sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Império do Norte segue mostrando sua cara: Bárbies neofascista

O lugar é o estado do Arizona e a personagem é clássica: uma Bárbie, só que velha. A governadora daquele nefasto lugarzinho que só teria de bom o fato de ser fronteira com o México. Seria pois é esta razão que fez a Bárbie plastificada, governadora cujo nome é Jan Brewer, republicana como Bush e ideologicamente pouco diferente do, "nobel da paz" (ainda me causa estarrecimento), aprovar uma lei que torna crime o imigrante ilegal nos EUA.
A tal governadora assinou a lei controversa, com transmissão ao vivo pela TV, na presença de todo seu gabinete, enquanto centenas de manifestantes protestavam do lado de fora da sede do governo. Também permite que policiais interroguem pessoas sobre sua situação imigratória se houver qualquer motivo para suspeitar que estejam ilegalmente no país. E quem julga isto, pasmem, é a própria polícia! Ah, agora sim estou mais tranquilo!
Assim dá para entender a razão de ser os EUA o único país do mundo a manter ATIVO o único campo de concentração do planeta, um lugar onde se tortura, se mata, mas não se julga. Na "Base militar de Guantánamo", há presos que nem sabem o que fazem ali. Há pessoas que foram presas simplesmente por discordarem do governo estadunidense e outras que pagam o preço de serem Árabes. Como se pode observar, um lugar muito justo, tanto quanto a lei discriminatória do Arizona.
A nós, meros mortais frente ao Império do Norte só resta o boicote. Diga não a tudo que vem sujo com sangue de gente inocente! Diga não aos EUA!

TAXA CAMARAE - Parte 1

A Taxa Camarae é um tarifário promulgado, em 1517, pelo papa Leão X (1513-1521) destinado a vender indulgências, ou seja, o perdão dos pecados, a todos quantos pudessem pagar umas boas libras ao pontífice. Como veremos na transcrição que se segue, não havia delito, por mais horrível que fosse, que não pudesse ser perdoado a troco de dinheiro. Leão X declarou aberto o céu para todos aqueles, fossem clérigos ou leigos, que tivessem violado crianças e adultos, assassinado uma ou várias pessoas, abortado… desde que se manifestassem generosos com os cofres papais.


O Vozes da América vai publicar ao longo do tempo os 35 artigos da Taxa Camarae para que o leitor e a leitora possam comparar a Igreja Católica de ontem e de hoje. Sugerimos também que façam as contas de quanto em Libras esta Instituição pagaria hoje para chegar aos céus que ela mesmo vende em lotes, depois dos inúmeros casos de pedofilia que a envolve e outras aberrações. Boa leitura!

Artigos 1, 2 e 3.

1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas, seja, por fim, com outra mulher qualquer, será absolvido, mediante o pagamento de 67 libras, 12 soldos.

2. Se o eclesiástico, além do pecado de fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deve pagar 219 libras, 15 soldos. Mas se tiver apenas cometido pecado contra a natureza com meninos ou com animais e não com mulheres, somente pagará 131 libras, 15 soldos.

3. O sacerdote que desflorar uma virgem, pagará 2 libras, 8 soldos.


No entanto, para a historiografia católica, o Papa Leão X, autor de um exemplo de corrupção tão grande como o que acabamos de ler, passa por ser o protagonista da «história do pontificado mais brilhante e talvez o mais perigoso da história da Igreja».

(Fonte: Rodríguez, Pepe (1997). Mentiras fundamentais da Igreja católica.Terramar – Editores, Distribuidores e Livreiros -(1.ª edição portuguesa, Terramar, Outubro de 2001 – Anexo, pp. 345-348)

Com esse monopólio, não venham falar em democracia

OS DONOS DA MÍDIA NO BRASIL


GRUPO 1

O primeiro grupo – os “cabeças-de-rede” – são as famílias que controlam as redes de nacionais de comunicação, de TVs, rádios, e jornais de circulação nacional.
- Organizações Globo – família Marinho
- Rede Record – Igreja Universal - Edir Macedo
- Sistema Bandeirantes de Comunicação – família Saad
- Sistema Brasileiro de Televisão–SBT – Silvio Santos
- Grupo O Estado de São Paulo (Estadão)– família Mesquita
- Grupo Folha de São Paulo – família Frias
- Grupo Abril – família Civita (responsável por 70% do mercado de revistas do país, incuindo a Veja).
É importante ressaltar que alguns desses grupos possuem também portais na internet e agências de notícias (ex. UOL, da folha; globo.com; agência Estado; agência globo).

GRUPO 2

O segundo grupo de “donos da mídia” é composto por grupos nacionais e regionais com presença econômica expressiva e alguns fortes grupos regionais.

Entre estes grupos estão:

o Grupo RBS da família Sirostski no RS
as Organizações Jaime Câmara em Goiás e Tocantins
o Jornal do Brasil, no DF
a Gazeta Mercantil, em SP

GRUPO 3

O terceiro grupo é composto por grupos regionais de afiliados às redes nacionais de TV.

Neste grupo estão presentes as oligarquias regionais que, obviamente, controlam tanto o poder econômico, quanto o político.

Outra questão importante a ressaltar é que, embora vinculados às redes nacionais de TV, esses grupo locais controlam todo o sistema de comunicação regional por meio de inúmeras rádios e jornais.
Exemplos em alguns estados:

Ceará
família Jereissati (do Senador Tasso Jereissati - PSDB)

Rio Grande do Norte família Maia (do Senador Jose Agripino Maia - DEM) e família Alves (do Senador Garibaldi Alves Filho - PMDB)

Bahiafamília Magalhães (do deputado ACM Neto - DEM)

Maranhãofamília Sarney (do Senador José Sarney - PMDB)

Alagoasfamília Collor (do Senador Fernando Collor de Mello - PRTB)

Sergipefamília Franco (do Senador Albano Franco - PSDB)

Paráfamília Pires (do Deputado Vic Pires - DEM)
Mais detalhes no quadro 5 do arquivo anexo.


GRUPO 4

O quarto grupo é composto por pequenos grupos regionais de TV, rádio e jornais ou ainda por veículos de pequena participação no mercado de mídia, mas que muitas vezes são apêndices de fortes grupos que atuam em outros ramos da economia.

Um bom exemplo dessa situação é a TV Brasília, que durante um bom tempo foi propriedade do Grupo Paulo Octávio.

Ou seja, os pequenos grupos de mídia estão também, em sua maioria, sob controle do poder local.

É por isso que nos municípios do interior do país, o dono da rádio local é também o chefe político municipal.


Jornal do Brasil

O Jornal do Brasil é publicado na cidade do Rio de Janeiro e atualmente pertence ao empresário Nelson Tanure, do grupo Docas Investimentos, que também administra a revista Forbes no Brasil e agência de notícias InvestNews.

É tradicionalmente voltado para uma elite diminuta da classe alta que se concentra na Zona Sul do Rio de Janeiro e que se pretende formadora de opinião, a nível nacional.

Gazeta Mercantil

Apesar de haver fechado em maio de 2009, o jornal Gazeta Mercantil continua sob o controle acionário do grupo Docas Investimentos, do empresário Nelson Tanure, e conta com uma redação unificada com os demais produtos jornalísticos da empresa (JB, a Forbes e a agência de notícias InvestNews).


Histórico

A crise que deflagrou na transferência do controle acionário da família Levy para Nelson Tanure ocorreu no final da década de 90 e início dos anos 2000. Após anos de liderança absoluta no mercado, as contas da empresa se deterioraram e, ao mesmo tempo, a direção do jornal decidiu ampliar as áreas de atuação, com investimentos em internet e televisão.

As novas áreas contaram com parceiros que foram a Portugal Telecom, antiga controladora da Telesp Celular - atualmente Vivo, na web e a TV Bandeirantes e a TV Gazeta, controlada pela Fundação Cásper Líbero, na televisão.

O jornal passou pela crise e uma drástica reestruturação nos últimos anos.
Tinha uma tiragem de 70 mil exemplares de acordo com levantamento do IVC de julho/2007.

Em 25 de maio de 2009, Nelson Tanure anunciou que devolveria a administração do jornal aos proprietários anteriores, não se responsabilizando mais pela publicação a partir de 1 de junho.
Alegou que herdou dívidas de mais de 200 milhões de reais em processos trabalhistas.

Dessa forma, a última edição do jornal foi a de 29 de maio de 2009.

O grupo português Ongoing negou interesse em comprar o jornal "porque o título tem uma dívida muito grande", mas animou-se com a possibilidade de ingressar na imprensa econômica brasileira, aproveitando o vácuo deixado pela interrupção.

O grupo Ongoing estreou o jornal Brasil Econômico em 8 de outubro de 2009.

domingo, 18 de abril de 2010

E QUEM PROTEGE A ROCINHA DA BARRA DA TIJUCA?

Por Laerte Braga*



Douglas Dique Carnicelli Júnior, filho de um empresário da Barra da Tijuca, 28 anos de idade, nunca trabalhou a bem dizer. Vive de viagens ao exterior, mora num condomínio fechado. Em tese é importador de peças de automóveis importados.

Na realidade é traficante e abastece a favela da Rocinha no Rio de Janeiro. Foi preso sexta-feira pelo delegado Fábio Pacífico da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública quando ia encontrar-se com o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o “NEM”.

Estava com três mil pontos de LSD em seu carro e em seu apartamento de alto luxo num condomínio na avenida Flamboyant, na Barra, a Polícia apreendeu um quilo e meio de cocaína.

O delegado Fábio Pacífico disse a jornalistas que Douglas “é o atacadista que fornece a droga para as vendas no varejo.”

Há anos atrás o ex-jogador Zico e um grupo de moradores da Barra da Tijuca conseguiram um referendo para tentar dividir a cidade do Rio de Janeiro em vários municípios. A idéia foi rejeitada nas urnas, mas Zico falava muito do comportamento das pessoas e da segurança pública, afirmando que a Barra sem estar dentro do município do Rio de Janeiro, teria condições de livrar-se da violência.

Não está livre nem da violência e nem de Zico.

Está recheada de Douglas.

Há pouco mais de um ano jovens moradores de outro condomínio saiam às ruas para “exemplar” mulheres de conduta duvidosa (a juízo deles). Quando as encontravam, em nome da sociedade cristã e democrática, aplicavam-lhe uma surra, tomavam os seus pertences e com o produto do trabalho dessas mulheres compravam a droga de cada dia.

Presos, o pai de um deles alegou que seu filho não poderia ficar na mesma cela que criminosos comuns, pois além de estudante de direito “foi criado num ambiente familiar saudável, num condomínio onde tinha tudo o que precisava”.

A moça em questão, a tal de “conduta duvidosa” era uma faxineira. Limpava as casas e apartamentos dos condomínios.

O diretor do programa BBB, exemplo de uso da televisão para fins educativos, formação de caráter, etc, o tal Boninho, juntava-se a amigos no apartamento da freira Narcisa Tamborindeguy, para da janela jogar água suja em mulheres que ao talante deles tinham “conduta duvidosa”. Narcisa ia mais além, em quem ela julgava feio.

E agora? Quem vai proteger a Rocinha da Barra da Tijuca?

Construir muros para evitar que os criminosos dos condomínios tenham rotas de fuga?

A propósito, o que seria “conduta duvidosa”? Não assistir igual a pateta a GLOBO o dia inteiro? Não ficar de joelhos à hora do JORNAL NACIONAL e agradecer as revelações do enviado divino William Boneer? Sair de casa gritando que “Bonner é o nosso Deus e Arruda/Serra nosso profeta?

Adorar durante uma hora por dia Miriam Leitão, Alexandre Garcia, Pedro Bial, Lúcia Hipólito, seria esse um procedimento de penitência para purgar pecados e condutas duvidosas?

Ler VEJA todas as semanas em posição de oração, a FOLHA DE SÃO PAULO todos os dias e uma vez por semana tomar a bênção de D. Pedro no ESTADO DE SÃO PAULO?

O governador Sérgio Cabral, para ser justo, precisa criar uma comissão que estude providências imediatas para isolar os condomínios de Barra e proteger a Rocinha, antes que a população fique em pânico com a violência salvadora desse bando de sacerdotes que leva a cachorrinha ao cabeleireiro de helicóptero, que joga água suja em quem tem “conduta duvidosa”, ou em quem é feio a critério da sóror Narcisa Tamborindeguy.

Muro é a solução que normalmente adotam. Aqui, na Palestina, na fronteira do México com os EUA para evitar que mexicanos entrem no império e contaminem os atiradores de elites que matam pelo menos uma vez por semana num rito da libertação e purificação

Ou quem sabe pedir ao “Congresso” de Miami, sede do governo da Barra da Tijuca, que decrete a intervenção e garanta a atitude com mariners?

Bases militares nos estacionamentos de shoppings para ajudar no combate às drogas?

É possível que alguma usina nuclear do Irã esteja escondida num desses condomínios e agentes do demônio iraniano possam estar construindo uma bomba destruidora de efeito mundial. Ou camponeses do MST em apartamentos grilados pela CUTRALE. Ou palestinos esperando a chegada de Osama bin Laden para planejar um novo ato de “terrrorismo”.

Aposto que se o delegado Pacífico for longe na história vai terminar no prédio sede dessas máfias todas, em São Paulo, o esquema FIESP/DASLU. É onde ocorre aquele negócio clássico do se gritar “pega ladrão” sai todo mundo correndo.

Só não pode abrir a porta dos fundos do gabinete de Gilmar Mendes. Vai morrer com a avalancha de habeas corpus a banqueiros, empresários e latifundiários e verbas que chegam por baixo dos panos naquela de fundar um instituto de direito. Eraldo Pereira o jornalista da GLOBO que Gilmar contratou deve ser o “contador.”

Mas e a Rocinha, como é que fica? Indefesa diante da Barra da Tijuca?

*Laerte Braga é jornalista. Nascido em Juiz de Fora, onde mora até hoje, trabalhou no “Estado de Minas” e no “Diário Mercantil”.

TRAGÉDIA DE ABRIL DE 2010, NO RIO DE JANEIRO

Sete perguntas sobre a chuva no Rio

1- Quando acabou a escravidão (no famoso 13 de maio) para onde foram mandados os escravos agora libertos?

2 - Quem inventou as favelas no Rio, no Brasil, na América Latina, no mundo?

3 – Se tivesse sido feita, desde há 120 anos atrás, a Reforma Agrária, quantos milhões de pessoas morariam no campo ao invés dos morros ou lixões do Rio?

4 – Por que ¼ da população do Rio “quer” morar em favelas?

5 – Quais alternativas foram apresentadas, nos últimos 50 anos para deixar a favela? Qual plano de construções populares, construídas a menos de um quilômetro da favela a ser removida? Qual o valor da mensalidade a ser paga até resgatar o total do valor da casa em 30 anos? Qual a relação deste valor com o salário do morador removido?

6 – Por que as pessoas “escolhem” morar em barracos em cima de barrancos ou na beira de córregos poluídos e em situação de risco?

7 – Por que as pessoas das favelas teimam em não querer mudar de lugar de moradia?


Estas perguntas foram tiradas do sítio www.piratininga.org.br , um núcleo de comunicação de mídia independente. Sugerimos que ao lerem as perguntas, reflitam sobre elas e busquem por seus próprios meios as alternativas de respostas. Boa reflexão.

sábado, 10 de abril de 2010

Menos um fascista na África do Sul. E no Rio de Janeiro?



Esta imagem acima é do funeral de Eugene Terreblanche, líder rascista morto há dois dias, membro do partido AWB, pró apartheid da África do Sul. Reparem nos símbolos das bandeiras e das mãos estendidas à direita, que lembram tempos sombrios vividos neste mundo há pouco.

Quando eu olho para a África do Sul e volto meus olhos para o Rio de Janeiro e vejo muros sendo levantados para esconder a favela, quando vejo a tentativa massiva de criminalizar a pobreza, quando ouço discursos fascistas de que a culpa da tragédia recente que se abateu no Estado é do favelado que ocupou as encostas de maneira irregular... temo. A onda fascista pode atravessar o atlântico como em outros tempos nada remotos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Juízo Final ou a Seleção Natural, alguém terá que dar conta disto!

http://mais.uol.com.br/view/gce2c85st888/em-caruaru-susana-vieira-diz-em-que-esta-na-selva-04029A3968C8C98326?types=A

Com absoluta exclusividade o blog Vozes da América conseguiu captar um áudio de uma das mais difíceis abstrações, que embora seja raro sua gravação, é cada vez mais corrente em nossa sociedade "sapiens sapiens"... a imbecilidade humana. Todos os pesquisadores sabem de sua existência, todos nós conhecemos de perto um imbecil, mas poucos conseguimos um áudio tão explícito e perfeito. Aos que forem abrir, sugerimos que retirem de perto do computador as crianças, os idosos, os cardiácos e os epiléticos, pois o texto-flagrante é muito forte.

Obs.: Esta gravação foi feita em Pernambuco. Para apresentar a "Paixão de Cristo", Susana Vieira diz que se sente na selva em Caruaru, após se machucar com um tronco de uma árvore "que está seca há mais de cinco mil anos".

Em tempo: Se Jesus Cristo existiu e, consequentemente ele for filho de Deus, suponho que nem sua mais decantada compaixão perdoará tamanha aberração de uma das espécies que o Criador mais se gabaria de ter criado.

Em tempo 2: Onde está Darwin para explicar cientificamente a razão de a evolução das espécies não ter feito um filtro natural nesta senhora que envergonha a raça humana. E a seleção natural Darwin?

Em tempo 3: Se esta senhora-aberração for cristã, me parece que não entendeu nada sobre o que foi representar em Caruaru sobre a "paixão de Cristo".

Em tempo 4: Por que este graveto que a senhora-aberração cita errou o buraco?

Em tempo 5: A senhora-aberração fala em inteligência. Será que ela sabe o que está falando?

A ignorância deve ser combatida e o preconceito também


Vozes da América presta serviço a "grande imprensa" fascista.
Os sítios acima mostram mapas do município do Rio de Janeiro e visa ensinar para a mídia aquilo que ela insiste em não aprender.
Na visão dela, a catástrofe que a cidade vive e que até agora já apresenta 100 mortos se deu: 1."ZONA SUL" - insistentemente aparecem imagens da Lagoa, do Canal de Alah, do Túnel Rebouças, da orla de Ipanema e do Leblon;
2. "ZONA NORTE" - Tijuca e Grajaú? No máximo o Maracanã;
3. "ZONA OESTE" - Barra da Tijuca e Recreio???
4. "ACESSOS" - Av. Brasil, Linha Amarela e Linha Vermelha.
Esta é a cidade do Rio de Janeiro para a imprensa e nem isso para o Manoel Carlos! Algumas dúvidas me saltam: Será que a zona norte de fato e a zona oeste de fato foram submersas pelas chuvas e hoje habitam o mesmo ponto perdido no Oceano que a lendária Atlântida, por isso não são noticiadas? Será que os helicópteros não chegam a lugares como Oswaldo Cruz, Madureira, Marechal Hermes, Campo Grande, Santa Cruz...? Ou lá não choveu? Ou lá pouco importa?
De qualquer forma nossa contribuição é indicar os mapas acima e apontar o geografia da cidade para os ignorantes e para os preconceituosos.
http://www.cederj.edu.br/atlas/rio_janeiro_tab7.htm Este sítio mostra pessoas não alfabetizadas entre 35 e 39 anos pela cidade e talvez explique as razões de ocultação geográfica da mídia.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Memórias de uma pedra

Eu não sei bem quando nasci, mas parece que na última sexta-feira, 02 de Abril , alguns cientistas reproduziram meu nascimento em laboratório, naquilo que ficou conhecido como “big bang”, fato que no mínimo questiona a ideia dos humanos de existir um Ser supremo criador de tudo, inclusive de mim.
Ao longo da história fui arma e fui devoção. Servi a vários povos como instrumento de exércitos, arremessada por braços fortes ou por tecnologias como atiradeiras ou catapultas. Fui ligação entre os homens e seus deuses e depositada em oráculos como se divindade eu fosse.
Fui brincadeira de criança, de jogo de amarelinha a resta um e ai ganhei o bucolismo que sinto saudades enquanto os desgastes de meus grossos cascos se acumulam nos cantos por onde passo.
No Brasil, aceitei o papel de coadjuvante para as frágeis garrafas de vidro, quando o povo foi às ruas protestar contra o Imperador D. Pedro I na “noite das garrafadas”. Mas fui preponderante nas manifestações estudantis das décadas de 60, 70 e 80 no mundo todo e me realizava quando me arremessavam nas portas do Mac Donald’s ou na embaixada dos EUA e, no estilhaçar dos vidros no chão, delirava ao ouvir os gritos racionalmente ensandecidos da juventude que acreditava transformar o mundo. Fui várias vezes arremessada nos carros de reportagem da Globo, n0 final da década de 80 aos gritos de “o povo não é bobo, abaixo a rede globo”.
Fui protagonista de poeta que me viu no meio de caminho e teve a honradez de não me chutar. Fui tema de movimento musical de uma juventude que não via razão de deixar pedra sobre pedra em era de guerra fria.
Mas desde os primórdios, quando a fricção entre duas de mim atiçavam o fogo, até hoje, de tudo que vivi e representei, o que mais me dói é ser símbolo de um povo que ninguém escuta. É ser a “bandeira” de uma nação sem pátria, é viver vendo outras de mim desabar no formato de casas que já não mais protegem, são escombros. È estar nas mãos de uma criança que me segura com um ódio ancestral e não a um lápis para escrever a história de um povo que de tanto amar, se reconhece, se admira, se cultua... Palestino.

sábado, 3 de abril de 2010

Ou o mundo ou eu... Não sei quem enlouqueceu primeiro.


Este rapaz ao lado é um morador de rua no Rio Grande do Sul e foi pichado na madrugada de sexta-feira, 02 de Abril, também conhecida pelo cristianismo como "sexta-feira santa". Este homem não tem nome, não tem rosto, não tem importância. Serve inclusive de privada para quem quiser urinar nele depois de devidamente pichado é claro.
Mais um "pequeno incidente", que se juntará ao assassinato do Índio Galdino por jovens de classe média de Brasília ("foi por brincadeira, pensamos que era mendigo", disseram os bandidos de costas largas da capital federal) e a surra na empregada domésticas por jovens de classe média na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro ("foi brincadeira, pensamos que era uma prostituta", disseram os fascistas da antiga capital).
Que mundo é este que vivemos? Como será para os que virão depois de nós? O que leva jovens financeiramente bem nascidos a alimentarem um ódio social-racial-étnico?
Eu tenho minhas respostas e você? Escreva. Mova-se. Indigne-se. Caso contrário a loucura global acaba te enlouquecendo também e te infectando com a mais letal de todas as doenças, a indiferença.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Brincadeira ou agressão?

O Vozes da América reproduz abaixo uma nota do SEPE, Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino que nos trás algumas reflexões: imprensa livre é independência de grupos financeiros; a criminalização do professor sem direito a defesa; o papel sensacionalista da imprensa mercantil... mas sobretudo, dá uma outra visão de um episódio que foi vendido como "agressão", será?


Nota da Regional VII sobre o episódio da Escola Municipal Cuba

Nos últimos dias, a mídia tem dado grande destaque a um episódio ocorrido entre um professor da Escola Municipal Cuba e uma aluna. O que mais nos chamou a atenção foi o caráter sensacionalista da matéria: um professor teria agredido uma aluna na sala de aula com um apagador. A imprensa, a nosso ver, segundo as próprias chamadas nos jornais e televisão, já teria antecipadamente julgado e condenado o professor como se criminoso fosse, um grande facínora. E aí nós perguntamos: qual deve ser o papel da imprensa? Para construirmos um país verdadeiramente democrático precisamos de uma imprensa que seja de fato livre. Livre para bem informar, ter um caráter investigativo, ser isenta, ter compromisso na criação de uma sociedade mais justa e denunciar as mazelas que existem num país como o Brasil. Infelizmente não é o que vemos ultimamente a grande imprensa, dita livre e “imparcial”, fazer. O que temos notícia é de uma imprensa que desinforma, mistifica, prejulga, aliena e que não tem interesse em de fato informar, mas vender jornal, atender aos interesses meramente mercantis. Produzir matérias que possam vender mais e mais jornais. Sem a preocupação em apurar os fatos, mas imputar crimes a pessoas e instituições.

Isto fica muito claro no episódio acima citado envolvendo o profissional de educação da Escola Municipal Cuba. E isto faz parte de todo um processo – que já vem de algum tempo – de criminalização do profissional de educação, em especial do professor, de culpabilização do mesmo por todos os problemas que existem na tão combalida educação em nosso país. A grande imprensa serve aos interesses dos poderosos e dos governos e de todos que tencionam acabar com a educação pública e tornar este direito sagrado para todo o cidadão brasileiro numa mera mercadoria que possa dar lucros. Não vemos da mesma imprensa a preocupação em retratar e denunciar as omissões e descasos das autoridades em relação à educação pública, do seu abandono, das condições de trabalho dos profissionais de educação, que estão entregues ao “deus-dará”, em sala hiperlotadas, sem um mínimo de infraestrutura para desenvolver um bom trabalho pedagógico, com salários aviltantes que levam o professor a uma pesada carga de trabalho semanal, e que leva a um esgotamento físico e psíquico, quando não à doença e à morte prematura. É mais fácil a essa imprensa e àqueles a quem ela serve responsabilizar o professor por carências que na verdade são estruturais e que passam longe de ser culpa do professor. A imprensa é formadora de opinião, e, neste sentido, o que vemos é um total descompromisso com a sociedade civil, de cobrar dos nossos governantes o cumprimento do dever do Estado para com a educação pública, de qualidade, laica e de caráter universal. Há que se ter mais responsabilidade na apresentação de fatos que podem afetar a imagem pública de pessoas e de instituições, como, por exemplo, acontece quando temos a cobertura de movimentos de greve dos profissionais de educação e de outras categorias profissionais que são apresentados como os culpados pelo estado de caos que tomou conta do serviço público. Serviço público, que atende principalmente às camadas mais humildes da população, que precisam mais dele, e que é cada vez mais sucateado pelas autoridades que vêm se sucedendo nos últimos anos. O que nós, profissionais de educação, exigimos e merecemos da sociedade e da imprensa que dela faz parte, é maior respeito pela figura do professor, pois sem ele não se poderá construir de fato soberana, independente, desenvolvida e verdadeiramente feliz para todos que dela fazem parte.

Estrada do Galeão, 2715, sala, 205, Ilha do Governador
endereço eletrônico: seperegional7@ibest.com.br

sábado, 20 de março de 2010

ATENÇÃO: MALUF PODE ENFIM SER PRESO EM 181 PAÍSES (menos no Brasil)

Maluf é incluído em lista da Interpol por desvio de dinheiro da prefeitura de SP




Agência Brasil
Publicação: 19/03/2010 20:17 Atualização: 19/03/2010 20:36
São Paulo – Acompanhado por duas fotos e com um alerta de “procurado”, o nome do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) aparece desde o ano passado em uma das páginas da Interpol, a polícia internacional. Maluf aparece no site da Interpol integrando a chamada “difusão vermelha”, que seria uma espécie de alerta máximo e que significa que o deputado não poderá se deslocar para um dos 181 países integrantes da Interpol sob risco de ser preso.

A ação que desencadeou a inclusão do nome de Maluf na Interpol é da promotoria criminal de Nova York (nos Estados Unidos) que acusa o deputado de ter participado de uma conspiração para roubar dinheiro da prefeitura de São Paulo, crime que teria tido início em janeiro de 1993 quando Maluf foi eleito prefeito. Em Nova York, Maluf é acusado de conspiração em quarto grau, ocultação de valores desviados e de roubo de dinheiro do município.“Os conspiradores engendraram um esquema de superfaturamento e de propina envolvendo a construção municipal de uma avenida arterial em São Paulo conhecida como projeto da Avenida Água Espraiada” (atualmente chamada de Jornalista Roberto Marinho), diz documento assinado pelo promotor norte-americano Robert Morgenthau. O esquema teria funcionado com participação de empresas brasileiras de construção, com utilização de faturas superfaturadas.Segundo Morgenthau, Maluf teria transferido os “recursos roubados” da prefeitura da capital paulista para uma conta em Nova York, que recebeu o nome de Chanani. De lá, o dinheiro teria seguido para uma conta bancária nas ilhas de Jersey. O promotor norte-americano também acredita que o dinheiro aplicado na conta bancária de Nova York tenha retornado ao Brasil para comprar artigos pessoais e pagar despesas relativas a campanhas políticas brasileiras, entre elas, a do ex-prefeito Celso Pitta, que administrou a cidade entre 1997 e 2000.“Ele não é preso no Brasil porque deveria haver um pedido de extradição da Justiça de Nova York para o Brasil. Mas ele não pode ser extraditado porque a Constituição brasileira proíbe a extradição de brasileiro nato”, explicou o promotor do Ministério Público de São Paulo Silvio Marques. O promotor acredita que Maluf tenha desviado US$ 166 milhões dos cofres da prefeitura para a sua empresa, a Eucatex.Segundo o sítio da Interpol, pesam contra Maluf acusações de fraude e roubo. Além do deputado, também é “procurado” pela Interpol o seu filho Flávio Maluf.Os advogados de defesa do deputado suspeitam de que a denúncia possa conter alguma influência política, já que Maluf aparecia no sítio da Interpol há pelo menos seis meses e o fato só foi divulgado agora, próximo das eleições. O promotor negou influência política. “Não se trata de perseguição política e sim de um processo criminal em razão dele ter cometido crimes nos Estados Unidos. Até porque não haveria motivo nenhum para a promotoria de Nova York estar perseguindo o ex-prefeito que lá não tem nenhuma influência política”, disse Marques.O promotor também negou que a ação tenha sido uma forma de represália contra Maluf, que é autor de uma lei apelidada de “mordaça”, que está tramitando no Congresso e que defende multa ao promotor que esteja agindo politicamente num processo. O projeto deve ser votado na semana que vem.O advogado Mauricio Silva Leite, um dos cinco defensores do deputado no caso, diz que uma ação já foi impetrada no início de fevereiro tentando anular a ação. “Considero esse ato uma violência, uma afronta à soberania do Brasil e uma afronta também ao Congresso Nacional. Seria mais ou menos um promotor estadual de Santa Catarina ou do Acre mandar uma ordem para a polícia internacional para criar uma restrição para um congressista americano. Para mim isso é uma ilegalidade”, afirmou.Além desse processo que corre na justiça de Nova York, Maluf também está sendo investigado em dois processos que correm atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Silvio Marques, nos processos que correm no Brasil o deputado é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro.
A matéria acima fora extraída do Jornal Correio Braziliense de 19 de Março de 2010. Abaixo um pequeno comentário do "Vozes da América".

Obs.: Até a imprensa burguesa, que financiou Maluf várias vezes, teve que se render ante ao óbvio. A questão é que este bandido é tratado como "Vossa Excelência", "o Deputado Federal"," o ex-prefeito de São Paulo", "o empresário dono da Eucatex"... E isto por que roubou milhões de dólares de DINHEIRO PÚBLICO, que ajudaram a matar muitas pessoas vítimas da falta de verbas em hospitais públicos, que contribuíram para a falta de merenda e de professores nas escolas públicas. Este bandido, não é tratado assim pela imprensa que o fez. Enquanto isto, no país da aberração, uma senhora presa por roubar margarina e um supermercado, continua detida após um ano de cárcere e é tratada, assim como as milhares de CRIANÇAS abandonadas, como "trombadinha", "bandido", "marginal"...

Aonde está a malufista assumida Hebe Camargo ??? Que cansou de usar seu "programa" (com o perdão da expressão) para "exigir das autoridades a diminuição da maioridade penal" sempre que um adolescente pobre ou criança miserável cometia algum tipo de crime, bárbaro ou não? Aonde está o Cansei, grupo fascista de São Paulo, que conta com a citada apresentadora, com a Ivete Sangalo (apologista da pedofilia), com a Regina Duarte e outros e outras escórias da sociedade. E por falar em pedofilia onde anda a Igreja Católica que apoiou Maluf em vindouros tempos em São Paulo? Apareçam, mostrem suas caras sem a máscara que os caracterizou em épocas de vacas gordas.

Mídias alternativas

A busca por informação é uma necessidade básica do nosso tempo. O problema é que o monopólio dos meios de comunicação pertence a dois, três impérios no Brasil e no mundo, fato que nos deixa soterrados de UM só tipo noticiário, os mesmos que criminalizam o pobre e a pobreza, se negam a discutir seriamente o aborto e a pena de morte, pois sabem que as soluções fáceis viram bandeiras fáceis para justificar o fascismo social crescente, que vê alma em feto mas não vê alma em marginal, que prega o extermínio da favela por considerá-la um nicho da marginália e isolam a favela com muros de "contenção sonora". Para driblar esta unilateralidade da informação que na melhor das hipóteses nos emburrece, o sítio http://www.vozesdaamerica.blogspot.com/ vem sugerir alguns endereços de mídias alternativas que, vale lembrar, não dizem "a verdade", mas sim outras versões diferentes das versões banalizadas pelo monopólio de mídia.
0. www.carosamigos.com.br - Revista mensal com uma visão assumidamente de esquerda.
1. http://diplo.org.br/ - Sítio do Le monde diplomatique no Brasil
2. http://www.granma.cu/ - sítio do Jornal cubano Granma
3. http://www.transparencia.org.br/index.html - Sítio sem conotação de esquerda, mas que se pretende ser um fiscalizador do dinheiro público, apresentando todas as contas dos deputados e senadores, prefeitos e governadores.
4. http://www.cartamaior.com.br/ Sítio da revista semanal Carta Capital, que tende a mostrar os dois lados da história, pois tem articulistas à esquerda e à direita.
5. http://www.anovademocracia.com.br/ Sítio de esquerda, mas não ligada a nenhum partido político.
6. http://www.pstu.org.br/ Sítio ligado ao partido Marxista Trotskysta PSTU
7. http://www.pcb.org.br/ Sítio do Partido Comunista Brasileiro
8. http://www.adital.com.br/ Sítio de informações sobre a América Latina
9. http://www.ezln.org.mx/ Sítio do Movimento Zapatista do México
10. http://www.josemartirj.webnode.com/ Sítio da Associação Cultural José Martí, casa de amizade Brasil-Cuba.
11. http://www.cecac.org.br/
12. http://www.pcv-venezuela.org/ Sítio do Partido Comunista da Venezuela
13. http://www.neruda.uchile.cl/ Sítio da Universidade de Chile sobre Pablo Neruda, pois sem poesia não haveria vida.
14. http://www.releituras.com/ Sítio para quem gosta de cultura
15. http://www.fundacionneruda.org/ Sítio da Fundação Pablo Neruda.
16. http://www.wallacecamargo.blogspot.com/ EXCELENTE!!!
16. Outras possibilidades interessantes:
a) Blog do Emir Sader
b) Blog do Juca Kfouri
c) Agora é a sua vez! Vá além do MSN e do Orkut, busque. Leia. "Navegar é preciso, viver não é preciso"

Boas leituras!

Greve, uma necessidade dos trabalhadores, um instrumento contra as elites!

O que move a sociedade, em qualquer tempo histórico, é sua capacidade de se indignar frente as injustiças. Mas, cabe dizer sobretudo aos mais jovens, que a mera discordância solitária, não passará nunca de uma crise individual e, portanto, não irá contribuir efetivamente para a mudança daquilo que se acha injusto.
Digo isto por trabalhar com jovens de várias tonalidades da classe média, alta, baixa, baixíssima e "todos" compram a ideia maldosa e geral dos veículos perversos de comunicação de massa de que greve é um atraso, "prejudica o desenvolvimento", "retarda o MEU curso e portanto a MINHA formação acadêmica", "prejudica o doente nos hospitais", "atrapalha os serviços prestados", e por aí vão as doses cavalares de ideologia que a burguesia usa para convencer a sociedade que a greve é um problema.
Ora, me parece fácil entender as razões da burguesia se dividirmos suas preocupações em duas: A primeira vou chamar de "imediata". Como são donos dos meios de produção, verem emperradas suas máquinas significa ausência de lucro, pronto! Mexeu com a parte mais sensível do empresário, quase sempre um ser insensível. Por que deveria me preocupar com o trabalhador, sua mulher e seus filhos, suas necessidades básicas, sua fome, se devo me preocupar com minhas lanchas, meus carros, minha casas e minha conta bancária alta?
A segunda preocupação da burguesia chamarei aqui de "manutenção do status quo". Essa é muito mais grave do que a primeira, pois mexe com a condição de estado, com a permanência do sistema opressivo que ela montou e que as greves, se constantes e articuladas podem vir a desmontar. As elites sabem que seu sistema funciona de cima para baixo e que, a parte governante é ínfima se comparada ao restante da sociedade. Por isto seus aparelhos ideológicos (TV, jornais, internet, rádios...) estão sempre a serviço da manuteção da ordem (status quo) e a ideia de menosprezar, ridicularizar, criminalizar as greves e outras manifestações populares faz parte da grade diária das mais diversas mídias.
Portanto, caros amigos, pensem duas vezes ao repreender uma greve como por exemplo nas Universidades públicas, geralmente sob o argumento de que "vai atrasar meu curso
", uma vez que se não fossem elas, as Universidades Públicas já teriam fechado e/ou sido privatizadas há muito tempo como estava previsto na arquitetura do "Plano MEC-USAID" nos ventre da ditadura militar brasileira, que redirecionou verbas públicas para o ensino privado, minimizou a escala risível o investimento na área de humanas, privilegiou o ensino técnico no estilo fordista em detrimento do ensino universitário, retirou das grades das faculdades de medicina, enfermagem... a disciplina sociologia, diminuiu os tempos de história e geografia do ensino médio e criou a maldade da tal "educação moral e cívica" para exaltar o sistema autoritário do pós 64. E isto, vale lembrar, com total apoio material e imaterial dos EUA, afinal o plano leva a assinatura de Tio Sam "Usaid". Mas por favor não pensem que esta política ficou nos idos dos anos 60 e 70, pois desde a Era Collor, com a benção dos EUA agora travestidos de Consenso de Washington, o neoliberalismo brasileiro voltou suas cargas e seus ódios contra os nossos mais caros bens públicos e de novo a condenação da universidade, da saúde, se ancorou nas Puc's, estácios, FGV's, ESPM's ou nas Unimed's, Golden Cross, Bradesco... O mestre do neoliberalismo brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, que vendeu quase todas as nossas riquezas, foi o sucessor do mal sucedido Collor e há 8 anos Luis Ignácio de maneira mais sútil e dissimulada que FHC, vem dando sequência a política neoliberal, como por exemplo as vagas nas universidades privadas bancadas pelo governo chamadas de Prouni, ao invés de abrir novas vagas nas Uniersidades Públicas.
O que temos que ponderar é que país queremos, para quem queremos e para que queremos. E se vocês forem na montagem da estrutura colonial brasileira, verão que pouca coisa basilar mudou: continuamos latifundiários, dependentes do capital externo, governados por uma minoria com o rabo preso no eixo Europa e EUA, e de certa maneira, escravistas. Penso que o que nos falta é "raiva"! Penso que o que nos falta é canalizar esta raiva, esta indignação e voltarmos para as ruas, exigindo nossos direitos fundamentais e derrubando as estruturas carcomidas do velho colonialismo que insiste em se reeditar a cada governo com a capa das velhas novidades.

Greve de Professores em São Paulo

Este blog, humildemente pois sabe de sua força e abrangência, apóia os bravos professores paulistas que estão em greve há 12 dias. As reivindicações são tão velhas quanto o descaso do poder público paulista com a educação: salário, condições de trabalho, jornada de trabalho, aprovação automática para fazer crescer os números do Estado a maquiar que as coisas vão bem... A novidade, e infelizmente em nosso tempo isto é raro, é que as ruas voltaram a ser palco de grandes manifestações contra o Governador José Serra, isto mesmo, aquele que pretende ser Presidente da República a partir de 2011. As imagens dos grevistas nas ruas me tomaram e, agoram, me ajudam a teclar estas linha em total solidariedade a greve dos professores. Abaixo reproduzo uma carta retirada do sítio do sindicato dos professores de São Paulo sobre a greve, http://apeoespsub.org.br/, boa leitura.


CARTA ABERTA AO SR. GOVERNADOR JOSÉ SERRA,
PREZADO SR.,
Começo a me questionar, enquanto Educadora da Rede Pública do Estado de São Paulo, há dezessete anos, como conseguimos chegar a tamanho descaso e desconsideração com a Educação num momento tão decisivo para a história do país de crescimento acelerado quer econômica ou culturalmente falando.
Não consigo entender tamanha raiva e falta de diálogo que caracterizam o governo do Estado de São Paulo quanto à figura do professor.
Sinto um enorme pesar no tratamento a nós dispensado e não vejo motivo para tal.
Pergunto-me constantemente o que teria acontecido ao nosso governador atual, para deter sentimentos tão mesquinhos para com a nossa categoria.
Qual não foi meu espanto ao ser informada de que a mãe de nosso governador também exercera a nossa profissão, mas acredito que em momentos melhores do que estes por nós vivenciados.
Será que terá sido o fato de a mãe do candidato ter sido professora e seu tratamento com o filho ter sido tão traumático assim, a ponto desse trauma ser transferido a categoria inteira? Mesmo que fosse verdade, não haveria justificativa para generalizar toda uma categoria, na pior das hipóteses. Terá sido uma professora tradicional e autoritária do tipo “era da palmatória”?
Não sei o que causa tanto rancor para conosco, poderíamos justificar esse desdém psicologicamente falando como traumas da infância ou adolescência, ou ainda, o que seria mais verossímil, uma simples apatia ao grupo de servidores públicos em geral.
Por favor, entenda como um desabafo de alguém que não só fala em nome da categoria, mas que pretende que estas mal traçadas linhas possam levar à reflexão do nosso lado, dos conflitos que afligem a categoria e dos esforços que fazemos para superá-los, a fim de cumprir nossa missão.
Ao governador quero reiterar que os tempos passaram. Nós, da Educação acompanhamos essa mudança, nos atualizamos, já não há mais “palmatória”, hoje o cerne de nossa profissão está centrado no aluno e na qualidade de sua aprendizagem. A formação plena do educando enquanto cidadão consciente e participativo na sociedade a qual pertence.
Pode parecer que não, mas a nossa categoria entendeu a mudança e não se negou a aceitá-la, inclusive as Propostas Curriculares implantadas pelo governo, apesar de o Currículo Unificado ser tão criticado por parte dos grandes estudiosos educacionais da atualidade.
Contudo, não resistimos à mudança, oferecemos sim uma oportunidade a ela de melhoria à Educação, conforme preza toda a nova proposta curricular, mesmo que a mesma não seja tão boa quanto pretende-se que seja.Não teríamos direito à consideração e valorização como um todo?
Por que, para tal, precisamos fazer uma “provinha” para ter direito a algo que já é nosso por direito, pois todas as categorias têm direito aos reajustes de perdas salariais. Não é uma recusa nossa o fazer a prova, mas sim a maneira como essa prova é imposta a nós como recompensa pelo que já é nosso.
Em que momento nossos governantes são avaliados para confirmar sua competência em nos liderar?Vivemos períodos incertos, inseguros e de constante mudança, mas, com certeza, governador, seu grande inimigo não é o professor, assim como também não somos seus grandes fãs, pois precisamos de governantes abertos, flexíveis e que saibam ouvir a população e dialogar com ela, não um candidato tão fechado, sem diálogo algum e sem respeito ao funcionalismo público.
Reforço aqui que a grande diferença entre o reino animal racional e o irracional é justamente a habilidade de dialogar. Assim sendo, deixo aqui meu apelo ao governador que tente dialogar com a massa, conversar conosco, apresentar-se a nós, pois somos parte da população que, com certeza está avaliando o governo para além das “grandiosas obras públicas” que marcam seu mandato e são veemente veiculadas na mídia para sensibilização do povo.
Não se esqueça, no entanto, que somos seres humanos complexos em nossa formação pessoal, cultural e profissional e não serão “obras arquitetônicas” que garantirão novas eleições, pelo contrário, não se esqueça o lado humano, o afetivo e o respeito ao próximo. Não gostamos de ser humilhados e distanciados de nossa participação ativa na sociedade.
Lembre-se de que a consciência política da população aumentou consideravelmente a ponto de já ser possível diferenciar campanha política de realidade social.
Aliás, não é pela força, mas pelo diálogo, pelas constantes negociações e a escuta do outro que nos leva a compreender os problemas sociais e buscar respostas a eles.
Isso sim, pode levar a mudanças profundas e efetivas, capazes de transcender as portas das escolas e garantir a formação integral do Educando.
Educando responsável pelo futuro do estado e da nação.
Educandos a nós, professores, confiados pela sociedade.
Só queremos a preservação de nossos direitos, enquanto categoria, de exercer plenamente nossa função, no direcionamento desses pequenos aprendizes para o enfrentamento da vida e vida com qualidade.
Sr. Governador, não nos impeça de cumprir nossa missão. Se possível ajudar, ajude-nos, mas não nos “sucateie” com tantos massacres e descasos.
Não merecemos isso. Já sofremos o bastante e vivemos quase à margem de uma sociedade do consumo, pois nossos salários não são suficientes para usufruirmos dos bens que estão tão em voga.
Quando pedimos reajuste salarial o fazemos porque realmente estamos com salários defasados.
Por favor, reconsidere, reavalie nossos salários e veja, no fundo de sua alma, se você conseguiria sobreviver com apenas R$ 1.400,00 por mês.
Essa é a média dos salários pagos ao professor hoje por uma média de 40 h/a.
Não estou encontrando culpados, mas apenas tentando compreender o que tem acontecido conosco e como nos deixamos afundar tanto.
Por favor, reconsidere nosso caso, reveja com carinho, pois acredito que em meio a esse coração de pedra, deva haver, um último resquício de sangue humano, correndo nas veias e capaz de compreender as dificuldades pelas quais passam seus semelhantes.
É tudo o que peço. O governo tem como ajudar sim. A Prefeitura de São Paulo, uma máquina infinitamente menor do que a estadual, tem condições de oferecer aos seus professores condições melhores, por que então, apenas o Estado não conseguiria?
Pense nisso,
A categoria agradece...Os pais agradecem...E os alunos, ainda mais....
Elisama
subsede Osasco

terça-feira, 16 de março de 2010

Alguns dados da situação econômico-social das mulheres

  1. Em 2009 a Organização Internacional do Trabalho — OIT previu um aumento do desemprego mundial de até 51 milhões de pessoas sendo, destes, 22 milhões de mulheres;
  2. O relatório da OIT sobre "A evolução do trabalho decente no Brasil entre 1992 e 2007" aponta que a jornada semanal média das mulheres, incluindo o trabalho doméstico, soma 57,1 horas e ultrapassa em quase cinco horas a masculina (52,3 horas);
  3. Em 2007, enquanto que a taxa de desemprego masculina era de 6,1% a feminina estava situada em 11%;
  4. Dados da Unesco de 2009 apontam que 776 milhões de adultos em todo o mundo não sabem ler nem escrever, o que significa 16% da população mundial. Dois terços desses analfabetos são mulheres;
  5. Dados da Fundação Seade/Dieese de 2009 apontam que as mulheres paulistas são maioria entre os desempregados naquele estado e, quando empregadas, têm salário menor. De acordo com o estudo da Fundação, o rendimento médio real por hora das mulheres empregadas teve uma pequena queda em relação ao ano anterior (-0,9%) e passou a corresponder a R$ 5,76. O valor equivale a 76,4% do que é ganho pelos homens (R$ 7,53);
  6. Nos últimos 15 anos, o número de famílias chefiadas por mulheres aumentou mais de 10 vezes no Brasil e saltou de 301 mil, em 1993, para 3,6 milhões, em 2007. Os dados divulgados em 2009 fazem parte do estudo "Retrato das desigualdades de gênero e raça", realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem);
  7. Relatório da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, na sigla em inglês), divulgado em 2007 estimava que 19 milhões de abortos clandestinos seriam realizados no mundo naquele ano, provocando a morte de 70 mil mulheres, além de deixar sequelas em milhares de outras. O estudo estimava que mais de 96% das gestantes que perdem a vida ou sofrem danos à saúde por causa de abortos inseguros vivem nos países mais pobres do planeta, a maioria na África;
  8. No Brasil, os abortos ilegais são responsáveis pela morte de 180 a 360 mulheres por ano;
    Os abortos clandestinos são a quarta causa de morte materna no Brasil. Em 2006, 230.523 mulheres fizeram curetagens pós-aborto em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento é indicado tanto para mulheres que sofreram aborto espontâneo quanto para quem sofreu complicações decorrentes da interrupção induzida da gravidez;
  9. Infecções, hemorragias vaginais e outras complicações decorrentes de abortos ilegais foram responsáveis por cerca de 1,2 milhão de internações de mulheres em todo o país entre 2002 e 2007.

O 8 de março e a fúria secular da mulher trabalhadora

Primeiro encontro de Engels com Clara Zetkin no Congresso Internacional Socialista em Zurique, em 1893

"As mulheres levam sobre seus ombros a metade do céu e devem conquistá-lo"
Mao Tsetung

Primeiro encontro de Engels com Clara Zetkin no Congresso Internacional Socialista em Zurique, em 1893
Há cem anos, Clara Zetkin, destacada dirigente do Partido Social Democrata (Comunista) Alemão e da Internacional Comunista, propôs à II Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca, que se definisse um dia de luta das mulheres para todo o movimento comunista internacional.
Era então agosto de 1910 e no mundo inteiro as mulheres militantes revolucionárias participavam da árdua tarefa delegada pela Segunda Internacional, quando esta ainda era composta pelos principais partidos e personalidades revolucionárias da época: a criação de autênticos partidos comunistas para dirigir a luta revolucionária em seus países. Já naquele período as potências imperialistas começavam a tocar os clarins para a primeira guerra imperialista de proporção mundial.
A proposta de Clara Zetkin, aprovada por aclamação na conferência de mulheres, foi preparada com afinco em vários países. Em 19 de Março de 1911, a primeira celebração do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora mobilizou mais de um milhão de mulheres que tomaram as ruas das cidades da Alemanha, Suíça, Áustria e Dinamarca. Em Berlim ocorreram 42 reuniões naquele dia, o mesmo se deu em toda a Alemanha. No encerramento dessas reuniões, as mulheres desfilavam pelas ruas empunhando cartazes. Na Áustria, mais de 30 mil mulheres manifestaram-se nas ruas de Viena*.
Em 1912, milhares de mulheres reuniram-se em Essen, Leipzig e Erfurt. Grandes passeatas tomaram as ruas de Dusseldorf e Berlim, desdobrando-se em enfrentamentos com a polícia, resultando em inúmeras prisões das militantes mais combativas. Em 1912 e 1913 ocorreram reuniões de manifestações na Suécia. Também no ano de 1913, apesar da repressão tsarista, as revolucionárias russas celebram o dia em reuniões clandestinas em Moscou, Kiev, São Petersburgo, entre outras cidades. Em 1914, em Paris, mais de 20 mil mulheres promoveram a primeira celebração do dia internacional de luta das mulheres na França.
No dia 23 de fevereiro de 1917 do calendário gregoriano (8 de março no calendário ocidental), as mulheres russas manifestaram-se em São Petersburgo exigindo pão, o regresso dos maridos enviados para a frente de batalha na I Guerra Mundial, a Paz e a República. A greve estendeu-se rapidamente a todo o proletariado. Em poucos dias a greve de massas transforma-se numa insurreição e ao fim de cinco dias cai o império russo. A partir desse dia, o 8 de março passou a ser considerado a data mundial para a celebração do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.
A historiografia oficial, nos anos de 1950, tentou suprimir estas referências históricas excessivamente vinculadas ao movimento comunista internacional, oferecendo a versão do incêndio da fábrica têxtil no USA ou da manifestação das operárias em Nova Iorque para desvincular a data e seu caráter de classe, bem como o papel da luta revolucionária na determinação deste dia.
Resgatamos aqui sua história escrita com o sangue de inúmeras lutadoras do povo ao longo de séculos de luta, homenageando as heroínas da luta pelo socialismo nesse centésimo 8 de março.

*Informações divulgadas em artigo publicado por Clara Zetkin no jornal Die Gleichheit (A Igualdade). Órgão de imprensa dirigido às mulheres, cujo primeiro número foi publicado em janeiro de 1892. Clara Zetkin foi sua redatora-chefe até 1917.

Estamos de volta neste ano imprescindível!

Raros leitores, raros amigos...

Depois de uma longa hibernação, provocada por razões materiais e imateriais, enfim voltamos! O Vozes da América não podia ficar de fora de um ano tão cheio de discussões vitais: a questão das cotas raciais que até a academia na figura pouco confiável de Ivone Maggy(UFRJ) e Helena Bomeny (UERJ) resolveu transpirar e assumir seus preconceitos que escondem uma Universidade plural e democrática; o circo da Copa do Mundo; A covardia dos países ricos e do Brasil com o Haiti, que teve no terremoto recente a mais branda de suas catástrofes; A milenar luta pela formação do estado Palestino; As nossas campanhas eternas pela discriminalização do aborto e pela criminalização da ignorância; a farsa das eleições "polarizadas" do final do ano entre a social democracia e a social democracia, ou seja, entre o PT e o PSDB, que hoje servem ao capital e aos interesses do neoliberalismo, ora "caridoso e cheio de concessões na base das esmolas" - o PT, ora "privatista e sem concessões as massas" pois o PSDB, diferente do PT, nunca teve relações próximas com a classe trabalhadora. Mas pouco importa, pois os avanços populares foram absolutamente engessados desde as greves que sustentavam o governo João Goulart e disto, estamos afastados 40 anos; Este ano também teremos eleições estaduais e legislativas e devemos colocar no ar o debate sobre o novo muro da vergonha do neo fascista Eduardo Paes e sua extensão estadual, o chorão Sérgio Cabral; A prisão de José Roberto ARRUDA, que agora nos aponta para uma grande esperança pois só falta 99,9% das elites serem presas, dentre eles mensaleiros, banqueiros, deputados, senadores...Enfim, 2010 será um ano repleto de dores, pois o final da história nós já sabemos, mas o mais incrível é nossa (vozes da América) vocação para o sofrimento, afinal somos latinoamericanos e nossa convivência com a dor nos remonta a chegada dos europeus em 1492.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Brasil e suas feridas abertas

Há quinhentos anos, o Brasil é controlado pela mesma esfera de poder. Rostos e nomes
mudaram e, no entanto, a ideologia é essencialmente a mesma. As poucas famílias que integram o topo da pirâmide são as donas do país, mas não são responsáveis pelo seu verdadeiro sustento.
Essa função sempre pertenceu e ainda pertence à base da pirâmide, composta pelos humildes e marginalizados da sociedade. Tem sido assim desde a chegada dos europeus ao continente, que
fundaram países às custas do sangue das populações nativas e de seu trabalho forçado.
As primeiras cobaias da sanha imperialista européia foram as tribos indígenas, praticamente dizimadas por doenças e mortes prematuras. Com isso, os novos donos da América descobriram
uma forma muito mais eficaz e lucrativa de ampliar suas riquezas: o tráfico de escravos. A utilização dessa mão-de-obra foi muito marcante sobretudo no Brasil e suas feridas ainda não cicatrizaram completamente.
Os negros sustentaram os principais ciclos econômicos do país, da cana-de-açúcar ao café e, em troca, recebiam uma parca alimentação e intermináveis açoites caso ousassem levantar a voz contra a visível injustiça, E, quando todo o processo de escravidão foi abolido, não puderam contar com nenhuma assistência, não sabiam para onde seguir. Em um país que começava sua industrialização, não passavam de mão-de-obra desqualificada. Desse modo, muitos acabaram colocando-se à disposição de seus antigos donos em troca de pequena remuneração.
Outros tantos engrossaram o contingente de desempregados das grandes cidades, onde eram vistos com desdém. A escravidão havia acabado e não o preconceito ou a marginalização. Mesmo no Brasil de hoje, essa ainda é a realidade de muitas pessoas. No país fundado sob o trabalho e sob o sangue dessa gente a cor segue como diferencial. Em um país que tem em sua cultura elementos riquíssimos da cultura negra e indígena, a população segue cultuando seus antigos heróis de brinquedo, enquanto os verdadeiros heróis não ganharam destaque e têm como monumento as pedras pisadas do cais.

Danielle Veras

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Deu na Caros Amigos de Janeiro de 2008 - Coluna "Enfermaria" de Mylton Severiano

1. As prioridades do orçamento mundial

Gastos em dólares

1º lugar - Armamentos, 80 bilhões;
2º lugar - Fumo, 40 bilhões;
3º lugar - Publicidade, 25 bilhões;
4º lugar - Cerveja, 16 bilhões;
5º lugar - Vinho, 8,6 bilhões;
6º lugar - Golfe, 4 bilhões...

Total necessário para satisfazer as necessidades elementares de saúde, educação e alimentação de todas as crianças do mundo - 3,4 bilhões!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Fonte: informe de 1995 do Unicef, órgão da ONU para a infância.



2. Energia solar para o seu lar

O sol batendo no solo da Brasil (maior nação tropical do planeta) equivale por dia à energia gerada por 300.000 usinas de Itaipu. Em termos energéticos, o babaçu do Maranhão vale uma Arábia Saudita (petróleo, esgotável em 30 anos). E o Brasil se mantém atrelado ao petróleo e às usinas hidrelétricas.

Fonte: J. W. Bautista Vidal, entrevista a Caros Amigos, dezembro de 1997.


3. Arroz com feijão

Ao contrário do que se pensa, adulto, e não criança, é o maior freguês do fast food (comida rápida). A proporção de frequentadores fica em 35% de maiores de 25 anos, para apenas 10% de menores de 10 anos. Neste tipo de alimentação faltam vitamina A, cálcio e ferro. Falta folha verde-escura e falta legume alaranjado (cenoura, abóbora).

Fonte: noticiário da TV Cultura de São Paulo, 30/10/97, 13h30; Globo Cîência nº 76, novembro de 1997.


4. Reforma agrária já! (um século atrás)

"Precisamos combater o regime capitalista na agricultura, dividir a propriedade agrícola, dar propriedade da terra ao que efetivamente cava a terra e planta e não ao doutor vagabundo e parasita, que vive na "casa grande" ou no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Já é tempo de fazermos isso e é isso que eu chamaria de problema vital."

Fonte: Lima Barreto (1881-1922), escritor brasileiro.



Nota do Vozes da América: A coluna "Enfermaria" estrou na revista Caros Amigos em 1997 com estas curtas informações e ainda outras. Porém, onze anos se passaram desde lá e nada parece ter mudado. Tem alguém muito louco nesta história toda, não sei se o mundo com sua guinada à direita, não sei se a gente com nossa passividade mórbida ou se o autor desta coluna, Mylton Severiano, que segue chovendo no molhado. E você? De que lado está? Desça do muro! Tome partido! Mostre sua cara! Seja como for, reaja! Ainda que seja para dizer que concorda.