sábado, 22 de outubro de 2011

Alguma coisa aconteceu no meu coração. Ele ficou mais sensível, mais aberto e mais quente. Foi São Paulo. A cidade do concreto, que me recebeu com um abraço apertado, intenso, daqueles que se sente lá dentro e que parece que dura um tempão e nunca mais vai embora.
Pelo meio de tantos prédios, carros, pessoas, nuvens, se vê dor, alegria. Se vê arte. Se vê poesia. Seja aquela presente nos pés de Garrincha, ou no coração do corinthiano fanático; aquela que está na voz dos homens, sejam eles malandros, existencialistas ou simplesmente crianças. Aquela que não precisamos enxergá-la, mas senti-la. Senti-la naquela cela desesperadora em tempos de calamidade, de frieza dos que não a enxergam. Como podemos conter nossas lágrimas ao ver um homem sem a poesia? Pois nem sequer os olhos para enxergá-la ele tem. E o que dizer daqueles que os têm, e que sentem a maldita? Estes têm o dever de mostrá-la, escancará-la, sendo assim, solidários com aqueles impossibilitados por uma grande nuvem que quando se precipita deixa cair gotas de sangue manchando São Paulo corroendo toda a poesia que há nela. Porém, é um ciclo. A poesia pode até ser corroída, mas ela volta... Ela volta mais forte, mais bonita, se dissipando pelos ares paulistanos, alcançando o coração de cada um que sente essa cidade de concreto.


Ingrid Manzini

DESABAFO !

Vou andando pela favela
E a arquitetura impressiona
E é com a pobreza que eu vou de carona
Na comunidade o social é uma zona

O que você recebe do político
Que nem tem senso critico
Nós pagamos tanto imposto
E junto com o bonde de Santa Teresa
Recebemos só desgosto

Nós queríamos boas escolas
E recebemos só esmolas
Pedimos hospitais
E o q nos dão são só currais

A liberdade lá em cima
Não tem limite
E é com a minha rima
Que eu me mantenho longe do rebite


(refrão)

Fui seduzido pela paixão combativa
Busquei alternativa
Não posso mais fugir
Lutar? Sempre!
Desistir? Nunca!
Esse é o meu lema

Profecias são profecias, parceiro
Pergunta pro Barrichelo se os últimos são os primeiros

Persistência sempre foi a minha marca,
O meu orgulho
É muito bom ouvir barulho
Que ensine a caminhar

Lutar! Pra manter aquilo que foi conquistado
E sempre tentar mudar o Estado
Saindo de baixo
Sem esculacho

Pare um pouco, reflita
Dê uma olhada
É mais um corrupta absolvida
Semana passada


(refrão)


O partido não é partido
Pois eles são bem unidos
24 horas pensando
Como roubar
Para o dinheiro dos oprimidos desfrutar

E é junto com a Afrika Bambataa
A gente vai se expressando
Com cada letra
Com cada palavra

O mês de Junho foi marcado
Pelo protesto dos bombeiros que foi rejeitado
Eles só estavam atrás de seus direitos
Que foram negados pelo Cabral, animal !
Sim, esse maldito algoz
Que só está lá por causa de nós

E eu espero ter tocado
O fundo do coração de cada um
O que nunca é muito comum
Então mude, que quando a gente muda
O mundo com a gente
Sempre pra frente
E nunca deixa de usar a sua mente

(refrão)...

Vitor Ayres

Boa noite

Miragens

Nesta noite
debruço-me `a imensa janela das recordações.
Quisera conservar em mim
ao menos uma parte do que possuí
diante de tudo que se distancia.

Rita Mourão

Envelhecer é:
se diatanciar de tudo que vivemos
e de todos com quem convivemos.

(pensando a poesia)

Boa noite

João Carlos Santacruz

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sampa

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas


Saímos do Rio de Janeiro inundados por um cansaço diferente, aquele que se sente depois de extenuar algo que deu certo, de parir poesia em festival.
E quando nos demos conta estávamos ali, na Estação da Luz, o mitológico cenário da Paulicéia desvairada. Passamos antes pela caricaturada marginal do Tietê, mas foi na Luz que nos demos conta de que enfim havíamos chegado a São Paulo.
O ônibus andou menos de cinco minutos e encontramos Caetano Veloso na esquina da Ipiranga com a Avenida São João. Nesta altura não restava a menor dúvida: A São Paulo dos edifícios “artos” de Adoniran Barbosa nos recebia.
Partimos para o museu do futebol que fica no Estádio Municipal do Pacaembu. Neste momento a cultura popular se transformou, foi da nostalgia do futebol arte até a mercantilização dos tempos modernos. Vimos símbolos sagrados do velho esporte, quadros épicos de memoráveis partidas. Ouvimos narrações de históricos gols e contemplamos os gritos de torcidas apaixonadas. Cada coração que levamos do Rio pulsou de maneira diferente, mas pulsou nas memórias que carregávamos de clubes que nutrimos como traço inseparável de nossa própria cultura.
Sob a direção de um guia cítrico e bem informado - Diego - num ônibus, e da doce e segura Rafaela no outro, tínhamos a certeza de que seríamos bem direcionados pelas armaduras de concreto daquela cidade.
Partimos para o almoço e parecíamos repetir Chico Buarque:

"Mulher, você vai gostar:
Tô levando uns amigos pra conversar.
Eles vão com uma fome
Que nem me contem;
Eles vão com uma sede de anteontem”.

E para nossa sorte, o restaurante fez jus a nossa fome.
Saímos dali e nos encontramos com nossa língua. Lá estava ela e trazia consigo raízes de 500 anos com histórias de mais de 6.000 anos. E assim voltamos a Caetano Veloso no fantástico Museu da Língua Portuguesa:


“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira!”.

É um museu vivo, entre cartazes que se movimentam junto com o público, fazendo ode à palavra e uma exposição temporária do modernista Oswald de Andrade. Aquele museu interage com as pessoas, tornando-as íntimas. Mas foi a projeção de um filme de 10 minutos sobre as origens da Língua Portuguesa falada no Brasil e a Praça da Língua, espécie de “planetário linguístico”, composto por imagens projetadas e áudio, que deu vivacidade àquele encontro de falantes e sua língua. Uma antologia da literatura criada em Língua Portuguesa, com curadoria de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski.
Banhados de cultura nos restavam banhar o corpo e sair para jantar. Assim fizemos e nos afogamos em massas no tradicional bairro Bexiga.
Ao regressar ao hotel dormimos o sono dos justos e só acordamos para recomeçar. Assim, nosso dia primaveril, no melhor estilo garoa de Sampa, amanheceu no Ibirapuera onde, entre flores e muralistas, decidimos visitar o Memorial da Resistência, um museu de preservação histórica de tempos gris, antigo DOPS – centro nervoso da polícia política das ditaduras, Vargas e militar, onde se torturava, matava-se e sumia-se com os corpos daqueles que ousassem lutar pela liberdade e pela democracia. E assim voltamos a Chico:

Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Sim, Francisco Buarque de Holanda tem razão. Mas não naquele caso e com aqueles meninos e meninas. Aquela geração que conheceu no Memorial da Resistência não permitiu desbotar nada de suas memórias. Ao contrário, viveu aquele momento com a intensidade de quem estava solidário com as inscrições nas paredes frias; de quem ouvia o tilintar das chaves que abriam e fechavam as celas; de quem sentia por alguns segundos as dores das torturas que parecem não cessar. Ali choramos, contemplamos, nos fitamos, cúmplices, e apontamos para frente, para a necessidade de não permitirmos a repetição dessa velha história.
No ônibus, de volta para algum lugar que, embriagados de emoção, não sabíamos onde era, vimos a reedição de trechos do festival de poesia de dias antes. Os alunos deram seus depoimentos sobre os momentos que viveram, cantaram solenes “Roda Viva” e “Pra não dizer que não falei de flores” e evocaram os poetas sociais que doaram suas artes para a causa dos desfavorecidos, gritando suas presenças com a força daqueles que acreditam num mundo diferente.
Almoçamos. Partimos para um fantástico encontro com nossas raízes continentais. E foi ali, no Memorial da América Latina, que nos reconhecemos. Somos latinos sim. Somos americanos sim. Somos indígenas, negros e brancos e quem mais chegar. Vimos a mão de Oscar Niemayer sangrando nosso mapa e nos despedimos de nossos amigos paulistas. A fala de Diego, num círculo em cima da maquete de nossa América, pregava um país sem preconceitos, sem rivalidades triviais impulsionadas pela grande mídia abutre, ávida por contendas mercenárias, a fim de se vender tudo, inclusive a tolerância. Desse jeito, repletos de aulas sobre São Paulo, aprendemos que aqueles que tripudiam a cultura do outro e cultuam a intolerância e o etnocentrismo, revivem em Caetano Veloso, o mesmo que nos recebeu na esquina, se despede de nós alertando:


Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Canción con todos - Mercedes Sosa

Hoje acordei com saudades de Mercedes Sosa. E me veio de assalto esta música, que evoca a unidade latino americana que ontem pude sentir em breves momentos no Memorial da América Latina em São Paulo. Viva a América Latina livre! Viva os povos da América!

Aproveito esta postagem para lembrar aos imprescindíveis alunos que a professora Catarina publicou no sítio http://cambauba2011.blogspot.com um artigo intitulado "Heróis da Resistência" em homenagem aquela sexta-feira de poesias.

domingo, 2 de outubro de 2011

Qual é o limite para Nazisrael?


• Israel faz novos assentamentos. O Ministério do Interior israelense aprovou na terça-feira (27) o projeto de construção de 1.100 casas em uma área do sul de Jerusalém ocupada em 1967 e reivindicada pelos palestinos. No sábado (24), pouco depois do pedido palestino de admissão na ONU, um grupo formado por EUA, União Europeia, Rússia e ONU apresentou proposta de negociação entre palestinos e israelenses. Mas Israel respondeu com esta nova ocupação de territórios palestinos. Os novos imóveis serão construídos nas encostas da parte sul do assentamento de Guiló, em frente à cidade palestina de Beit Jala, e além da chamada “Linha Verde”, a fronteira da Cisjordânia reconhecida internacionalmente desde 1967. (Matéria em Opera Mundi)

• Israel confisca terras para fazer estrada! O governo de Israel confiscou 80 hectares da aldeia palestina de Beit Umar, na Cisjordânia, para construir uma estrada para uma de suas colônias, informou nesta quarta-feira (28) a agência de notícias palestina “WAFA”. Com oito quilômetros de comprimento e um e meio de largura, a nova estrada partirá do assentamento de Etzion, atravessando a aldeia palestina. Sua construção está prevista para a próxima semana. Essa decisão acontece um dia depois de a Comissão de Planejamento do Distrito de Jerusalém ter anunciado a aprovação da construção de 1.100 imóveis na colônia judia de Gilo, em Jerusalém Oriental.

• Israel desrespeita até a Cruz Vermelha. O CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) protestou nesta segunda-feira (26) contra a prisão, por autoridades israelenses, de Ahmed Attoun, um membro do Conselho Legislativo Palestino, que estava refugiado na sede da ONG em Jerusalém Oriental. Em comunicado oficial, a Cruz Vermelha pede que o governo israelense cumpra “suas obrigações segundo o Direito Internacional Humanitário” e liberte Attoun, capturado por agentes israelenses disfarçados de trabalhadores palestinos. A organização apela para o artigo 49 da Convenção de Genebra, que proibiria Israel, “independentemente de seus motivos, de fazer transferências forçadas de palestinos”. A Cruz Vermelha argumenta que, segundo o direito internacional humanitário, Jerusalém Oriental é um território ocupado e “os palestinos que vivem aí estão protegidos segundo o artigo 4º da Quarta Convenção de Genebra”.

67 milhões de crianças fora das escolas.

O informe da Unesco intitulado “Educação Para Todos”, a-presentado esta semana em Madri, é assustador! 67 milhões de crianças no mundo não podem frequentar uma escola e as previsões são de que o número chegue a 72 milhões, em 2015. Um dos problemas apontados no relatório é a questão da fome. Nos países chamados “em desenvolvimento”, uma em cada três crianças sofre com a desnutrição (ao todo, 195 milhões de crianças).
Observação: Pelo mesmo relatório e em todos os casos, nenhuma dessas crianças é cubana!

Mais uma de nossa imprensa comprometida com a justiça!

Não vi na nossa imprensa! Claro que isto não é uma surpresa, mas não encontrei uma única linha na nossa imprensa sobre a notícia divulgada pelo Opera Mundi. Entre 1958 e 1962, o serviço secreto da Alemanha Ocidental espionou Fidel Castro (nenhuma novidade!), mas, para isso, utilizou os serviços de um criminoso nazista. Walter Rauff era o responsável pelas unidades móveis de câmaras de gás utilizadas pelo regime nazista na Polônia e na Ucrânia. Com o fim da Segunda Guerra, Rauff fugiu de um campo de prisioneiros e se estabeleceu no Chile, onde foi encontrado pelo serviço secreto alemão e contratado para espionar Fidel Castro. Interessante é que ele era procurado na Alemanha pela execução de 98 mil prisioneiros durante o nazismo. Mas seu processo acabou arquivado.

Por Ernesto Germano

domingo, 25 de setembro de 2011

25 de Setembro: Saudade!

Espelho - João Nogueira

Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz

Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)

Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai (Bis)

E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar (Bis)

Raro, mas aponta para esperança de que nem tudo está perdido.

Goiânia, 25 de Setembro de 2011. Em tempos de futebol globalizado e de esporte popular elitizado, onde as cifras milionárias são banalizadas em continentes famintos ou emersos a profundas crises, surge o inusitado.
O jogo era Atlético Goianiense e Palmeiras e antes de começar o jogo fez-se um minuto de silêncio. Até aí normal. Pois basta morrer um sócio importante (quase sempre rico ou politicamente influente), alguém famoso, ex-jogador que tenha conseguido não cair no esquecimento, que este tipo de prática acontece: o juíz apita o tal respeito antes de começar a peleja.
Mas hoje não. Morreram quatro trabalhadores da construção civil, pedreiros, num edifício que se ergue em Goiânia. E o silêncio solene foi feito para pessoas simples, sem rostos e sem nomes, mas foi feito.
Nessas horas volto a ter a singela impressão muito recorrente em minha infância de que todos somos iguais. Será? Ojalá sejamos, pois nos segundos que antecederam mais um empate do Palmeiras, nós fomos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Até quando?




Mais uma vez a ONU vai votar o tenebroso embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba há mais de 50 anos. Estima-se que neste período, em função do isolamento covarde, Cuba deixou de receber mais de 3 trilhões de dólares em comércio e ainda assim a pequena grande Ilha tem índices sociais invejáveis.
O que dizer de Fidel, Raúl, Che, Camilo... e todos os revolucionários que provaram ser possível um outro mundo?

Sabíamos disto tudo, mas contados por eles...

As imagens e o desabafo falam por si. Assitam!

http://www.youtube.com/watch?v=JFOmnAjk1EQ&feature=share

Questionar não ofende...

Por que será que as pessoas se juntam para um concerto de música, enfrentando transportes ineficientes, 2 horas na fila para comer, chuva, sofrendo arrastões, sendo furtadas, claustrofibicamente amontoados, mas não se unem para mudar a educação do país que vivem?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11 de Setembro - O terrorismo estadunidense

Amanhã fará 38 anos da mais triste página da história chilena e da nossa América. Aquele ataque terrorista não foi só um golpe, foi a extirpação de um sonho, o socialismo democrático.
Pela primeira vez o socialismo chegava ao poder pelo voto, dentro dos marcos criados pela burguesia desde os primórdios iluministas. Uma frente ampla de esquerda - Unidade Popular - composta por socialistas, comunistas e anarquistas fora eleita e fizera profundas reformas.
Reforma agrária, educacional, estatização de empresas estadunidenses que infringiam as leis chilenas, ampla campanha contra fome... o Chile caminhava para uma nova experiência mundial - o socialismo sem sangue.
Mas foi com sangue que os ataques terroristas sufocaram este sonho. Os EUA, utilizando seu braço armado, a Cia, em aliança com a direita chilena que perdia os seus seculares pivilégios, bombardeou o Palácio presidencial de La Moneda e implantou a mais tirânica ditadura da América Latina, os terríveis anos Pinochet.
Neste 11 de Setembro pensemos no terrorismo para que não volte a acontecer em nenhum lugar do mundo, pois às vezes, a dor que dizemos sentir já fora por nós provocada.

Viva Allende!
Viva o Chile!
Viva a América Latina livre!

http://www.youtube.com/watch?v=WDEq1a6zYmo - Documental EE.UU. vs Allende. Recontrucción histórica basada en los archivos desclacificados de la C.I.A. y el libro "Salvador Allende Cómo la Casa Blanca provocó su muerte", de la periodista chilena Patricia Verdugo. Dirigido por Diego Marín Verdugo.

http://www.youtube.com/watch?v=xZeEfXjTNu4 - Último discurso de Salvador Allende

Em tempo: Leia algumas matérias abaixo o último discurso de Salvador Allende antes do ataque terrorista de 1973.

Monsanto lança transgênico criado no Brasil.

A Monsanto inicia em outubro as primeiras plantações da segunda geração de soja transgênica em 500 propriedades no Brasil. Trata-se do teste final para a coloca-ção do produto no mercado. A nova semente, a Intacta, possui dois genes modificados. A tecnologia está em fase final de aprovação e já foi apresentada nas feiras agrícolas no país. O produto será submetido a um último teste e a empresa vai contar com 500 produtores, que devem iniciar o plantio já na próxima safra que inicia em outubro. A pesquisa foi desenvolvida no Brasil, e aprovada por autoridades brasileiras e estadunidenses, mas, para serem vendidos no exterior, ainda são necessários avais da China, Japão a aprovação da União Europeia. Mas a nova tecnologia conta com uma desvantagem. O produto requer o plantio de uma área de 20% de soja convencional, separadamente dos campos de soja modificada. É o chamado “refúgio”, e o motivo é evitar a proliferação de insetos resistentes. Se houver o plantio do transgênico puro, as larvas mais resistentes proliferam, gerando uma seleção natural de superinsetos não afetados pela proteína transgênica. Como o refúgio atrai todos os insetos da lavoura e não recebe a proteção do inseticida, a produção dessa área é descartada pelo agricultor.

Sugestões de leituras:

http://www.agrisustentavel.com/trans/crisanto.htm
http://www.monsanto.com.br/
http://vivoverde.com.br/

Tiro pela culatra!

A direita tem tentado criar algum fato contra o governo e, para isto, resolveu eleger o tema “corrupção”. O velho movimento “cansei”, criado contra Lula por Ivete Sangalo, Ana Maria Braga e Hebe Camargo reapareceu
em alguns jornais.
Tudo foi montado para virar primeira página em jornais e revistas do PIG e matéria principal no Jornal Nacional, com direito a Wiliam Bonner fazendo aquela cara de “profunda indignação”.
Jornais como O Globo e Folha de São Paulo passaram a semana inteira chamando o “povo” para a “marcha contra a corrupção”, em Brasília, no 7 de setembro. Enviaram dezenas de repórteres e jornalistas para fazer a cobertura e enviar para agências internacionais.
Mas o tiro saiu pela culatra. A “marcha contra a corrupção” realmente aconteceu e estava bem concorrida. Mas teve como principais alvos: a TV Globo, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e seu presidente Ricardo Teixeira e o Congresso.
No início da passeata havia um cartaz escrito: “Sorria, você está sendo manipulado”, ao lado do logotipo da Globo. Uma manifestante declarou: “A Globo manipula tudo. Não basta vir na marcha. A TV vai manipular muita coisa aqui”. A repórter da Globo que acompanhava a marcha ouviu o coro “o povo não é bobo, fora a Rede Globo” e falou para outro jornalista: “Vou ter de fingir que não vi...”.
O fato é que os jornais pouco falaram da “marcha”. O tiro saiu pela culatra!

por Ernesto Germano

Algumas considerações acerca do resultado do ENEM 2010.

O nível geral da educação está muito baixa. Mais da metade das escolas foi “reprovada” no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010: exatas 63,64% de todas as que tiveram a nota das provas objetivas divulgadas não conseguiram atingir a nota média de 511,21. Ou seja: se o que estivesse em jogo fosse a aprovação ou a reprovação, elas não “passariam de ano”.
A situação pode ser ainda pior, já que em 9.176 dessas escolas abaixo da média (mais de 70% delas) a participação dos alunos não chegou à metade do total de matriculados. Ou seja: sendo o Enem voluntário, a tendência é que estudantes em tese mais “preparados” façam a prova, mesmo que, como mostra o resultado, não estejam exatamente bem qualificados. Além disso, há escolas que colocam somente seus melhores alunos para prestar o exame.
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi criado para avaliar a qualidade do ensino médio. Desde 2006, o MEC (Ministério da Educação) tem divulgado a nota do Enem por escola, com dados da prova do ano anterior. E esse indicador tem sido bastante utilizado como critério de escolha da escola principalmente entre as particulares.
A recomendação é que os pais prestem atenção nos seguintes quesitos: taxa de participação, fazer a comparação entre escolas semelhantes e considerar outros fatores, além da nota do Enem. Aqui, neste último alerta, entra uma questão fundamental: Uma análise bem fundamentada sobre um aluno ou uma escola não pode passar pela nota fim, ou seja, uma única avaliação quantitativa. Há de se levar em conta todo o processo deste aluno ou desta escola, e assim, uma infinidade de avaliações subjetivas, qualitativas, são feitas e que levam a outros critérios e olhares que seguramente, não saem no resultado final do Enem.
Outro erro que se incorre com freqüência é a comparação direta entre as escolas privadas e públicas. É fato que vivemos tempos muito gris sobre a educação. É certo que há muito, ou desde sempre, a educação pública sofre o sucateamento imposto por governantes elitistas e compromissados com seus pares, gerindo a coisa pública sobre a ótica e o benefício da privada. É fato que o governo Sérgio Cabral vem se desenhando como uma das piores gestões educacionais da vida do nosso estado, tendo a ousadia de criminalizar professores por reivindicarem o óbvio e ter a pachorra de pagar aviltantes R$ 845,00 de salário. Mas...
O professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da USP, alerta para o risco da comparação: “Você pode avaliar alunos, mas não pode comparar as escolas porque é uma injustiça com as públicas. Elas não estão preparadas para que seus alunos façam o Enem, enquanto as privadas escolhem os melhores alunos ( ou unidades) para fazerem as provas”.
As escolas particulares perceberam que o ranking do Enem é uma propaganda forte. As melhores escolas, não raro, fazem um processo seletivo entre os alunos, enquanto a escola pública regular trabalha com todo o público, sem distinções.
Uma outra observação entre as escolas melhores e piores ranquiadas, reside na epistemologia da educação: O binômio professor e instituição também merecem profundas análises.
A primeira requer atenção a formação deste professor, que não pode (ou não deve) funcionar apenas pelo fator financeiro. Pois isto leva a uma lógica fascista na educação que comumente vê o mesmo profissional dando sangue onde é bem pago e fazendo “corpo mole” na escola pública. E o pior é que o argumento deste fascismo educacional reforça a falta de oportunidade futura desta criança ou adolescente: “Para quê que eu vou cobrar deste aluno algo tão específico se ele não é capaz de fazer?”. Quando isto é feito, reproduzimos o elitismo educacional que só se aprofunda para os filhos das elites e colocamos mais uma pá de cal no futuro despreparado dos filhos dos pobres. Ora nossa função primordial é ensinar, se “este aluno não é capaz”, quem seria incapaz, ele de aprender ou eu de ensinar?
A última análise é institucional. Se analisarmos os traços que existem em comum nas escolas (a que me refiro as escolas de verdade, aquelas que se preocupam também com seus projetos políticos pedagógicos) veremos a grande preocupação com disciplinas cuja função é fazer o alunado abrir seus conectivos para o conhecimento, desenvolvendo o prazer pelo pensamento, pelo esforço intelectual: Filosofia, Sociologia, Música, Teatro, Cinema...

sábado, 10 de setembro de 2011

Último discurso de Salvador Allende antes do ataque terrorista dos EUA no Chile em 1973

http://www.youtube.com/watch?v=xZeEfXjTNu4 - Último discurso de Salvador Allende


Seguramente ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Postales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción Que sean ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron: soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino, que se ha autodesignado comandante de la Armada, más el señor Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al Gobierno, y que también se ha autodenominado Director General de carabineros. Ante estos hechos sólo me cabe decir a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Trabajadores de mi Patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unidos a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara el general Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la abuela que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas que siguieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clases para defender también las ventajas de una sociedad capitalista de unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente; en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo lo oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de quienes tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la Patria.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Crime contra a humanidade

Amigos.
A insana mente norte americana é capaz desta e de todas as outras crueldades que sabemos serem praticadas por eles, especialmente a postura belicista e despótica. Tal prática possivelmente continua na América Latina, provavelmente no Oriente Médio e com certeza nos miseráveis africanos. A Alemanha pagou somas vultuosas pelas atrocidades cometidas durante a guerra. Quanto ou como pagarão os norte americanos por estes atos de desumanidade, em tempos de paz?
Nelson Ferrão
PS: Ironicamente, esta notícia está na página de ciência do jornal " O Globo"



http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/08/30/investigacoes-revelam-detalhes-de-experiencia-dos-eua-com-cobaias-humanas-na-guatemala-925254050.asp

domingo, 4 de setembro de 2011

Mais uma deste nefasto Sérgio Cabral

Caros amigos,

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, na figura fascista-simpática-chorona de Sérgio Cabral, também age no silêncio. Digo isto pois a aberração da Copa do Mundo e das Olimpíadas merecem diariamente o estardalhaço multimídia dos interessados em circo e lucro, mas esta pequena resenha não vem falar disto ainda. Voltemos para o silêncio.
A aprovação e licenciamento da Companhia Siderúrgica do Atlântico é mais um atentado a vida, as nossas, pessoas bem nutridas, de boa moradia, do eixo metropolitano que importa ao poder público, mas sobretudo para a população sofrida da zona oeste e do subúrbio que a falta de poder público denota uma política pública, a da ausência. Esta ausência permite a instalação de uma máquina de fazer cadáveres para os próximos anos e atende pelo nome de modernidade.
Assita o vídeo que o link abaixo sugere e comente, mas sobretudo proteste. Viva, não morra! Viva, deixe que os outros vivam!

http://www.youtube.com/watch?v=5--nTG9q0A4