente uma qualidade de vida muito menor. Em Cuba a renda é mesmo muito baixa, quase a metade da brasileira, mas com pouca diferença entre o mais baixo e o mais alto rendimento. Há um sistema de subsídios à alimentação, ao transporte e à cultura, e a saúde e a educação são gratuitas em todos os níveis, do curativo à quimioterapia, da creche ao doutorado. O “IDH de não rendimento” de Cuba (ou seja, o IDH sem o indicador de renda) é de 0,904, o que coloca o país em 25º lugar, ultrapassando 26 países que tem o IDH maior por causa da renda. O maior IDH de não rendimento é o da Austrália (0,975), seguido de Nova Zelândia, Noruega, Coreia do Sul, Holanda e Canadá. Os Estados Unidos estão em 13º lugar (0,931). Cuba está na frente, dentre outros, do Reino Unido, da Grécia, de Portugal, de Israel e dos riquíssimos Emirados Árabes Unidos, Brunei e Qatar, sendo que esse último que tem rendimento bruto per capita 20 vezes maior do que a de Cuba.
No item “esperança de vida”, Cuba desmascara os “doutores analistas”. Vejamos: Noruega – 81,1 anos; Austrália – 81,9 anos; Holanda – 80,7 anos; EUA – 78,5 anos; Nova Zelândia – 80,7 anos; Canadá – 81,2 anos; Cuba – 79,1 anos.


Ernesto Germano

McDonald's explora trabalho escravo

A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo promoveu na última quarta-feira (9) uma audiência pública para analisar as denúncias do uso de trabalho análogo à escravidão pela poderosa multinacional estadunidense McDonald’s. O evento foi aberto com a apresentação de um vídeo com depoimentos de jovens trabalhadores vítimas da brutal exploração. No vídeo, que gerou comoção e revolta entre os deputados e sindicalistas presentes à audiência, os funcionários relatam como são arregimentados pela rede de fast-food, que se apresenta como “campeã na oferta do primeiro emprego”. Eles também dão detalhes sobre as péssimas condições de trabalho, os salários aviltantes e a jornadas extenuantes.
E você com isto? Chegou sua hora de descer do muro dos indiferentes e tomar um lado da história: Vai continuar referendando o trabalho escravo?

IBGE: Mulheres ainda ganham apenas 70% da renda dos homens

A renda das mulheres representava apenas 70% da renda dos homens em 2010, segundo os Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira. Segundo a pesquisa, o rendimento médio mensal das mulheres foi calculado em R$ 983, enquanto a dos homens foi de R$ 1.392. A diferença variou de 70,3% na região Sul (R$ 1.045 para as mulheres e R$ 1.486 para os homens) a 75,5% na região Norte (R$ 809 das mulheres contra R$ 1.072 dos homens).

Enfim a Comissão da Verdade

“O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil” disse Dilma Rousseff ao sancionar a Lei que cria a Comissão da Verdade.
Esta é uma data especial para ser lembrada: 18 de novembro de 2011. Neste dia a presidenta Dilma assinou duas leis de extrema importância para nós, brasileiros. Uma cria a Comissão Nacional da Verdade para trazer a público tudo o que conseguir reunir, em dois anos, sobre violação de direitos humanos cometida por agentes públicos motivados politicamente. A outra é a Lei de Acesso à Informação, que inverte a lógica de que dados e documentos públicos são confidenciais, podem ficar escondidos para sempre e só vêm à luz por decisões individuais.
Daqui a seis meses, todos os órgãos públicos estarão obrigados a divulgar na internet informações sobre o que fazem com seus recursos – para quem repassam, por exemplo –, quais as licitações em curso e quais os contratos assinados. Vale para ministérios, secretarias estaduais e municipais, Congresso Nacional, assembléias legislativas estaduais, câmaras de vereadores, tribunais, procuradorias de justiça. Só escapam prefeituras de cidades com menos de 10 mil habitantes.
A Comissão vai investigar atentados aos direitos humanos praticados no país, mas não punirá do ponto de vista judicial. O foco deve ser a ditadura militar (1964-1985), apesar de a comissão ter um raio de ação maior (1946 a 1988). Todos os papéis, registros, qualquer coisa que ainda esteja com Forças Armadas e revele tortura e assassinato terá de ser entregue à Comissão, se requisitado.
As duas leis serão publicadas no Diário Oficial da próxima segunda-feira (21).
• ONU pede julgamento a torturadores brasileiros. A alta comissária de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Navi Pillay, afirmou que o Brasil precisa trabalhar para punir oficiais que participaram de torturas durante o período da ditadura militar no país (1964-1985). A declaração foi dada nesta sexta-feira (18), no mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que prevê a criação da Comissão Nacional da Verdade, cuja missão será apurar crimes que envolvem violações dos direitos humanos entre 1946 e 1988. No entanto, a Comissão não poderá processar e muito menos punir ninguém, justamente por conta da Lei de Anistia, promulgada em 1979.
• A verdade vai aparecendo. Documentos secretos obtidos pelo jornal Página 12, da Argentina, mostram que o regime militar brasileiro participou e propiciou a caçada dos anos 70 contra todo foco de resistência, na América Latina e na Europa. Nos arquivos da inteligência brasileira há relatórios sobre as atividades do escritor Juan Gelman em Roma e sobre uma viagem que supostamente realizou em Madri “junto com Bidegain, Bonasso M. e outros dirigentes… no dia 17 de junho de 1978”, descreve a nota incluída num dossiê do Estado Maior do Exército do Brasil, intitulado “Movimiento Peronista Montonero en el exterior, Accionar, Contactos, Conexiones con Grupos Terroristas, Antecedentes”. Os documentos agora divulgados mostram que Brasil serviu como cérebro logístico da repressão na América Latina. Militares brasileiros espionaram, prenderam e entregaram cidadãos de outros países para “ditaduras amigas”.

Ernesto Germano

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Até o “The New York Times” se rendeu

Em um artigo publicado nesta quarta-feira (09), o The New York Times reconhece que a medida que a epidemia do cólera continua no Haiti, a missão médica cubana continua trabalhando e ganhando os elogios dos doadores e dos diplomatas por manter-se firme na primeira linha de combate e por seu esforço para refazer nesse país o destroçado sistema de atenção à Saúde pública. Os cubanos já estavam no Haiti antes do terremoto e continuam lá, enquanto a metade das ONGs já se foi.
Paul Farmer, enviado especial das Nações Unidas no Haiti e fundador de Partners in Health, disse que os cubanos foram os primeiros a perceber e dar o alarme sobre o surto de cólera, ajudando a mobilizar aos funcionários de Saúde e reduzir a quantidade de mortos. Os médicos cubanos estão trabalhando no Haiti desde 1998, quando chegaram 100 logo após a passagem do furacão Mitch.
• Novas ameaças para a Venezuela? O presidente Hugo Chávez informou, nesta quarta-feira, que a marinha venezuelana detectou um submarino de “propulsão nuclear” violando águas territoriais, mas sua procedência não foi identificada. Segundo a nota oficial, o submarino fugiu rapidamente ao ser localizado.

Ernesto Germano

Guantánamo: o cárcere mais caro do mundo

A notícia veio de Washington e foi publicada pelo jornal “The Bellingham Herald”: a prisão de Guantánamo, mantida pelos EUA em uma base ilegal em Cuba, é considerada a mais cara do mundo. O cárcere montado em Guantánamo começou a funcionar em 2002, com a “guerra ao terrorismo de Bush”, e custa anualmente aos contribuintes estadunidenses pouco mais de 800 mil dólares por cada um dos 171 presos! Mais ou menos 137 milhões de dólares por ano gastos com uma prisão ilegal, enquanto o governo corta verbas para educação.

EUA vão vai sair do Iraque?

A embaixada estadunidense (a maior e a mais cara do mundo) encontra-se numa zona verde de sua propriedade em Bagdá, recebe os suprimentos mediante caravanas armadas, gera sua própria água e eletricidade e tem sua própria rede de esgotos. Com cinco quilômetros quadrados, a embaixada tem quase as mesmas dimensões que a cidade do Vaticano. Na verdade, torna-se quase uma cidade independente dentro de outra nação, pois, segundo estatísticas do Departamento de Estado, 17 mil pessoas estarão sob a jurisdição do embaixador estadunidense. Aliás, também haverá repartições consulares em Basra, Mosul e Kirkuk, em cada uma das quais trabalharão mais de 1.000 pessoas. E, o que é fundamental, todo este pessoal estadunidense, incluindo os empreiteiros militares e de segurança, terão imunidade diplomática.

Ernesto Germano

E fazem belos discursos pela paz!

EUA e Israel farão exercício militar conjunto com mais de cinco mil soldados. Será o maior já realizado entre os dois aliados e a afirmação foi feita no sábado (04) por Andrew Shapiro, secretário-adjunto de assuntos políticos e militares do Departamento de Estado dos EUA. E ele assegurou também que, em breve, através de dispositivos legislativos, os dois países terão maior facilidade para comercializar armas. Os EUA fazem uma contribuição anual de três bilhões de dólares para Israel e, segundo Shapiro, a administração Obama continuará a honrar. Estarão já tramando a invasão do Irã? Mais mentiras serão criadas para justificar nova invasão?

Ernesto Germano

Grande manifestação estudantil em Londres

Os estudantes do Reino Unido saíram às ruas de Londres nesta quarta-feira (09) para protestar contra a política de austeridade e os cortes na educação impostos pelo governo do premiê David Cameron. Os ma-nifestantes marcharam pelas ruas da capital inglesa com placas e cartazes trazendo críticas às recentes medidas aprovadas por Cameron. Estima-se que até 2015, o governo deverá cortar 40% do valor destinado ao ensino superior. Além disso, o premiê permitiu que as universidades aumentassem suas mensalidades em até três vezes o que é cobrado atualmente. Hoje, os estudantes pagam o equivalente 8,5 mil reais por ano pelos estudos.

Estudantes da Colômbia, como no Chile

Seguindo o exemplo do que faz o governo do Chile, a Colômbia também resolveu reprimir com muita violência os estudantes que protestam contra a privatização do ensino. Na quinta-feira (10) assistimos a mais uma série de lamentáveis cenas de violência e os alvos foram os estudantes que se manifestavam pela Greve Nacional Universitária, no departamento de Cauca, município de Popayán. A greve foi convocada para dizer não à Lei 30, que privatiza a educação.
A manifestação transcorria normal e pacificamente até que chegaram o Esquadrão Móvel Anti-distúrbios (Esmad) e o Esquadrão Móvel de Carabineiros (Emcar) por volta das 14h, quando os manifestantes já se dispersavam pelo centro da cidade. A partir daí, usando veículos militares, teve início uma sessão de violência gratuita contra os estudantes, trabalhadores e demais participantes da manifestação. A repressão usou todo o seu arsenal: bombas de gás lacrimogêneo, tiros com balas de borracha, bombas de aturdimento e explosão. O saldo foi de dez estudantes detidos - entre eles menores de idade - que se encontram na Unidade de Retenção Imediata (RUI) de Popayán. A ação também deixou alguns feridos gravemente.

No Chile, é perigoso ser jornalista

A matéria está no Opera Mundi. “A tropa de choque avançava pela direita, disparando escopetas de gás lacrimogêneo. Do lado oposto, manifestantes atiravam paus e pedras. No fogo cruzado, o fotógrafo da IPS (International Press Service) Fernando Fiedler engolia seco e apertava o obturador da câmera. Daquela vez, ele esperava ser atingido.
Fiedler só não podia imaginar que o alvo principal da polícia chilena naquela operação fosse ele mesmo, não os manifestantes. O fotógrafo foi arrastado pela Rua Pio IX e brutalmente espancado por um grupo de policiais. Em seguida, foi atirando dentro de um camburão e levado à 6ª Delegacia de Polícia, no bairro Recoleta, em Santiago.”
Desde março de 2010, 12 repórteres que registravam manifestações de rua a serviço de agências internacionais de notícias foram vítimas de ameaças, agressões, torturas, detenções arbitrárias e atos de censura cometidos pela polícia chilena. Pelos menos cinco jornalistas de emissoras, jornais e produtoras locais sofreram agressões semelhantes no mesmo período.

Ernesto Germano

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Menos um

É com imenso prazer que o Vozes da América vem comunicar em segunda mão que o Primeiro Ministro da Itália, dono da maior rede de comunicação daquele país, dono de um dos maiores clubes de futebol do mundo - a lavanderia de dinheiro Milan, Silvio Berlusconni, dono de muitas vidas desgraçadas italianas, RENUNCIOU!!!
Menos um tirano no poder aparente, agora faltam "poucos": Obama, Sarkozy, David Cameron, Netaniahu...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Nota de falecimento - 02 de Novembro de 2011, dia dos mortos da Era Cristã

Morreu há algum tempo a dignidade. Ela agonizava há milhares de anos vitimada por uma doença crônica e típica aos humanos.
Durante o tratamento teve melhoras significativas com revoluções sociais importantes que inverteram a lógica do consumo para a lógica do ser. Mas mesmo em países que inventaram este tratamento ela padeceu, pois alguns destes Estados não mantiveram o tratamento até o fim.
A família manda avisar aos interessados que nesta última semana, com o auto exílio do Deputado Marcelo Freixo para o exterior, perseguido e ameaçado por quadrilhas milicianas com total complacência do poder público, a dignidade faleceu.
A missa de sétimo, oitavo, nono... dias, tem que ser nas ruas pois a dignidade é uma entidade que pode renascer e assim, nos redimir.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Quantas bobagens ainda serão precisas para que digamos algo diferente de nossos silêncios?

" Quando a legislação diz que o presidente do Congresso tem direito a transporte de representação, estamos homenageando a democracia, cumprindo a liturgia das instituições"
José Sarney (PMDB-AP)justificando o uso de helicóptero do governo do Maranhão em um passeio particular. Na ocasião, o presidente do Senado também disse que as críticas realizadas por Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, foram 'injustas'. No Rock in Rio, Dinho dedicou a Sarney a música 'Que País é Esse'. (Folha de S. Paulo 11/10/2011)


" (os professores) são verdadeiras hienas loucas e irresponsáveis, e eu estou apenas cumprindo o meu papel de deputado"
Dep. estadual Carlomano Marques (PMDB-CE), um dos 40 parlamentares que votaram à favor da proposta do governador Cid Gomes, contra os professores, na última quinta-feira (29). A data ficou marcada como a quinta-feira sangrenta, depois que os professores foram violentamente agredidos na Assembleia Legislativa do Ceará. E o deputado ainda diz que estava "cumprindo seu papel"....
(Jangadeiro Online - 30/09/2011)


"Não podemos confundir greve com férias. Quem não trabalha não pode ser pago"
Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, sobre a greve nos Correiosque ainda disse que a greve poderia 'prejudicar' a imagem da estatal (Agência Brasil 19/09/2011)


" V. Ex.ª queria que o Presidente [Sarney] fosse andar em jumento? V. Ex.ª queria o quê? Enfrentar um engarrafamento?"Dep. Magno Bacelar (PV), numa tentativa infeliz de justificar o uso de um helicóptero da PM pelo senador José Sarney para passear com a família e amigos na ilha de Curupu. O deputado ainda emendou: 'Esse helicóptero, é claro, tem que servir os doentes, mas tem que servir as autoridades.'


" Mais de 100 crianças são assassinadas ou violentamente espancadas por dia, e ninguém fala nada. Sabe por quê? É porque por trás das editorias dos jornais, da televisão existe uma bicharada desgramada que dá toda essa ênfase para eles (homossexuais)".
Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus, em mais um de seus repugnantes ataques contra os homossexuais. O pastor está levando a cabo uma cruzada contra os gays, incentivando o ódio e a intolerância (revista Época, 24/08/2011)


" Temos certeza de que esta agremiação partidária (PMDB) irá fortalecer muito a gestão da UNE junto ao Poder Público" Daniel Iliescu, presidente da UNEdurante cerimônia realizada na sede do PMDB em Brasília que comemorou a volta do partido à executiva da entidade (Blog do Josias, 16/08/2011)

"Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado"
Cid Gomes (PSB), governador do Cearádurante palestra em Natal (RN). Na ocasião, ainda disse que o serviço público precisa começar 'a demitir os servidores que não fazem seu trabalho direito para que o setor funcione melhor'. (Tribuna do Norte, 14/08/2011)

"Você não pede aumento [numa situação dessas]"
Guido Mantega, ministro da Fazenda, em entrevista sobre o impacto da crise econômica no Brasil. O ministro disse ser essencial que o Brasil não gaste mais e, mesmo em tom de brincadeira, deixou escapar como deve ser o tratamento do governo e das empresas com as campanhas salariais do segundo semestre. Mais uma vez, querem que os trabalhadores paguem a conta.
(Folha Online - 09/08/2011)

"O astral dos moradores de rua está muito bom, acho que é porque o frio deu uma trégua hoje"
Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo em seu twitter. Muitos internautas duvidaram que o prefeito fosse capaz de dizer tal coisa, mas a sua assessoria confirmou a autoria da mensagem (Folha Online 25/07/2011)

"O governo sempre financiou outras entidades e a imprensa nunca criticou" Daniel Iliescu, novo presidente da UNEtentando justificar os recursos recebidos pela UNE para a realização do congresso da entidade (O Globo 18/07/2011)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Demoniocracia dos EUA na ONU

Mais uma vez a demoniocracia da ONU prevaleceu.
191 países votaram. 186 CONTRA o bloqueio econômico à Cuba. 3 abstenções (Micronésia, Palau e Ilhas Marshall). 2 votos A FAVOR do bloqueio – EUA e Israel. Prevaleceu o menor quorum de todos os votantes.
Parece incrível como uma pequena Ilha caribenha, sem a menor importância econômica, ainda assusta o gigante decadente do norte que parece soprar sobre suas ventas o fogo da praga eterna a todos aqueles que não seguem sua cartilha de subserviência. Mas o que os devem deixar ainda mais preocupados é que ainda assim, com 50 anos de proibições comerciais com o resto do mundo servil, com uma perda estimada em 975 bilhões de dólares de prejuízos, Cuba tem índices sociais que nem a Noruega, a Suiça, a Suécia ou a Finlândia têm.
É o único país do mundo a erradicar a fome. O único onde crianças não morrem de doenças curáveis. O único onde não existem analfabetos... E esses dados são da mesma ONU que criou as regras antidemocráticas que mantém o poder de veto para 5 países e bastando a apenas um deles decidir o futuro do planeta.
Esta foi a vigésima votação – terceira na gestão do mandatário estadunidense Barack Obama – realizada nas Nações Unidas sobre o bloqueio estadunidense a Cuba.
“Apesar da retórica oficial que pretende convencer a opinião pública internacional de que o atual Governo dos EUA tem introduzido uma política de mudanças positivas, Cuba continua também sem poder comercializar com subsidiárias de empresas estadunidenses em países terceiros e os empresários de nações terceiras interessados em investir em Cuba são sistematicamente ameaçados e incluídos em listas negras”.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba revela que o país continua sem poder exportar e importar produtos e serviços dos Estados Unidos, assim como não pode utilizar o dólar norte-americano em negócios internacionais ou possuir contas com essa moeda em bancos de outros países. O documento cubano, que relata a citação acima, ainda lembra que o país não tem acesso a créditos de bancos estadunidenses nem de instituições financeiras internacionais.
“O bloqueio viola o Direito Internacional, é contrário aos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e constitui uma transgressão ao direito à paz, ao desenvolvimento e à segurança de um Estado soberano. É, em sua essência e objetivos, um ato de agressão unilateral e uma ameaça permanente contra a estabilidade de um país. O bloqueio constitui uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todo um povo. Viola também os direitos constitucionais do povo norte-americano, ao infringir sua liberdade de viajar a Cuba. Viola, ademais, os direitos soberanos de muitos outros Estados por seu caráter extraterritorial”, ressalta.
Perguntar é preciso, ao menos isto posso fazer...

1. Quem vai pagar esta conta que hoje chega a quase 1 trilhão de dólares?

2. Quem vai responder criminalmente pelas inúmeras crianças cubanas mortas quando faltava o básico na década de 90? Não seria isto um genocídio?

3. Quem vai responder pela falta de infraestrutura que até hoje sofre Cuba?

4. Até quando a imprensa abutre vai esconder a verdadeira Cuba do mundo?

5. E a partir de quando as pessoas vão reconhecer que Cuba, longe de ser o problema das Américas, é a solução dos problemas americanos?

Em tempo: Os jogos Panamericanos de Guadalajara acabaram neste final de semana e o segundo lugar no quadro de medalhas, como sempre, foi de Cuba! E olha que não hospedará nenhuma olimpíada daqui a 5 anos e nem tem a 8ª economia do planeta. Também não conta com o apoio financeiro ou político de nenhuma potência e nem figura nas listas dos mais badalados pela imprensa internacional. Não possui bases militares sobre o pretexto de combater o narcotráfico para os EUA. Não tem políticos a serviço do imperialismo e das grandes empresas multinacionais. Não cultua o consumo como sacrossanto princípio para a felicidade. Não recebe incentivo financeiro de nenhuma empresa privada por melhores resultados esportivos. Não possui jogadores atuando por dinheiro. Mas... desculpem, ainda assim foi o segundo lugar nas Américas, de novo.

Chico Baeta

sábado, 22 de outubro de 2011

Talentos

As duas publicações que seguem abaixo são de dois jovens talentos descobertos num ano de muita fertilidade: Ingrid Manzini e Vitor Ayres.
Vida longa aos novos poetas! Viva a poesia social!
E que venham outros e outros e outros... sempre!
Alguma coisa aconteceu no meu coração. Ele ficou mais sensível, mais aberto e mais quente. Foi São Paulo. A cidade do concreto, que me recebeu com um abraço apertado, intenso, daqueles que se sente lá dentro e que parece que dura um tempão e nunca mais vai embora.
Pelo meio de tantos prédios, carros, pessoas, nuvens, se vê dor, alegria. Se vê arte. Se vê poesia. Seja aquela presente nos pés de Garrincha, ou no coração do corinthiano fanático; aquela que está na voz dos homens, sejam eles malandros, existencialistas ou simplesmente crianças. Aquela que não precisamos enxergá-la, mas senti-la. Senti-la naquela cela desesperadora em tempos de calamidade, de frieza dos que não a enxergam. Como podemos conter nossas lágrimas ao ver um homem sem a poesia? Pois nem sequer os olhos para enxergá-la ele tem. E o que dizer daqueles que os têm, e que sentem a maldita? Estes têm o dever de mostrá-la, escancará-la, sendo assim, solidários com aqueles impossibilitados por uma grande nuvem que quando se precipita deixa cair gotas de sangue manchando São Paulo corroendo toda a poesia que há nela. Porém, é um ciclo. A poesia pode até ser corroída, mas ela volta... Ela volta mais forte, mais bonita, se dissipando pelos ares paulistanos, alcançando o coração de cada um que sente essa cidade de concreto.


Ingrid Manzini

DESABAFO !

Vou andando pela favela
E a arquitetura impressiona
E é com a pobreza que eu vou de carona
Na comunidade o social é uma zona

O que você recebe do político
Que nem tem senso critico
Nós pagamos tanto imposto
E junto com o bonde de Santa Teresa
Recebemos só desgosto

Nós queríamos boas escolas
E recebemos só esmolas
Pedimos hospitais
E o q nos dão são só currais

A liberdade lá em cima
Não tem limite
E é com a minha rima
Que eu me mantenho longe do rebite


(refrão)

Fui seduzido pela paixão combativa
Busquei alternativa
Não posso mais fugir
Lutar? Sempre!
Desistir? Nunca!
Esse é o meu lema

Profecias são profecias, parceiro
Pergunta pro Barrichelo se os últimos são os primeiros

Persistência sempre foi a minha marca,
O meu orgulho
É muito bom ouvir barulho
Que ensine a caminhar

Lutar! Pra manter aquilo que foi conquistado
E sempre tentar mudar o Estado
Saindo de baixo
Sem esculacho

Pare um pouco, reflita
Dê uma olhada
É mais um corrupta absolvida
Semana passada


(refrão)


O partido não é partido
Pois eles são bem unidos
24 horas pensando
Como roubar
Para o dinheiro dos oprimidos desfrutar

E é junto com a Afrika Bambataa
A gente vai se expressando
Com cada letra
Com cada palavra

O mês de Junho foi marcado
Pelo protesto dos bombeiros que foi rejeitado
Eles só estavam atrás de seus direitos
Que foram negados pelo Cabral, animal !
Sim, esse maldito algoz
Que só está lá por causa de nós

E eu espero ter tocado
O fundo do coração de cada um
O que nunca é muito comum
Então mude, que quando a gente muda
O mundo com a gente
Sempre pra frente
E nunca deixa de usar a sua mente

(refrão)...

Vitor Ayres

Boa noite

Miragens

Nesta noite
debruço-me `a imensa janela das recordações.
Quisera conservar em mim
ao menos uma parte do que possuí
diante de tudo que se distancia.

Rita Mourão

Envelhecer é:
se diatanciar de tudo que vivemos
e de todos com quem convivemos.

(pensando a poesia)

Boa noite

João Carlos Santacruz

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sampa

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas


Saímos do Rio de Janeiro inundados por um cansaço diferente, aquele que se sente depois de extenuar algo que deu certo, de parir poesia em festival.
E quando nos demos conta estávamos ali, na Estação da Luz, o mitológico cenário da Paulicéia desvairada. Passamos antes pela caricaturada marginal do Tietê, mas foi na Luz que nos demos conta de que enfim havíamos chegado a São Paulo.
O ônibus andou menos de cinco minutos e encontramos Caetano Veloso na esquina da Ipiranga com a Avenida São João. Nesta altura não restava a menor dúvida: A São Paulo dos edifícios “artos” de Adoniran Barbosa nos recebia.
Partimos para o museu do futebol que fica no Estádio Municipal do Pacaembu. Neste momento a cultura popular se transformou, foi da nostalgia do futebol arte até a mercantilização dos tempos modernos. Vimos símbolos sagrados do velho esporte, quadros épicos de memoráveis partidas. Ouvimos narrações de históricos gols e contemplamos os gritos de torcidas apaixonadas. Cada coração que levamos do Rio pulsou de maneira diferente, mas pulsou nas memórias que carregávamos de clubes que nutrimos como traço inseparável de nossa própria cultura.
Sob a direção de um guia cítrico e bem informado - Diego - num ônibus, e da doce e segura Rafaela no outro, tínhamos a certeza de que seríamos bem direcionados pelas armaduras de concreto daquela cidade.
Partimos para o almoço e parecíamos repetir Chico Buarque:

"Mulher, você vai gostar:
Tô levando uns amigos pra conversar.
Eles vão com uma fome
Que nem me contem;
Eles vão com uma sede de anteontem”.

E para nossa sorte, o restaurante fez jus a nossa fome.
Saímos dali e nos encontramos com nossa língua. Lá estava ela e trazia consigo raízes de 500 anos com histórias de mais de 6.000 anos. E assim voltamos a Caetano Veloso no fantástico Museu da Língua Portuguesa:


“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira!”.

É um museu vivo, entre cartazes que se movimentam junto com o público, fazendo ode à palavra e uma exposição temporária do modernista Oswald de Andrade. Aquele museu interage com as pessoas, tornando-as íntimas. Mas foi a projeção de um filme de 10 minutos sobre as origens da Língua Portuguesa falada no Brasil e a Praça da Língua, espécie de “planetário linguístico”, composto por imagens projetadas e áudio, que deu vivacidade àquele encontro de falantes e sua língua. Uma antologia da literatura criada em Língua Portuguesa, com curadoria de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski.
Banhados de cultura nos restavam banhar o corpo e sair para jantar. Assim fizemos e nos afogamos em massas no tradicional bairro Bexiga.
Ao regressar ao hotel dormimos o sono dos justos e só acordamos para recomeçar. Assim, nosso dia primaveril, no melhor estilo garoa de Sampa, amanheceu no Ibirapuera onde, entre flores e muralistas, decidimos visitar o Memorial da Resistência, um museu de preservação histórica de tempos gris, antigo DOPS – centro nervoso da polícia política das ditaduras, Vargas e militar, onde se torturava, matava-se e sumia-se com os corpos daqueles que ousassem lutar pela liberdade e pela democracia. E assim voltamos a Chico:

Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Sim, Francisco Buarque de Holanda tem razão. Mas não naquele caso e com aqueles meninos e meninas. Aquela geração que conheceu no Memorial da Resistência não permitiu desbotar nada de suas memórias. Ao contrário, viveu aquele momento com a intensidade de quem estava solidário com as inscrições nas paredes frias; de quem ouvia o tilintar das chaves que abriam e fechavam as celas; de quem sentia por alguns segundos as dores das torturas que parecem não cessar. Ali choramos, contemplamos, nos fitamos, cúmplices, e apontamos para frente, para a necessidade de não permitirmos a repetição dessa velha história.
No ônibus, de volta para algum lugar que, embriagados de emoção, não sabíamos onde era, vimos a reedição de trechos do festival de poesia de dias antes. Os alunos deram seus depoimentos sobre os momentos que viveram, cantaram solenes “Roda Viva” e “Pra não dizer que não falei de flores” e evocaram os poetas sociais que doaram suas artes para a causa dos desfavorecidos, gritando suas presenças com a força daqueles que acreditam num mundo diferente.
Almoçamos. Partimos para um fantástico encontro com nossas raízes continentais. E foi ali, no Memorial da América Latina, que nos reconhecemos. Somos latinos sim. Somos americanos sim. Somos indígenas, negros e brancos e quem mais chegar. Vimos a mão de Oscar Niemayer sangrando nosso mapa e nos despedimos de nossos amigos paulistas. A fala de Diego, num círculo em cima da maquete de nossa América, pregava um país sem preconceitos, sem rivalidades triviais impulsionadas pela grande mídia abutre, ávida por contendas mercenárias, a fim de se vender tudo, inclusive a tolerância. Desse jeito, repletos de aulas sobre São Paulo, aprendemos que aqueles que tripudiam a cultura do outro e cultuam a intolerância e o etnocentrismo, revivem em Caetano Veloso, o mesmo que nos recebeu na esquina, se despede de nós alertando:


Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Canción con todos - Mercedes Sosa

Hoje acordei com saudades de Mercedes Sosa. E me veio de assalto esta música, que evoca a unidade latino americana que ontem pude sentir em breves momentos no Memorial da América Latina em São Paulo. Viva a América Latina livre! Viva os povos da América!

Aproveito esta postagem para lembrar aos imprescindíveis alunos que a professora Catarina publicou no sítio http://cambauba2011.blogspot.com um artigo intitulado "Heróis da Resistência" em homenagem aquela sexta-feira de poesias.

domingo, 2 de outubro de 2011

Qual é o limite para Nazisrael?


• Israel faz novos assentamentos. O Ministério do Interior israelense aprovou na terça-feira (27) o projeto de construção de 1.100 casas em uma área do sul de Jerusalém ocupada em 1967 e reivindicada pelos palestinos. No sábado (24), pouco depois do pedido palestino de admissão na ONU, um grupo formado por EUA, União Europeia, Rússia e ONU apresentou proposta de negociação entre palestinos e israelenses. Mas Israel respondeu com esta nova ocupação de territórios palestinos. Os novos imóveis serão construídos nas encostas da parte sul do assentamento de Guiló, em frente à cidade palestina de Beit Jala, e além da chamada “Linha Verde”, a fronteira da Cisjordânia reconhecida internacionalmente desde 1967. (Matéria em Opera Mundi)

• Israel confisca terras para fazer estrada! O governo de Israel confiscou 80 hectares da aldeia palestina de Beit Umar, na Cisjordânia, para construir uma estrada para uma de suas colônias, informou nesta quarta-feira (28) a agência de notícias palestina “WAFA”. Com oito quilômetros de comprimento e um e meio de largura, a nova estrada partirá do assentamento de Etzion, atravessando a aldeia palestina. Sua construção está prevista para a próxima semana. Essa decisão acontece um dia depois de a Comissão de Planejamento do Distrito de Jerusalém ter anunciado a aprovação da construção de 1.100 imóveis na colônia judia de Gilo, em Jerusalém Oriental.

• Israel desrespeita até a Cruz Vermelha. O CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) protestou nesta segunda-feira (26) contra a prisão, por autoridades israelenses, de Ahmed Attoun, um membro do Conselho Legislativo Palestino, que estava refugiado na sede da ONG em Jerusalém Oriental. Em comunicado oficial, a Cruz Vermelha pede que o governo israelense cumpra “suas obrigações segundo o Direito Internacional Humanitário” e liberte Attoun, capturado por agentes israelenses disfarçados de trabalhadores palestinos. A organização apela para o artigo 49 da Convenção de Genebra, que proibiria Israel, “independentemente de seus motivos, de fazer transferências forçadas de palestinos”. A Cruz Vermelha argumenta que, segundo o direito internacional humanitário, Jerusalém Oriental é um território ocupado e “os palestinos que vivem aí estão protegidos segundo o artigo 4º da Quarta Convenção de Genebra”.

67 milhões de crianças fora das escolas.

O informe da Unesco intitulado “Educação Para Todos”, a-presentado esta semana em Madri, é assustador! 67 milhões de crianças no mundo não podem frequentar uma escola e as previsões são de que o número chegue a 72 milhões, em 2015. Um dos problemas apontados no relatório é a questão da fome. Nos países chamados “em desenvolvimento”, uma em cada três crianças sofre com a desnutrição (ao todo, 195 milhões de crianças).
Observação: Pelo mesmo relatório e em todos os casos, nenhuma dessas crianças é cubana!

Mais uma de nossa imprensa comprometida com a justiça!

Não vi na nossa imprensa! Claro que isto não é uma surpresa, mas não encontrei uma única linha na nossa imprensa sobre a notícia divulgada pelo Opera Mundi. Entre 1958 e 1962, o serviço secreto da Alemanha Ocidental espionou Fidel Castro (nenhuma novidade!), mas, para isso, utilizou os serviços de um criminoso nazista. Walter Rauff era o responsável pelas unidades móveis de câmaras de gás utilizadas pelo regime nazista na Polônia e na Ucrânia. Com o fim da Segunda Guerra, Rauff fugiu de um campo de prisioneiros e se estabeleceu no Chile, onde foi encontrado pelo serviço secreto alemão e contratado para espionar Fidel Castro. Interessante é que ele era procurado na Alemanha pela execução de 98 mil prisioneiros durante o nazismo. Mas seu processo acabou arquivado.

Por Ernesto Germano

domingo, 25 de setembro de 2011

25 de Setembro: Saudade!

Espelho - João Nogueira

Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz

Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)

Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai (Bis)

E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar (Bis)

Raro, mas aponta para esperança de que nem tudo está perdido.

Goiânia, 25 de Setembro de 2011. Em tempos de futebol globalizado e de esporte popular elitizado, onde as cifras milionárias são banalizadas em continentes famintos ou emersos a profundas crises, surge o inusitado.
O jogo era Atlético Goianiense e Palmeiras e antes de começar o jogo fez-se um minuto de silêncio. Até aí normal. Pois basta morrer um sócio importante (quase sempre rico ou politicamente influente), alguém famoso, ex-jogador que tenha conseguido não cair no esquecimento, que este tipo de prática acontece: o juíz apita o tal respeito antes de começar a peleja.
Mas hoje não. Morreram quatro trabalhadores da construção civil, pedreiros, num edifício que se ergue em Goiânia. E o silêncio solene foi feito para pessoas simples, sem rostos e sem nomes, mas foi feito.
Nessas horas volto a ter a singela impressão muito recorrente em minha infância de que todos somos iguais. Será? Ojalá sejamos, pois nos segundos que antecederam mais um empate do Palmeiras, nós fomos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Até quando?




Mais uma vez a ONU vai votar o tenebroso embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba há mais de 50 anos. Estima-se que neste período, em função do isolamento covarde, Cuba deixou de receber mais de 3 trilhões de dólares em comércio e ainda assim a pequena grande Ilha tem índices sociais invejáveis.
O que dizer de Fidel, Raúl, Che, Camilo... e todos os revolucionários que provaram ser possível um outro mundo?

Sabíamos disto tudo, mas contados por eles...

As imagens e o desabafo falam por si. Assitam!

http://www.youtube.com/watch?v=JFOmnAjk1EQ&feature=share

Questionar não ofende...

Por que será que as pessoas se juntam para um concerto de música, enfrentando transportes ineficientes, 2 horas na fila para comer, chuva, sofrendo arrastões, sendo furtadas, claustrofibicamente amontoados, mas não se unem para mudar a educação do país que vivem?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11 de Setembro - O terrorismo estadunidense

Amanhã fará 38 anos da mais triste página da história chilena e da nossa América. Aquele ataque terrorista não foi só um golpe, foi a extirpação de um sonho, o socialismo democrático.
Pela primeira vez o socialismo chegava ao poder pelo voto, dentro dos marcos criados pela burguesia desde os primórdios iluministas. Uma frente ampla de esquerda - Unidade Popular - composta por socialistas, comunistas e anarquistas fora eleita e fizera profundas reformas.
Reforma agrária, educacional, estatização de empresas estadunidenses que infringiam as leis chilenas, ampla campanha contra fome... o Chile caminhava para uma nova experiência mundial - o socialismo sem sangue.
Mas foi com sangue que os ataques terroristas sufocaram este sonho. Os EUA, utilizando seu braço armado, a Cia, em aliança com a direita chilena que perdia os seus seculares pivilégios, bombardeou o Palácio presidencial de La Moneda e implantou a mais tirânica ditadura da América Latina, os terríveis anos Pinochet.
Neste 11 de Setembro pensemos no terrorismo para que não volte a acontecer em nenhum lugar do mundo, pois às vezes, a dor que dizemos sentir já fora por nós provocada.

Viva Allende!
Viva o Chile!
Viva a América Latina livre!

http://www.youtube.com/watch?v=WDEq1a6zYmo - Documental EE.UU. vs Allende. Recontrucción histórica basada en los archivos desclacificados de la C.I.A. y el libro "Salvador Allende Cómo la Casa Blanca provocó su muerte", de la periodista chilena Patricia Verdugo. Dirigido por Diego Marín Verdugo.

http://www.youtube.com/watch?v=xZeEfXjTNu4 - Último discurso de Salvador Allende

Em tempo: Leia algumas matérias abaixo o último discurso de Salvador Allende antes do ataque terrorista de 1973.

Monsanto lança transgênico criado no Brasil.

A Monsanto inicia em outubro as primeiras plantações da segunda geração de soja transgênica em 500 propriedades no Brasil. Trata-se do teste final para a coloca-ção do produto no mercado. A nova semente, a Intacta, possui dois genes modificados. A tecnologia está em fase final de aprovação e já foi apresentada nas feiras agrícolas no país. O produto será submetido a um último teste e a empresa vai contar com 500 produtores, que devem iniciar o plantio já na próxima safra que inicia em outubro. A pesquisa foi desenvolvida no Brasil, e aprovada por autoridades brasileiras e estadunidenses, mas, para serem vendidos no exterior, ainda são necessários avais da China, Japão a aprovação da União Europeia. Mas a nova tecnologia conta com uma desvantagem. O produto requer o plantio de uma área de 20% de soja convencional, separadamente dos campos de soja modificada. É o chamado “refúgio”, e o motivo é evitar a proliferação de insetos resistentes. Se houver o plantio do transgênico puro, as larvas mais resistentes proliferam, gerando uma seleção natural de superinsetos não afetados pela proteína transgênica. Como o refúgio atrai todos os insetos da lavoura e não recebe a proteção do inseticida, a produção dessa área é descartada pelo agricultor.

Sugestões de leituras:

http://www.agrisustentavel.com/trans/crisanto.htm
http://www.monsanto.com.br/
http://vivoverde.com.br/

Tiro pela culatra!

A direita tem tentado criar algum fato contra o governo e, para isto, resolveu eleger o tema “corrupção”. O velho movimento “cansei”, criado contra Lula por Ivete Sangalo, Ana Maria Braga e Hebe Camargo reapareceu
em alguns jornais.
Tudo foi montado para virar primeira página em jornais e revistas do PIG e matéria principal no Jornal Nacional, com direito a Wiliam Bonner fazendo aquela cara de “profunda indignação”.
Jornais como O Globo e Folha de São Paulo passaram a semana inteira chamando o “povo” para a “marcha contra a corrupção”, em Brasília, no 7 de setembro. Enviaram dezenas de repórteres e jornalistas para fazer a cobertura e enviar para agências internacionais.
Mas o tiro saiu pela culatra. A “marcha contra a corrupção” realmente aconteceu e estava bem concorrida. Mas teve como principais alvos: a TV Globo, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e seu presidente Ricardo Teixeira e o Congresso.
No início da passeata havia um cartaz escrito: “Sorria, você está sendo manipulado”, ao lado do logotipo da Globo. Uma manifestante declarou: “A Globo manipula tudo. Não basta vir na marcha. A TV vai manipular muita coisa aqui”. A repórter da Globo que acompanhava a marcha ouviu o coro “o povo não é bobo, fora a Rede Globo” e falou para outro jornalista: “Vou ter de fingir que não vi...”.
O fato é que os jornais pouco falaram da “marcha”. O tiro saiu pela culatra!

por Ernesto Germano

Algumas considerações acerca do resultado do ENEM 2010.

O nível geral da educação está muito baixa. Mais da metade das escolas foi “reprovada” no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010: exatas 63,64% de todas as que tiveram a nota das provas objetivas divulgadas não conseguiram atingir a nota média de 511,21. Ou seja: se o que estivesse em jogo fosse a aprovação ou a reprovação, elas não “passariam de ano”.
A situação pode ser ainda pior, já que em 9.176 dessas escolas abaixo da média (mais de 70% delas) a participação dos alunos não chegou à metade do total de matriculados. Ou seja: sendo o Enem voluntário, a tendência é que estudantes em tese mais “preparados” façam a prova, mesmo que, como mostra o resultado, não estejam exatamente bem qualificados. Além disso, há escolas que colocam somente seus melhores alunos para prestar o exame.
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi criado para avaliar a qualidade do ensino médio. Desde 2006, o MEC (Ministério da Educação) tem divulgado a nota do Enem por escola, com dados da prova do ano anterior. E esse indicador tem sido bastante utilizado como critério de escolha da escola principalmente entre as particulares.
A recomendação é que os pais prestem atenção nos seguintes quesitos: taxa de participação, fazer a comparação entre escolas semelhantes e considerar outros fatores, além da nota do Enem. Aqui, neste último alerta, entra uma questão fundamental: Uma análise bem fundamentada sobre um aluno ou uma escola não pode passar pela nota fim, ou seja, uma única avaliação quantitativa. Há de se levar em conta todo o processo deste aluno ou desta escola, e assim, uma infinidade de avaliações subjetivas, qualitativas, são feitas e que levam a outros critérios e olhares que seguramente, não saem no resultado final do Enem.
Outro erro que se incorre com freqüência é a comparação direta entre as escolas privadas e públicas. É fato que vivemos tempos muito gris sobre a educação. É certo que há muito, ou desde sempre, a educação pública sofre o sucateamento imposto por governantes elitistas e compromissados com seus pares, gerindo a coisa pública sobre a ótica e o benefício da privada. É fato que o governo Sérgio Cabral vem se desenhando como uma das piores gestões educacionais da vida do nosso estado, tendo a ousadia de criminalizar professores por reivindicarem o óbvio e ter a pachorra de pagar aviltantes R$ 845,00 de salário. Mas...
O professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da USP, alerta para o risco da comparação: “Você pode avaliar alunos, mas não pode comparar as escolas porque é uma injustiça com as públicas. Elas não estão preparadas para que seus alunos façam o Enem, enquanto as privadas escolhem os melhores alunos ( ou unidades) para fazerem as provas”.
As escolas particulares perceberam que o ranking do Enem é uma propaganda forte. As melhores escolas, não raro, fazem um processo seletivo entre os alunos, enquanto a escola pública regular trabalha com todo o público, sem distinções.
Uma outra observação entre as escolas melhores e piores ranquiadas, reside na epistemologia da educação: O binômio professor e instituição também merecem profundas análises.
A primeira requer atenção a formação deste professor, que não pode (ou não deve) funcionar apenas pelo fator financeiro. Pois isto leva a uma lógica fascista na educação que comumente vê o mesmo profissional dando sangue onde é bem pago e fazendo “corpo mole” na escola pública. E o pior é que o argumento deste fascismo educacional reforça a falta de oportunidade futura desta criança ou adolescente: “Para quê que eu vou cobrar deste aluno algo tão específico se ele não é capaz de fazer?”. Quando isto é feito, reproduzimos o elitismo educacional que só se aprofunda para os filhos das elites e colocamos mais uma pá de cal no futuro despreparado dos filhos dos pobres. Ora nossa função primordial é ensinar, se “este aluno não é capaz”, quem seria incapaz, ele de aprender ou eu de ensinar?
A última análise é institucional. Se analisarmos os traços que existem em comum nas escolas (a que me refiro as escolas de verdade, aquelas que se preocupam também com seus projetos políticos pedagógicos) veremos a grande preocupação com disciplinas cuja função é fazer o alunado abrir seus conectivos para o conhecimento, desenvolvendo o prazer pelo pensamento, pelo esforço intelectual: Filosofia, Sociologia, Música, Teatro, Cinema...

sábado, 10 de setembro de 2011

Último discurso de Salvador Allende antes do ataque terrorista dos EUA no Chile em 1973

http://www.youtube.com/watch?v=xZeEfXjTNu4 - Último discurso de Salvador Allende


Seguramente ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Postales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción Que sean ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron: soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino, que se ha autodesignado comandante de la Armada, más el señor Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al Gobierno, y que también se ha autodenominado Director General de carabineros. Ante estos hechos sólo me cabe decir a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Trabajadores de mi Patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unidos a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara el general Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la abuela que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas que siguieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clases para defender también las ventajas de una sociedad capitalista de unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente; en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo lo oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de quienes tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la Patria.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Crime contra a humanidade

Amigos.
A insana mente norte americana é capaz desta e de todas as outras crueldades que sabemos serem praticadas por eles, especialmente a postura belicista e despótica. Tal prática possivelmente continua na América Latina, provavelmente no Oriente Médio e com certeza nos miseráveis africanos. A Alemanha pagou somas vultuosas pelas atrocidades cometidas durante a guerra. Quanto ou como pagarão os norte americanos por estes atos de desumanidade, em tempos de paz?
Nelson Ferrão
PS: Ironicamente, esta notícia está na página de ciência do jornal " O Globo"



http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/08/30/investigacoes-revelam-detalhes-de-experiencia-dos-eua-com-cobaias-humanas-na-guatemala-925254050.asp

domingo, 4 de setembro de 2011

Mais uma deste nefasto Sérgio Cabral

Caros amigos,

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, na figura fascista-simpática-chorona de Sérgio Cabral, também age no silêncio. Digo isto pois a aberração da Copa do Mundo e das Olimpíadas merecem diariamente o estardalhaço multimídia dos interessados em circo e lucro, mas esta pequena resenha não vem falar disto ainda. Voltemos para o silêncio.
A aprovação e licenciamento da Companhia Siderúrgica do Atlântico é mais um atentado a vida, as nossas, pessoas bem nutridas, de boa moradia, do eixo metropolitano que importa ao poder público, mas sobretudo para a população sofrida da zona oeste e do subúrbio que a falta de poder público denota uma política pública, a da ausência. Esta ausência permite a instalação de uma máquina de fazer cadáveres para os próximos anos e atende pelo nome de modernidade.
Assita o vídeo que o link abaixo sugere e comente, mas sobretudo proteste. Viva, não morra! Viva, deixe que os outros vivam!

http://www.youtube.com/watch?v=5--nTG9q0A4