Car@s Amig@s,
o Vozes da América relembra sua posição a favor da democratização dos meios de comunicação e assume que não é, nunca foi ou será imparcial. Somos como todas as formas de mídia: defendemos um lado, uma ideia, uma proposta. Portanto refutamos a hipocrisia da "neutralidade".
Assim sendo, abrimos agora a discussão que toma conta dos principais meios de comunicação de massa: a crise europeia ou crise do capitalismo. A diferença é a quem se defende ou o que se defende.
A imprensa burguesa se apressa para tentar explicar que o que vemos na Grécia, em Portugal, na Espanha, nas ruas da Inglaterra... é apenas uma fase passageira, que com uma boa reforma, se arruma.
Algumas questões estão em jogo. Se for uma crise passageira, bastaria pela ótica do capitalismo, fazer cortes profundos nas conquistas sociais que os europeus lutaram séculos para conseguir. Mexer no Estado de bem estar social, bandeira que a burguesia asteou como carta na manga na luta ideológica contra o comunismo. A máscara está caindo. O sistema está caindo. O capitalismo não é o modelo de desenvolvimento que nos levará a uma sociedade justa e fraterna, nem tampouco possibilitará a nossa sobrevivência eco sustentável, pois são coisas inconciliáveis, o lucro e a vida.
O vídeo que segue abaixo neste link é uma alternativa diferente de ver este fenômeno, crise do capitalismo, por partidos e grupos da esquerda europeia.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QBjNcZ3HP0Y
Chico Baeta
Hasta la victoria, siempre!
Ouvir as vozes da América, continente que testemunhou mais de 500 anos de exploração. Deixem os gritos dos excluídos entrar em suas almas e verão que o sangue derramado em nossos campos não fertilizaram a terra, que a soberba dos imperialistas se camufla em guerras ou globalização, que nosso povo pagou com suas vidas o alto preço dos lucros. A literatura e história são as nossas armas e com elas, havemos de continuar resistindo, recriando a latinidade.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Belo Monte demite mais 80 com ajuda da PM
Após nova paralisação dos canteiros de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte no último sábado, ao menos 80 trabalhadores foram demitidos nesta segunda, 12. As dispensas ocorreram uma semana depois da negociação do acordo trabalhista da categoria – que, entre outros pontos, garantiria três meses de estabilidade para todos os operários da obra.
Segundo os trabalhadores, a manifestação aconteceu em função do não-cumprimento, por parte da empresa, dos acordos feitos com os trabalhadores após a última paralisação. “Eles prometeram o adiantamento do salário para o dia 20, antes do recesso. Agora eles dizem que não vão dar”, explicam. Em relação a uma das principais contestações dos trabalhadores, a baixada – tempo de retorno para sua cidade de origem, hoje em 6 meses, segundo o contrato do Consórcio Construtor Belo Monte(CCBE) – , as coisas também não avançaram. “A baixada continua igual. Nós queremos 3 meses, como em qualquer obra. Também queremos o salário igual das outras obras. Belo Monte não é o que eles vendem pra gente lá fora não”, lamentou.
Como no caso dos 141 operários maranhenses demitidos em 16 de novembro, os afastamentos desta segunda foram realizadas com a presença da Polícia Militar dentro dos canteiros de obras. “Quando chegamos no RH, a PM já estava lá esperando a gente. Chegaram lá com a lista, caçando a gente no canteiro. Teve bate-boca, porque ninguém esperava ser demitido, né? Aí a polícia apontou arma na nossa cara, tentou algemar um colega nosso”, contaram os demitidos. “Fomos humilhados que nem bandido, que nem vagabundo. Por quê?”
Os trabalhadores foram então colocados em um ônibus pela polícia. Uma parte seguiu para um trecho urbano da Rodovia Transamazônicano no sentido Altamira-Itaituba, onde fica um dormitório do Consórcio, e outra foi liberada. No local, a polícia cercou a área do prédio de Belo Monte. “Não sabemos porquê fomos parar lá, pra que polícia”, afirmou um pedreiro demitido. Tanto a PM quanto um funcionário com uniforme do CCBE teriam dito a eles que “se fosse continuar a baderna, ninguém vai entrar”. “Eles tratam a gente como se fosse marginal! Eles estão demitindo a gente, sem explicar, sem motivo, e ainda botam a polícia na história”, contou um armador, concluindo: “nem comida direito tinha nessa casa, e pediram pra voltarmos amanhã pra pegar o dinheiro da rescisão”.
Paralisação – Parte dos trabalhadores agora demitidos estavam envolvidos na última greve de final de novembro. Contudo, há outros que, segundo eles, sequer participaram dos movimentos. “Eu mesmo não participei de greve nenhuma. Não queria me envolver, sempre saía de perto, ia embora porque sei que é perigoso. Os meus colegas tentaram falar pro encarregado que eu não tinha nada a ver com a história, mas ninguém fez nada”, expôs um operário.
“No sábado, eles tinham ameaçado o pessoal, dizendo que o acordo só valia para a outra greve, e que dessa vez ia ser todo mundo demitido”, contou um trabalhador. Entre os demitidos, havia ao menos dois membros da comissão que negociou, mediada pelo sindicato, a pauta de reivindicações dos operários.
Ameaça – Durante o processo das demissões, dois homens não identificados se aproximaram do jornalista do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que estava cobrindo o caso do lado de fora do prédio da CCBE, para ameaça-lo. De acordo com depoimento colhido pelo procurador Bruno Gütshow, do Ministério Público Federal, um dos homens chamou o jornalista de “vagabundo, e o outro agente ameaçou repetidamente ‘vamos dar cabo de você agora’”. As agressões voltaram a ocorrer quando o jornalista estava registrando a cena. Repetindo os insultos, o primeiro homem afirmou que a policia não poderia ser fotografada e tentou tomar o equipamento, o que não ocorreu em função da interferência dos trabalhadores. Os policiais presentes assistiram à cena e não interferiram, mesmo após serem interpelados pelo jornalista, relata o depoimento.
Após o ocorrido, o jornalista tentou registrar boletim de ocorrência na polícia, mas o delegado de Altamira afirmou que estava com déficit de escrivão, uma vez que ocorreram cinco homicídios de domingo para segunda, e pediu gentilmente que retornasse nesta terça às 8h da manhã.
Direitos Humanos – Em enquete virtual, o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) foi eleito como a pior empresa de 2011, em termos de violação de direitos.
FONTE: Xingu Vivo
Segundo os trabalhadores, a manifestação aconteceu em função do não-cumprimento, por parte da empresa, dos acordos feitos com os trabalhadores após a última paralisação. “Eles prometeram o adiantamento do salário para o dia 20, antes do recesso. Agora eles dizem que não vão dar”, explicam. Em relação a uma das principais contestações dos trabalhadores, a baixada – tempo de retorno para sua cidade de origem, hoje em 6 meses, segundo o contrato do Consórcio Construtor Belo Monte(CCBE) – , as coisas também não avançaram. “A baixada continua igual. Nós queremos 3 meses, como em qualquer obra. Também queremos o salário igual das outras obras. Belo Monte não é o que eles vendem pra gente lá fora não”, lamentou.
Como no caso dos 141 operários maranhenses demitidos em 16 de novembro, os afastamentos desta segunda foram realizadas com a presença da Polícia Militar dentro dos canteiros de obras. “Quando chegamos no RH, a PM já estava lá esperando a gente. Chegaram lá com a lista, caçando a gente no canteiro. Teve bate-boca, porque ninguém esperava ser demitido, né? Aí a polícia apontou arma na nossa cara, tentou algemar um colega nosso”, contaram os demitidos. “Fomos humilhados que nem bandido, que nem vagabundo. Por quê?”
Os trabalhadores foram então colocados em um ônibus pela polícia. Uma parte seguiu para um trecho urbano da Rodovia Transamazônicano no sentido Altamira-Itaituba, onde fica um dormitório do Consórcio, e outra foi liberada. No local, a polícia cercou a área do prédio de Belo Monte. “Não sabemos porquê fomos parar lá, pra que polícia”, afirmou um pedreiro demitido. Tanto a PM quanto um funcionário com uniforme do CCBE teriam dito a eles que “se fosse continuar a baderna, ninguém vai entrar”. “Eles tratam a gente como se fosse marginal! Eles estão demitindo a gente, sem explicar, sem motivo, e ainda botam a polícia na história”, contou um armador, concluindo: “nem comida direito tinha nessa casa, e pediram pra voltarmos amanhã pra pegar o dinheiro da rescisão”.
Paralisação – Parte dos trabalhadores agora demitidos estavam envolvidos na última greve de final de novembro. Contudo, há outros que, segundo eles, sequer participaram dos movimentos. “Eu mesmo não participei de greve nenhuma. Não queria me envolver, sempre saía de perto, ia embora porque sei que é perigoso. Os meus colegas tentaram falar pro encarregado que eu não tinha nada a ver com a história, mas ninguém fez nada”, expôs um operário.
“No sábado, eles tinham ameaçado o pessoal, dizendo que o acordo só valia para a outra greve, e que dessa vez ia ser todo mundo demitido”, contou um trabalhador. Entre os demitidos, havia ao menos dois membros da comissão que negociou, mediada pelo sindicato, a pauta de reivindicações dos operários.
Ameaça – Durante o processo das demissões, dois homens não identificados se aproximaram do jornalista do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que estava cobrindo o caso do lado de fora do prédio da CCBE, para ameaça-lo. De acordo com depoimento colhido pelo procurador Bruno Gütshow, do Ministério Público Federal, um dos homens chamou o jornalista de “vagabundo, e o outro agente ameaçou repetidamente ‘vamos dar cabo de você agora’”. As agressões voltaram a ocorrer quando o jornalista estava registrando a cena. Repetindo os insultos, o primeiro homem afirmou que a policia não poderia ser fotografada e tentou tomar o equipamento, o que não ocorreu em função da interferência dos trabalhadores. Os policiais presentes assistiram à cena e não interferiram, mesmo após serem interpelados pelo jornalista, relata o depoimento.
Após o ocorrido, o jornalista tentou registrar boletim de ocorrência na polícia, mas o delegado de Altamira afirmou que estava com déficit de escrivão, uma vez que ocorreram cinco homicídios de domingo para segunda, e pediu gentilmente que retornasse nesta terça às 8h da manhã.
Direitos Humanos – Em enquete virtual, o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) foi eleito como a pior empresa de 2011, em termos de violação de direitos.
FONTE: Xingu Vivo
O colapso da educação no Brasil
O sistema educacional brasileiro atravessa uma crise estrutural e crônica. Paradoxalmente, essa crise ocorre em meio a um rico contexto de avanços tecnológicos e novas descobertas científicas (genoma humano, nanotecnologia, desenvolvimento da informática, por exemplo). Mas as políticas neoliberais aplicadas à educação ao longo dos anos 1990 pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Plano Decenal de Educação Para Todos - 1990, e mantidas por Lula e Dilma (PT) retiraram qualquer possibilidade dos filhos dos trabalhadores se apropriarem deste conhecimento.
O colapso da educação pública básica sequer permite os alunos desenvolverem satisfatoriamente o raciocínio aritmético e matemático. A imensa maioria dos alunos da escola pública não domina a leitura e a escrita, e estão muito distantes dos benefícios proporcionados pela informática. Não por acaso, o analfabetismo funcional atinge mais de 30% da população, segundo o PNAD 2009. Quer dizer, a cada três pessoas, uma sabe ler, mas não é capaz de entender o sentido do que lê. Como se não bastasse, nosso país é campeão de analfabetismo na América Latina, com taxa de 9,7%.
As políticas educacionais implementadas pelos governos tucanos e pelo PT foram ditadas pelos grandes órgãos do capital financeiro internacional, FMI e Banco Mundial. O objetivo era claro: transformar a educação em mercadoria.
O primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001 pelo governo FHC, tinha por objetivo investir 7% do PIB na educação. Mas o compromisso com o capital financeiro falou mais alto e a medida foi vetada pelo governo tucano. Com Lula no governo a situação não foi diferente. O veto foi mantido e o PNE amargou um retumbante fracasso (veja quadro abaixo).
Hoje, se gasta por volta de 5% do PIB com a educação, mas o governo Dilma promete ir a 7% do PIB até 2020. A meta, porém, é irrisória diante da montanha de dinheiro enviada para o pagamento da dívida pública (veja ao lado). E, diante do compromisso de Dilma com o capital financeiro, é muito difícil que essa promessa, mesmo irrisória, seja cumprida.
Por que chegamos a esta situação?
Ao longo dos anos 1990, toda a política em relação à educação esteve em sintonia com a política de “Estado mínimo” neoliberal. Ou seja, estavam a serviço de desobrigar o Estado em relação à educação, tornando-a cada vez mais privatizada, com a política de criar as “ilhas de excelência”. Todas elas reforçaram o caráter excludente, segregacionista e racista do sistema de ensino no Brasil. Podemos resumir, sumariamente, da seguinte forma as diretrizes centrais da nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e da Emenda Constitucional n° 14:
Prioridade no Ensino Fundamental, como responsabilidade dos estados e municípios. A Educação Infantil é delegada aos municípios. Assim, aplicou-se a municipalização e “escolarização” do ensino, com o Estado repassando adiante sua responsabilidade. Hoje os custos são repassados às prefeituras e às próprias escolas.
Aceleração da aprovação para desocupar vagas. O “rápido e barato” é apresentado como critério de eficiência. Também é marcante o aumento de matrículas, utilizadas pelos governos como jogo de marketing. No entanto, apenas são feitas mais inscrições, sem a criação de uma
nova estrutura efetiva para novas vagas. O resultado é superlotação de salas.
Parceria com comunidade e empresa. A sociedade civil deveria adotar os “órfãos” do Estado (o programa “Amigos da Escola”, por exemplo). Se as pessoas não tiverem acesso à escola a culpa é colocada na sociedade que “não se organizou”. Assim, o governo fica isento de sua responsabilidade com a educação. Na antiga LDB a educação era tarefa do “Estado e da família”. Na nova, houve uma mudança na ordem e a educação se tornou uma tarefa da “família e do Estado”.
Formação menos abrangente e mais profissionalizante. Assim, divide-se o Ensino Médio entre educação regular e profissionalizante, com a tendência de priorizar este último. Ou seja, a ênfase do ensino é dada na produtividade e eficiência empresarial. Não interessa o conhecimento crítico, mas, sim, a formação desqualificada de ‘mão-de-obra’, levando ao empobrecimento curricular.
Descentralização administrativa e financeira. Ou seja, tudo que se refere à parte financeira (como infra-estrutura, merenda, transporte), passa a ser descentralizada, isto é, mais uma iniciativa que isenta o Estado de responsabilidades. Mas a
autonomia é apenas administrativa. Tudo o que se refere ao conteúdo didático continua dirigido e centralizado.
Avaliação de desempenho e do rendimento escolar. Sistema de Avaliação do Ensino Superior, Enem, Seab e “Provão” foram alguns dos instrumentos criados para transformar as escolas em “empresas”, sob a inspiração do programa de qualidade produtiva, adaptando-a ao mercado. Mas não houve aumento de verbas, apenas alocação dos recursos para “melhores resultados”. Avaliação externa na verdade é uma inspeção escolar.
Vanessa Portugal, de Belo Horizonte (BH) e João Zafalão, de São Paulo (SP)
Veja também: http://www.youtube.com/watch?v=TiIVZ_elYuo&feature=youtu.be
O colapso da educação pública básica sequer permite os alunos desenvolverem satisfatoriamente o raciocínio aritmético e matemático. A imensa maioria dos alunos da escola pública não domina a leitura e a escrita, e estão muito distantes dos benefícios proporcionados pela informática. Não por acaso, o analfabetismo funcional atinge mais de 30% da população, segundo o PNAD 2009. Quer dizer, a cada três pessoas, uma sabe ler, mas não é capaz de entender o sentido do que lê. Como se não bastasse, nosso país é campeão de analfabetismo na América Latina, com taxa de 9,7%.
As políticas educacionais implementadas pelos governos tucanos e pelo PT foram ditadas pelos grandes órgãos do capital financeiro internacional, FMI e Banco Mundial. O objetivo era claro: transformar a educação em mercadoria.
O primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2001 pelo governo FHC, tinha por objetivo investir 7% do PIB na educação. Mas o compromisso com o capital financeiro falou mais alto e a medida foi vetada pelo governo tucano. Com Lula no governo a situação não foi diferente. O veto foi mantido e o PNE amargou um retumbante fracasso (veja quadro abaixo).
Hoje, se gasta por volta de 5% do PIB com a educação, mas o governo Dilma promete ir a 7% do PIB até 2020. A meta, porém, é irrisória diante da montanha de dinheiro enviada para o pagamento da dívida pública (veja ao lado). E, diante do compromisso de Dilma com o capital financeiro, é muito difícil que essa promessa, mesmo irrisória, seja cumprida.
Por que chegamos a esta situação?
Ao longo dos anos 1990, toda a política em relação à educação esteve em sintonia com a política de “Estado mínimo” neoliberal. Ou seja, estavam a serviço de desobrigar o Estado em relação à educação, tornando-a cada vez mais privatizada, com a política de criar as “ilhas de excelência”. Todas elas reforçaram o caráter excludente, segregacionista e racista do sistema de ensino no Brasil. Podemos resumir, sumariamente, da seguinte forma as diretrizes centrais da nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e da Emenda Constitucional n° 14:
Prioridade no Ensino Fundamental, como responsabilidade dos estados e municípios. A Educação Infantil é delegada aos municípios. Assim, aplicou-se a municipalização e “escolarização” do ensino, com o Estado repassando adiante sua responsabilidade. Hoje os custos são repassados às prefeituras e às próprias escolas.
Aceleração da aprovação para desocupar vagas. O “rápido e barato” é apresentado como critério de eficiência. Também é marcante o aumento de matrículas, utilizadas pelos governos como jogo de marketing. No entanto, apenas são feitas mais inscrições, sem a criação de uma
nova estrutura efetiva para novas vagas. O resultado é superlotação de salas.
Parceria com comunidade e empresa. A sociedade civil deveria adotar os “órfãos” do Estado (o programa “Amigos da Escola”, por exemplo). Se as pessoas não tiverem acesso à escola a culpa é colocada na sociedade que “não se organizou”. Assim, o governo fica isento de sua responsabilidade com a educação. Na antiga LDB a educação era tarefa do “Estado e da família”. Na nova, houve uma mudança na ordem e a educação se tornou uma tarefa da “família e do Estado”.
Formação menos abrangente e mais profissionalizante. Assim, divide-se o Ensino Médio entre educação regular e profissionalizante, com a tendência de priorizar este último. Ou seja, a ênfase do ensino é dada na produtividade e eficiência empresarial. Não interessa o conhecimento crítico, mas, sim, a formação desqualificada de ‘mão-de-obra’, levando ao empobrecimento curricular.
Descentralização administrativa e financeira. Ou seja, tudo que se refere à parte financeira (como infra-estrutura, merenda, transporte), passa a ser descentralizada, isto é, mais uma iniciativa que isenta o Estado de responsabilidades. Mas a
autonomia é apenas administrativa. Tudo o que se refere ao conteúdo didático continua dirigido e centralizado.
Avaliação de desempenho e do rendimento escolar. Sistema de Avaliação do Ensino Superior, Enem, Seab e “Provão” foram alguns dos instrumentos criados para transformar as escolas em “empresas”, sob a inspiração do programa de qualidade produtiva, adaptando-a ao mercado. Mas não houve aumento de verbas, apenas alocação dos recursos para “melhores resultados”. Avaliação externa na verdade é uma inspeção escolar.
Vanessa Portugal, de Belo Horizonte (BH) e João Zafalão, de São Paulo (SP)
Veja também: http://www.youtube.com/watch?v=TiIVZ_elYuo&feature=youtu.be
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Os “desaparecidos” da era Bush
A força aérea dos EUA usou secretamente um aterro sanitário para fazer desaparecer restos mortais incinerados de centenas de soldados mortos em ação durante a tal “guerra ao terror”. Os números agora são oficiais: 274 homens e mulheres mortos em combate foram enviados para o depósito de lixo no condado de King George, na Virgínia, entre 2004 e 2008. Mas a denúncia feita pelo Washington Post pode ser ainda mais grave. Segundo a matéria, além dos 976 fragmentos de corpos identificados pelo Pentágono, há 1.762 restos trazidos do campo de batalha sem identificação, demasiadamente destruídos para fazer teste de DNA. Funcionários do Pentágono declararam que “não há um plano para comunicar as famílias dos soldados” porque estabelecer as suas identidades seria demasiado caro e tomaria muito tempo. Fonte: http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-182990-2011-12-09.html
Camila Vallejo perde eleição no Chile
Camila Vallejo, a jovem que ganhou espaço na imprensa por sua atividade no movimento estudantil chileno e que, nos últimos sete meses, abalou o governo de Sebastián Piñera com protestos, choques e greves, foi derrotada nesta terça-feira (06) na eleição para presidente da Fech (Federação de Estudantes da Universidade do Chile), a entidade mais importante do setor. Segundo analistas, o resultado mostra que há uma vontade de radicalizar ainda mais o movimento, já que a corrente vencedora, mais radical, rechaça a via parlamentar como espaço de resolução das demandas estudantis. O novo presidente, o estudante de Direito Gabriel Boric, falou em estabelecer alianças com outros movimentos sociais em 2012. Oito listas concorreram na eleição, realizada na segunda e terça-feira. A lista vencedora, F, Criando Esquerda, recebeu 4.053 votos. A lista J, Esquerda Estudantil, de Camila Vallejo, terminou com 3.964, uma diferença de apenas 89 votos.
Pedido para exumar restos de Pablo Neruda
O Partido Comunista do Chile solicitou oficialmente, na última quinta-feira, que a justiça chilena determine a exumação dos restos mortais do poeta Pablo Neruda a fim de confirmar se sua morte se deveu ao câncer de próstata ou a um possível envenenamento. O motorista particular de Neruda, Manuel Araya, declarou recentemente que, na clínica Santa María, teriam injetado um veneno para provocar a sua morte. Manuel Araya afirma que a ordem partiu da junta militar que havia dado o golpe no Chile poucos dias antes.
“Quem nega o passado é covarde”
O general Pedro Aguerre, comandante do Exército uruguaio mandou suspender qualquer pacto de silêncio em torno de crimes praticados na ditadura. Aguerre disse que o Exército que comanda não encobrirá delinqüentes e homicidas em suas fileiras, e ordenou que seja posta à disposição da Justiça toda informação possível para esclarecer os crimes de terrorismo de Estado. Quer que a Justiça estabeleça a responsabilidade material do Exército em casos de assassinato, seqüestro e tortura de presos políticos. “Não sei de nenhum pacto de silêncio para acobertar crimes dentro da Força que comando. E, mesmo desconhecendo se existiu ou se ainda existe esse pacto, neste momento dou a ordem de sua suspensão ime-diata”. O artigo é de Eric Nepomuceno, em Carta Maior.
Duas grandes notícias na saúde...
A vacina cubana CIMAVax-EGF, única de seu tipo no mundo para o câncer avançado de pulmão, foi aplicada em mais de dois mil cubanos. A vacina foi desenvolvida pelo Centro de Imunologia Molecular (CIM), há dois anos, e está sendo empregada largamente em toda a Ilha. Distribuída em 65 centros clínicos especializados, a CIMAVax-EGF é uma terapia segura contra o câncer e eleva a expectativa e a qualidade de vida. Cuba já autorizou a fabricação da vacina em vários países, incluindo Brasil, Argentina e Peru.
A recém concluída XXIX Feira Internacional de Havana (FIHAV 2011), em Havana, mostrou mais uma grande conquista da medicina cubana. O Heberprot-P, um composto desenvolvido no Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) que tem revolucionado o tratamento das úlceras de origem diabética, ao reduzir ao mínimo o número de amputações de membros inferiores por esta causa. Cerca de 41 mil pacientes de 12 países foram tratados até o momento com este medicamento fruto da biotecnologia cubana. Isto sem falarmos na vacina anti-meningite, a vax-MEN-AC, específica para os sorotipos A e C. Milhões de doses já foram entregues à Organização Mundial da Saúde (OMS) para sua distribuição e aplicação, comentou o especialista.
A recém concluída XXIX Feira Internacional de Havana (FIHAV 2011), em Havana, mostrou mais uma grande conquista da medicina cubana. O Heberprot-P, um composto desenvolvido no Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) que tem revolucionado o tratamento das úlceras de origem diabética, ao reduzir ao mínimo o número de amputações de membros inferiores por esta causa. Cerca de 41 mil pacientes de 12 países foram tratados até o momento com este medicamento fruto da biotecnologia cubana. Isto sem falarmos na vacina anti-meningite, a vax-MEN-AC, específica para os sorotipos A e C. Milhões de doses já foram entregues à Organização Mundial da Saúde (OMS) para sua distribuição e aplicação, comentou o especialista.
Governo aprova anistia para Marighella.
Segunda-feira (05/12), no dia em que Marighella faria 100 anos, a Comissão de Anistia do Ministério da Jus-tiça reconheceu que ele foi perseguido pelo Estado desde os anos 30, na ditadura de Getúlio Vargas. Após ser libertado, em 1945, Marighella foi eleito deputado federal constituinte. Teve o mandato cassado em 1947, quando o Partido Comunista foi declarado ilegal, e passou à clandestinidade. O período final de perseguições foi entre o golpe militar de 1964 e o seu assassinato por agentes do Dops (Departamento de Operações Políticas e Sociais), numa emboscada em São Paulo.
A viúva de Carlos Marighella, Clara Charf, 86, disse segunda-feira (5) que a concessão da anistia política restabelece a verdade sobre o guerrilheiro, morto em novembro de 1969. “Durante muitos anos, eles mentiram, acusaram e jogaram o nome das pessoas na lama para tirar a resistência do povo brasileiro”, discursou, em ato em Salvador.
A viúva de Carlos Marighella, Clara Charf, 86, disse segunda-feira (5) que a concessão da anistia política restabelece a verdade sobre o guerrilheiro, morto em novembro de 1969. “Durante muitos anos, eles mentiram, acusaram e jogaram o nome das pessoas na lama para tirar a resistência do povo brasileiro”, discursou, em ato em Salvador.
“A Privataria Tucana”
Neste fim de semana chega às livrarias “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr., resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter, que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial. A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.
Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.
O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.
A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.
Ernesto Germano
Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.
O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.
A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.
Ernesto Germano
Um dica, uma boa dica cultural...
Ao Vivo entre Amigos - Rádio Mec AM
Na próxima quarta-feira (14/12/2011) às 17h o músico e professor Rodrigo Ferreira vai participar do pragrama Ao Vivo entre Amigos. O programa já se tornou referência obrigatória para quem curte a Música Popular Brasileira.
A entrada é franca e as senhas são distribuídas a partir das 16h. Tem a produção de Lídia Costa e Marina Barreto e epresentação de Marina Barreto.
http://radiomec.com.br/aovivoentreamigos/
Apareçam para assistir ao vivo
Praça da República 141 - A
Centro / Rio de Janeiro - RJ
O blog do Rodrigo é www.rodrigoferreiraoficial.com
Na próxima quarta-feira (14/12/2011) às 17h o músico e professor Rodrigo Ferreira vai participar do pragrama Ao Vivo entre Amigos. O programa já se tornou referência obrigatória para quem curte a Música Popular Brasileira.
A entrada é franca e as senhas são distribuídas a partir das 16h. Tem a produção de Lídia Costa e Marina Barreto e epresentação de Marina Barreto.
http://radiomec.com.br/aovivoentreamigos/
Apareçam para assistir ao vivo
Praça da República 141 - A
Centro / Rio de Janeiro - RJ
O blog do Rodrigo é www.rodrigoferreiraoficial.com
Trabalho escravo no campo cresceu 23% em 2011, diz Comissão Pastoral da Terra
Levantamento parcial divulgado nesta segunda-feira (12) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que as ocorrências de trabalho escravo no campo tiveram aumento significativo no período de janeiro a setembro de 2011, na comparação com igual período do ano passado.
Neste ano, foram registradas 218 denúncias à CPT e ao Ministério do Trabalho, contra 177 em 2010, o que representa um aumento de 23%. Para Antonio Canuto, secretário da coordenação nacional da CPT, os flagrantes cresceram devido ao aumento da fiscalização e à maior participação da sociedade, mas o número de trabalhadores vivendo em condições análogas à escravidão também cresceu.
“O sistema vai lançando mão de formas de trabalho arcaicas para obter cada vez mais lucro”, disse. Segundo ele, tais condições são encontradas com mais frequência no corte da cana-de-açúcar, na colheita de frutas como o tomate e na extração de madeira.
O número de pessoas resgatadas do trabalho escravo também passou de 3.854 em 2010 para 3.882 em 2011. De acordo com a CPT, a região Centro-Oeste concentrou quase 50% dos trabalhadores resgatados (1.914 do total), sendo 1.322 apenas em Mato Grosso do Sul. O maior crescimento, no entanto, foi verificado no Nordeste: a região, que registrou 19 ocorrências de trabalho escravo nos nove primeiros meses de 2010, foi responsável por 35 ocorrências no mesmo período de 2011 (aumento de 84%).
Crimes têm maior repercussão
De janeiro a setembro de 2011, 17 trabalhadores do campo foram assassinados no país, 32% a menos que o registrado em 2010 (25 mortes). Segundo a CPT, apesar da queda, os crimes ocorridos neste ano tiveram uma repercussão maior. “Os assassinatos tiveram uma ‘seleção’ de pessoas defensoras do meio ambiente”, disse Canuto.
O primeiro crime que teve grande repercussão foi o assassinato do casal extrativista Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro da Silva, no Pará, no dia 24 de maio. Três dias depois, o líder camponês Adelino Ramos, um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, foi morto em Rondônia. Em novembro, o cacique Nísio Gomes desapareceu da aldeia em que vivia na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
De acordo com o levantamento da CPT, ao menos oito das 17 mortes estão diretamente relacionadas com a defesa do meio ambiente, e outras quatro se relacionam com comunidades (duas mortes de quilombolas e duas de indígenas).
Ameaças de morte
Segundo a análise da CPT, o número de pessoas ameaçadas de morte cresceu significativamente. Em 2010, houve registro de 83 pessoas ameaçadas, e em 2011 esse número saltou para 172 (aumento de 107%). Para a entidade, esse crescimento é reflexo das ações que se desenvolveram após os assassinatos de maio, quando foi entregue à Secretaria de Direitos Humanos a lista dos ameaçados de morte na última década, destacando que as ameaças haviam se concretizado em 42 casos.
Disputa por terra e água
Na contramão dos conflitos trabalhistas (trabalho escravo), que cresceram, as ocorrências de disputa por terra caíram de 535, em 2010, para 439, em 2011. Também houve redução nos conflitos por água (de 65 para 29).
Retirado do sítio www.uol.com.br empresa ligada ao grupo Folha de São Paulo.
Comentário Vozes da América: Se a imprensa burguesa, que se resfatela com a miséria alheia, pois significa concentração de renda nas mãos de seus pares e parceiros, veicula uma notícias dessas, é porque a situação está tão calamitosa que prejudica até a falsa ideia de que estamos "saindo do terceiro mundo" ou que "lideramos os BRICS" ou qualquer outra balela que nos encha de falso orgulho.
Neste ano, foram registradas 218 denúncias à CPT e ao Ministério do Trabalho, contra 177 em 2010, o que representa um aumento de 23%. Para Antonio Canuto, secretário da coordenação nacional da CPT, os flagrantes cresceram devido ao aumento da fiscalização e à maior participação da sociedade, mas o número de trabalhadores vivendo em condições análogas à escravidão também cresceu.
“O sistema vai lançando mão de formas de trabalho arcaicas para obter cada vez mais lucro”, disse. Segundo ele, tais condições são encontradas com mais frequência no corte da cana-de-açúcar, na colheita de frutas como o tomate e na extração de madeira.
O número de pessoas resgatadas do trabalho escravo também passou de 3.854 em 2010 para 3.882 em 2011. De acordo com a CPT, a região Centro-Oeste concentrou quase 50% dos trabalhadores resgatados (1.914 do total), sendo 1.322 apenas em Mato Grosso do Sul. O maior crescimento, no entanto, foi verificado no Nordeste: a região, que registrou 19 ocorrências de trabalho escravo nos nove primeiros meses de 2010, foi responsável por 35 ocorrências no mesmo período de 2011 (aumento de 84%).
Crimes têm maior repercussão
De janeiro a setembro de 2011, 17 trabalhadores do campo foram assassinados no país, 32% a menos que o registrado em 2010 (25 mortes). Segundo a CPT, apesar da queda, os crimes ocorridos neste ano tiveram uma repercussão maior. “Os assassinatos tiveram uma ‘seleção’ de pessoas defensoras do meio ambiente”, disse Canuto.
O primeiro crime que teve grande repercussão foi o assassinato do casal extrativista Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro da Silva, no Pará, no dia 24 de maio. Três dias depois, o líder camponês Adelino Ramos, um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, foi morto em Rondônia. Em novembro, o cacique Nísio Gomes desapareceu da aldeia em que vivia na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
De acordo com o levantamento da CPT, ao menos oito das 17 mortes estão diretamente relacionadas com a defesa do meio ambiente, e outras quatro se relacionam com comunidades (duas mortes de quilombolas e duas de indígenas).
Ameaças de morte
Segundo a análise da CPT, o número de pessoas ameaçadas de morte cresceu significativamente. Em 2010, houve registro de 83 pessoas ameaçadas, e em 2011 esse número saltou para 172 (aumento de 107%). Para a entidade, esse crescimento é reflexo das ações que se desenvolveram após os assassinatos de maio, quando foi entregue à Secretaria de Direitos Humanos a lista dos ameaçados de morte na última década, destacando que as ameaças haviam se concretizado em 42 casos.
Disputa por terra e água
Na contramão dos conflitos trabalhistas (trabalho escravo), que cresceram, as ocorrências de disputa por terra caíram de 535, em 2010, para 439, em 2011. Também houve redução nos conflitos por água (de 65 para 29).
Retirado do sítio www.uol.com.br empresa ligada ao grupo Folha de São Paulo.
Comentário Vozes da América: Se a imprensa burguesa, que se resfatela com a miséria alheia, pois significa concentração de renda nas mãos de seus pares e parceiros, veicula uma notícias dessas, é porque a situação está tão calamitosa que prejudica até a falsa ideia de que estamos "saindo do terceiro mundo" ou que "lideramos os BRICS" ou qualquer outra balela que nos encha de falso orgulho.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Sócrates, companheiro imprescindível...
Escrevo para os mais jovens, para aqueles que nasceram da década de 90 em diante e não viram o maior movimento político dentro do mais popular de todos os esportes mundiais: a Democracia Corinthiana.
O Brasil viveu no início dos anos 80 um tempo de grande instabilidade política. A ditadura caía de podre, mas insistia em não largar o osso, até porque precisava afinar a estratégia (que infelizmente foi bem sucedida) de sair do governo e continuar no poder. O fato é que, naquele momento - 1980, 81, 82, 83, não se sabia se de fato haveria uma redemocratização brasileira. Por um lado os movimentos oposicionistas ganhavam força, as greves no ABC paulista que revelaram Lula e o PT (naquela época um partido combativo, socialista e popular, muito diferente dos dias em que vivemos). Por outro, os militares de linha dura jogavam bombas no Rio Centro e enviavam cartas bombas à OAB, numa tentativa de forçar a sociedade a ter medo da insegurança da democracia e levá-la a apoiar o recrudescimento de um regime autoritário.
Neste cenário, no clube mais popular do Brasil (assim como o Flamengo), o Corinthians, nasceu a DEMOCRACIA CORINTHIANA. Graças a uma série de relações internas como a saída do Presidente Vicente Matheus e a subida à Presidência do Corinthians um grupo que optou por uma gestão participativa, a conjuntura política brasileira que vivia a campanha das Diretas Já e a junção de jogadores privilegiados do ponto de vista da consciência dos seus papéis sociais, não só como profissionais do esporte, mas como cidadãos. Vladimir, Biro Biro, Casagrande, Zenon e sob a liderança do inesquecível Sócrates.
Todo meu respeito ao maior cérebro que vi jogar: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira morreu no dia 04 de Dezembro de 2011 e deixa uma imensa lacuna dentro do futebol. Primeiro se formou em medicina, depois foi jogar futebol, já com 24 anos, idade que hoje consideramos "velha" para começar um esporte de alto nível.
No Corinthians encontrou um grupo que nunca mais tivemos o privilégio de ver de novo, que contestava não só a ditadura militar brasileira, mas que também ousou fazer daquele clube um local de decisões colegiadas, onde o auxiliar do roupeiro tinha o mesmo peso, voz e voto do que o Presidente do clube. Eram eles, todos eles, que decidiam salários, pensavam em contratações, discutiam a necessidade ou não de se concentrarem antes dos jogos, votavam quem deveria ser titular ou reserva, enfim, fizeram daquele momento e daquele clube a maior experiência coletiva e organizada do Brasil nas barbas dos tiranos, tanto do país quanto da tradicional e ascendente máfia do futebol.
Foram campeões paulistas em 1982 e 1983, influenciaram toda uma geração de atletas e torcedores e deixaram o legado que se a sociedade se organizar, outra sociedade será possível de ser montada. Isto assustou muita gente. Fora do clube o exemplo da Democracia Corinthiana poderia se espalhar, chegar nas escolas, nas Universidades, nas fábricas... E dentro do futebol poderia levar ao fim do monopólio de meia dúzia de cartolas mafiosos e seus comparsas dos meios de comunicação preocupados em formar idiotas para consumirem bola e não da bola fabricar consciência.
Sócrates era perigoso. A Democracia, a verdadeira, a popular e coletiva é perigosa.
Sócrates, Vladimir e Casagrande participaram ativamente do movimento das Diretas Já e num dos comícios, o líder desse movimento chegou a dizer que se a Emenda Dante de Oliveira (Diretas Já) não fosse aprovado ele sairia do Brasil. Perdemos todos. A Emenda não foi aprovada, a ditadura seguiu até 1985, só votaríamos para Presidente do país em 1989 e Sócrates foi jogar na Itália.
O Corinthians aproveitou para vender todos os jogadores "perigosos" e contratou um monte de acéfalos, destes que conhecemos bem, que se juntaram a ideologia conservadora que predomina no mundo do futebol e que naquele clube tinha o goleiro Leão, hoje técnico do São Paulo, como representante dos reacionários.
Acabou a Democracia e o Corinthians virou um clube perverso como todos os outros, que tratam jogadores como comandados, técnicos como comandantes e patrocinadores como deuses. O resultado está aí: O Corinthians/CBF foi campeão brasileiro ironicamente no dia da morte do mais importante jogador de sua história política, como se ensinasse que a morte física do homem é a metáfora da morte do futebol-consciência que pode transformar. Pois se as torcidas organizadas soubessem do poder que têm, do palco semanal que possuem, se se associassem a outros movimentos populares, se exigissem democratização e não caíssem nas mãos assassinas das diretorias autoritárias, o futebol iria se orgulhar de ser de fato e de direito a mais popular de todas as manifestações coletivas no Brasil.
Obs.:
O agradecimento aqui é extensivo a dois outros jogadores que antecederam a geração de Sócrates, mas que também foram destes raros, que aliaram suas técnicas ao pensamento crítico: Alfonsinho - Santos e Reinaldo - Atlético-MG.
Que venham outros, que venham mais!
Chico Baeta
O Brasil viveu no início dos anos 80 um tempo de grande instabilidade política. A ditadura caía de podre, mas insistia em não largar o osso, até porque precisava afinar a estratégia (que infelizmente foi bem sucedida) de sair do governo e continuar no poder. O fato é que, naquele momento - 1980, 81, 82, 83, não se sabia se de fato haveria uma redemocratização brasileira. Por um lado os movimentos oposicionistas ganhavam força, as greves no ABC paulista que revelaram Lula e o PT (naquela época um partido combativo, socialista e popular, muito diferente dos dias em que vivemos). Por outro, os militares de linha dura jogavam bombas no Rio Centro e enviavam cartas bombas à OAB, numa tentativa de forçar a sociedade a ter medo da insegurança da democracia e levá-la a apoiar o recrudescimento de um regime autoritário.
Neste cenário, no clube mais popular do Brasil (assim como o Flamengo), o Corinthians, nasceu a DEMOCRACIA CORINTHIANA. Graças a uma série de relações internas como a saída do Presidente Vicente Matheus e a subida à Presidência do Corinthians um grupo que optou por uma gestão participativa, a conjuntura política brasileira que vivia a campanha das Diretas Já e a junção de jogadores privilegiados do ponto de vista da consciência dos seus papéis sociais, não só como profissionais do esporte, mas como cidadãos. Vladimir, Biro Biro, Casagrande, Zenon e sob a liderança do inesquecível Sócrates.
Todo meu respeito ao maior cérebro que vi jogar: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira morreu no dia 04 de Dezembro de 2011 e deixa uma imensa lacuna dentro do futebol. Primeiro se formou em medicina, depois foi jogar futebol, já com 24 anos, idade que hoje consideramos "velha" para começar um esporte de alto nível.
No Corinthians encontrou um grupo que nunca mais tivemos o privilégio de ver de novo, que contestava não só a ditadura militar brasileira, mas que também ousou fazer daquele clube um local de decisões colegiadas, onde o auxiliar do roupeiro tinha o mesmo peso, voz e voto do que o Presidente do clube. Eram eles, todos eles, que decidiam salários, pensavam em contratações, discutiam a necessidade ou não de se concentrarem antes dos jogos, votavam quem deveria ser titular ou reserva, enfim, fizeram daquele momento e daquele clube a maior experiência coletiva e organizada do Brasil nas barbas dos tiranos, tanto do país quanto da tradicional e ascendente máfia do futebol.
Foram campeões paulistas em 1982 e 1983, influenciaram toda uma geração de atletas e torcedores e deixaram o legado que se a sociedade se organizar, outra sociedade será possível de ser montada. Isto assustou muita gente. Fora do clube o exemplo da Democracia Corinthiana poderia se espalhar, chegar nas escolas, nas Universidades, nas fábricas... E dentro do futebol poderia levar ao fim do monopólio de meia dúzia de cartolas mafiosos e seus comparsas dos meios de comunicação preocupados em formar idiotas para consumirem bola e não da bola fabricar consciência.
Sócrates era perigoso. A Democracia, a verdadeira, a popular e coletiva é perigosa.
Sócrates, Vladimir e Casagrande participaram ativamente do movimento das Diretas Já e num dos comícios, o líder desse movimento chegou a dizer que se a Emenda Dante de Oliveira (Diretas Já) não fosse aprovado ele sairia do Brasil. Perdemos todos. A Emenda não foi aprovada, a ditadura seguiu até 1985, só votaríamos para Presidente do país em 1989 e Sócrates foi jogar na Itália.
O Corinthians aproveitou para vender todos os jogadores "perigosos" e contratou um monte de acéfalos, destes que conhecemos bem, que se juntaram a ideologia conservadora que predomina no mundo do futebol e que naquele clube tinha o goleiro Leão, hoje técnico do São Paulo, como representante dos reacionários.
Acabou a Democracia e o Corinthians virou um clube perverso como todos os outros, que tratam jogadores como comandados, técnicos como comandantes e patrocinadores como deuses. O resultado está aí: O Corinthians/CBF foi campeão brasileiro ironicamente no dia da morte do mais importante jogador de sua história política, como se ensinasse que a morte física do homem é a metáfora da morte do futebol-consciência que pode transformar. Pois se as torcidas organizadas soubessem do poder que têm, do palco semanal que possuem, se se associassem a outros movimentos populares, se exigissem democratização e não caíssem nas mãos assassinas das diretorias autoritárias, o futebol iria se orgulhar de ser de fato e de direito a mais popular de todas as manifestações coletivas no Brasil.
Obs.:
O agradecimento aqui é extensivo a dois outros jogadores que antecederam a geração de Sócrates, mas que também foram destes raros, que aliaram suas técnicas ao pensamento crítico: Alfonsinho - Santos e Reinaldo - Atlético-MG.
Que venham outros, que venham mais!
Chico Baeta
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Isto é Cuba!
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA em inglês), na apresentação do Informe sobre o Estado da População Mundial 2011, além de analisar o fato de que o mundo chegou aos 7 bilhões de habitantes, assegurou que Cuba é a nação com mais alto desenvolvimento humano latino-americano, chegando a afirmar que conta com um desenvolvimento equivalente a um quarto de século de avanço em relação aos demais países da América Latina e do Caribe.
Isso ocorre devido aos baixos níveis de mortalidade do país, a elevada esperança de vida, seu acesso à saúde e educação, sua saúde sexual e reprodutiva, e os indicadores de envelhecimento de sua população, todos com valores similares e, inclusive, maiores aos de nações industrializadas. Esta conquista de Cuba se soma a sua reconhecida luta contra o racismo, a desnutrição infantil e sua comprovada qualidade em todos os níveis de educação.
Ao longo de todos esses anos que nos separam desde 1959 - ano da Revolução cubana - muito se foi dito sobre aquela ilha. Mitos foram construídos e destruídos, mas o que sobrou hoje, foi um apanhado histórico tão irrefutável que nem a ONU é capaz de mistificar. Que apareçam os críticos e que eles olhem para Cuba para ver que com toda carga ideológica que suas canetas carregam, lá estão Fidel, Che, Raúl, Camilo, e todo o povo cubano a, em silêncio, rir comedidamente, pelos feitos sociais alcançados nestes longos e duros anos de tentativas militares contra suas liberdades e de um bloqueio genocida. Agora entendo quando Che dizia "hasta la victória, siempre!" Eles venceram! E contra isto, nada se pode dizer.
Ernesto Germano e Chico Baeta
Isso ocorre devido aos baixos níveis de mortalidade do país, a elevada esperança de vida, seu acesso à saúde e educação, sua saúde sexual e reprodutiva, e os indicadores de envelhecimento de sua população, todos com valores similares e, inclusive, maiores aos de nações industrializadas. Esta conquista de Cuba se soma a sua reconhecida luta contra o racismo, a desnutrição infantil e sua comprovada qualidade em todos os níveis de educação.
Ao longo de todos esses anos que nos separam desde 1959 - ano da Revolução cubana - muito se foi dito sobre aquela ilha. Mitos foram construídos e destruídos, mas o que sobrou hoje, foi um apanhado histórico tão irrefutável que nem a ONU é capaz de mistificar. Que apareçam os críticos e que eles olhem para Cuba para ver que com toda carga ideológica que suas canetas carregam, lá estão Fidel, Che, Raúl, Camilo, e todo o povo cubano a, em silêncio, rir comedidamente, pelos feitos sociais alcançados nestes longos e duros anos de tentativas militares contra suas liberdades e de um bloqueio genocida. Agora entendo quando Che dizia "hasta la victória, siempre!" Eles venceram! E contra isto, nada se pode dizer.
Ernesto Germano e Chico Baeta
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Estudante da USP: "A única visão que eu tinha era das botas"
Uma estudante da USP denuncia, em depoimento, que foi agredida e ameaçada por PMs na ação de reintegração de posse da reitoria. Ela tentou registrar as agressões na polícia, mas não conseguiu. "Um deles pegou na minha nuca, bateu minha cabeça no chão várias vezes, na parte do couro cabeludo, para não deixar hematoma. Nisso passou um repórter da Globo, o primeiro a chegar no local. Quando eu o vi achei que era minha salvação: comecei a gritar e falar o que estava acontecendo. O repórter olhou com o maior desprezo e passou direto".
Raphael Ken Ichi Sassaki
Leia a íntegra no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19076&boletim_id=1065&componente_id=17021
Raphael Ken Ichi Sassaki
Leia a íntegra no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19076&boletim_id=1065&componente_id=17021
Os jovens guerreiros da praça Tahrir
Os guerreiros de Tahrir não levam armas. Óculos de natação para proteger os olhos das balas de borracha da polícia, um que outro pano ou lenço para se proteger dos gases lacrimogêneos letais, tênis velozes e uma expressão comum que atravessa o rosto de uma geração de guerreiros democráticos que têm entre 20 e 30 anos e já vão para sua segunda revolução. Estão unidos por uma fraternidade a toda prova e uma coragem capaz de desafiar a de qualquer soldado de elite de um exército profissional. A reportagem é de Eduardo Febbro, direto do Cairo.
Leia a íntegra no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19071&boletim_id=1065&componente_id=17022
Leia a íntegra no sítio http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19071&boletim_id=1065&componente_id=17022
Cinismo genocida - (primeira parte)
NENHUMA pessoa sã, especialmente aquelas que tiveram acesso aos conhecimentos elementares que se adquirem em uma escola primária, estaria de acordo com que nossa espécie, de modo particular as crianças, os adolescentes ou jovens, sejam privados hoje, amanhã e para sempre do direito de viver. Jamais os seres humanos, ao longo de sua turbulenta história, como pessoas dotadas de inteligência, conheceram experiência semelhante.
Sinto-me no dever de transmitir àqueles que se ocupam em ler estas reflexões, o critério de que todos, sem exceção, estamos na obrigação de criar consciência acerca dos riscos que a humanidade está correndo de forma inexorável, rumo a uma catástrofe definitiva e total, em consequência das decisões irresponsáveis de políticos a quem o acaso, mais que o talento ou o mérito, pôs em suas mãos o destino da humanidade.
Sejam ou não os cidadãos de seu país portadores de uma crença religiosa ou céticos com relação ao tema, nenhum ser humano, em seu juízo são, estaria de acordo com que seus filhos, ou familiares mais próximos, pereçam de forma abrupta ou vítimas de atrozes e torturantes sofrimentos.
Depois dos crimes repugnantes que, com frequência crescente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, sob a égide dos Estados Unidos e dos países mais ricos de Europa, vem cometendo, a atenção mundial se concentrou na reunião do G20, onde se devia analisar a profunda crise econômica que hoje afeta todas as nações. A opinião internacional, e particularmente a europeia, esperava respostas à profunda crise econômica que, com suas profundas implicações sociais, e inclusive climáticas, ameaça todos os habitantes do planeta. Nessa reunião se decidia se o euro podia manter-se como a moeda comum da maior parte da Europa e, inclusive, se alguns países poderiam permanecer dentro da comunidade.
Não houve resposta nem solução alguma para os problemas mais sérios da economia mundial, apesar dos esforços da China, Rússia, Indonésia, África do Sul, Brasil, Argentina e outros de economia emergente, desejosos de cooperar com o resto do mundo na busca de soluções aos graves problemas econômicos que o afetam.
O insólito é que logo que a OTAN desse por concluída a operação na Líbia – depois do ataque aéreo que feriu o chefe constitucional desse país, destruiu o veículo que o transportava e o deixou à mercê dos mercenários do império, que o assassinaram e o exibiram como troféu de guerra, ultrajando costumes e tradições muçulmanas – a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, uma instituição que deveria estar a serviço da paz mundial, lançou um informe político, carimbado e sectário, que põe o mundo à beira da guerra com o emprego de armas nucleares que o império ianque, em aliança com a Grã-Bretanha e Israel, vem preparando minuciosamente contra o Irã.
Depois do "Veni, vidi, vici" do famoso imperador romano há mais de dois mil anos, traduzido para o "vim, vi e morreu" transmitido à opinião pública através de uma importante rede de televisão logo que se tomou conhecimento da morte de Gadafi, as palavras são desnecessárias para qualificar a política dos Estados Unidos.
O que importa agora é a necessidade de criar nos povos uma consciência clara do abismo para onde a humanidade está sendo conduzida. Duas vezes nossa Revolução conheceu riscos dramáticos: em outubro de 1962, o mais crítico de todos, em que a humanidade esteve à beira do holocausto nuclear; e em meados de 1987, quando nossas forças enfrentavam as tropas racistas sul-africanas, dotadas com as armas nucleares que os israelenses as ajudaram a criar.
O xá do Irã também colaborou junto a Israel com o regime racista e fascista sul-africano.
O que é a ONU? – uma organização impulsionada pelos Estados Unidos antes do final da Segunda Guerra Mundial. Essa nação, cujo território estava consideravelmente distante dos cenários de guerra, tinha-se enriquecido enormemente; acumulou 80% do ouro do mundo e, sob a direção de Roosevelt, sincero antifascista, impulsionou o desenvolvimento da arma nuclear que Truman, seu sucessor, oligarca e medíocre, não vacilou em usar contra as cidades indefesas de Hiroshima e Nagasaki, no ano de 1945.
O monopólio do ouro mundial na posse dos Estados Unidos e o prestígio de Roosevelt permitiram o acordo de Bretton Woods, que atribuiu aos Estados Unidos o papel de emitir o dólar como única divisa que se utilizou durante anos no comércio mundial, sem outra limitação que seu respaldo em ouro metálico.
Os Estados Unidos, ao finalizar aquela guerra, eram também o único país que possuía a arma nuclear, privilégio que não vacilou em transmitir a seus aliados e membros do Conselho de Segurança: Grã-Bretanha e França, as duas mais importantes potências coloniais do mundo naquela época.
À URSS, Truman nem sequer informou uma palavra sobre a arma atômica antes de usá-la. A China, então governada pelo general nacionalista, oligárquico e pró-ianque Chiang Kai-shek, não podia ser excluída daquele Conselho de Segurança.
A URSS, golpeada duramente pela guerra, a destruição e a perda de mais de 20 milhões de seus filhos pela invasão nazista, consagrou ingentes recursos econômicos, científicos e humanos para equiparar sua capacidade nuclear com a dos Estados Unidos. Quatro anos depois, em 1949, testou sua primeira arma nuclear; a de hidrogênio, em 1953; e em 1955 seu primeiro megaton. A França dispôs de sua primeira arma nuclear em 1960.
Eram apenas três os países que possuíam a arma nuclear em 1957, quando a ONU, sob a égide ianque, criou a Agência Internacional da Energia Atômica. Alguém imagina que esse instrumento dos Estados Unidos fez algo para advertir o mundo sobre os terríveis riscos a que se exporia a sociedade humana quando Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos e da OTAN, situado em pleno coração das mais importantes reservas do mundo em petróleo e gás, se constituía em perigosa e agressiva potência nuclear?
Suas forças, em cooperação com as tropas coloniais inglesas e francesas, atacaram Port Said quando Abdel Nasser nacionalizou o canal de Suez, propriedade da França, o que obrigou o primeiro-ministro soviético a transmitir um ultimato, exigindo o cessar daquela agressão, que os aliados europeus dos Estados Unidos não tiveram outra alternativa senão acatar.
(Continuará)
Fidel Castro Ruz
12 de novembro de 2011
20h15.
Sinto-me no dever de transmitir àqueles que se ocupam em ler estas reflexões, o critério de que todos, sem exceção, estamos na obrigação de criar consciência acerca dos riscos que a humanidade está correndo de forma inexorável, rumo a uma catástrofe definitiva e total, em consequência das decisões irresponsáveis de políticos a quem o acaso, mais que o talento ou o mérito, pôs em suas mãos o destino da humanidade.
Sejam ou não os cidadãos de seu país portadores de uma crença religiosa ou céticos com relação ao tema, nenhum ser humano, em seu juízo são, estaria de acordo com que seus filhos, ou familiares mais próximos, pereçam de forma abrupta ou vítimas de atrozes e torturantes sofrimentos.
Depois dos crimes repugnantes que, com frequência crescente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, sob a égide dos Estados Unidos e dos países mais ricos de Europa, vem cometendo, a atenção mundial se concentrou na reunião do G20, onde se devia analisar a profunda crise econômica que hoje afeta todas as nações. A opinião internacional, e particularmente a europeia, esperava respostas à profunda crise econômica que, com suas profundas implicações sociais, e inclusive climáticas, ameaça todos os habitantes do planeta. Nessa reunião se decidia se o euro podia manter-se como a moeda comum da maior parte da Europa e, inclusive, se alguns países poderiam permanecer dentro da comunidade.
Não houve resposta nem solução alguma para os problemas mais sérios da economia mundial, apesar dos esforços da China, Rússia, Indonésia, África do Sul, Brasil, Argentina e outros de economia emergente, desejosos de cooperar com o resto do mundo na busca de soluções aos graves problemas econômicos que o afetam.
O insólito é que logo que a OTAN desse por concluída a operação na Líbia – depois do ataque aéreo que feriu o chefe constitucional desse país, destruiu o veículo que o transportava e o deixou à mercê dos mercenários do império, que o assassinaram e o exibiram como troféu de guerra, ultrajando costumes e tradições muçulmanas – a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, uma instituição que deveria estar a serviço da paz mundial, lançou um informe político, carimbado e sectário, que põe o mundo à beira da guerra com o emprego de armas nucleares que o império ianque, em aliança com a Grã-Bretanha e Israel, vem preparando minuciosamente contra o Irã.
Depois do "Veni, vidi, vici" do famoso imperador romano há mais de dois mil anos, traduzido para o "vim, vi e morreu" transmitido à opinião pública através de uma importante rede de televisão logo que se tomou conhecimento da morte de Gadafi, as palavras são desnecessárias para qualificar a política dos Estados Unidos.
O que importa agora é a necessidade de criar nos povos uma consciência clara do abismo para onde a humanidade está sendo conduzida. Duas vezes nossa Revolução conheceu riscos dramáticos: em outubro de 1962, o mais crítico de todos, em que a humanidade esteve à beira do holocausto nuclear; e em meados de 1987, quando nossas forças enfrentavam as tropas racistas sul-africanas, dotadas com as armas nucleares que os israelenses as ajudaram a criar.
O xá do Irã também colaborou junto a Israel com o regime racista e fascista sul-africano.
O que é a ONU? – uma organização impulsionada pelos Estados Unidos antes do final da Segunda Guerra Mundial. Essa nação, cujo território estava consideravelmente distante dos cenários de guerra, tinha-se enriquecido enormemente; acumulou 80% do ouro do mundo e, sob a direção de Roosevelt, sincero antifascista, impulsionou o desenvolvimento da arma nuclear que Truman, seu sucessor, oligarca e medíocre, não vacilou em usar contra as cidades indefesas de Hiroshima e Nagasaki, no ano de 1945.
O monopólio do ouro mundial na posse dos Estados Unidos e o prestígio de Roosevelt permitiram o acordo de Bretton Woods, que atribuiu aos Estados Unidos o papel de emitir o dólar como única divisa que se utilizou durante anos no comércio mundial, sem outra limitação que seu respaldo em ouro metálico.
Os Estados Unidos, ao finalizar aquela guerra, eram também o único país que possuía a arma nuclear, privilégio que não vacilou em transmitir a seus aliados e membros do Conselho de Segurança: Grã-Bretanha e França, as duas mais importantes potências coloniais do mundo naquela época.
À URSS, Truman nem sequer informou uma palavra sobre a arma atômica antes de usá-la. A China, então governada pelo general nacionalista, oligárquico e pró-ianque Chiang Kai-shek, não podia ser excluída daquele Conselho de Segurança.
A URSS, golpeada duramente pela guerra, a destruição e a perda de mais de 20 milhões de seus filhos pela invasão nazista, consagrou ingentes recursos econômicos, científicos e humanos para equiparar sua capacidade nuclear com a dos Estados Unidos. Quatro anos depois, em 1949, testou sua primeira arma nuclear; a de hidrogênio, em 1953; e em 1955 seu primeiro megaton. A França dispôs de sua primeira arma nuclear em 1960.
Eram apenas três os países que possuíam a arma nuclear em 1957, quando a ONU, sob a égide ianque, criou a Agência Internacional da Energia Atômica. Alguém imagina que esse instrumento dos Estados Unidos fez algo para advertir o mundo sobre os terríveis riscos a que se exporia a sociedade humana quando Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos e da OTAN, situado em pleno coração das mais importantes reservas do mundo em petróleo e gás, se constituía em perigosa e agressiva potência nuclear?
Suas forças, em cooperação com as tropas coloniais inglesas e francesas, atacaram Port Said quando Abdel Nasser nacionalizou o canal de Suez, propriedade da França, o que obrigou o primeiro-ministro soviético a transmitir um ultimato, exigindo o cessar daquela agressão, que os aliados europeus dos Estados Unidos não tiveram outra alternativa senão acatar.
(Continuará)
Fidel Castro Ruz
12 de novembro de 2011
20h15.
Cinismo genocida - (Segunda e última parte)
Para termos uma ideia do potencial da URSS em seus esforços para manter a paridade com os Estados Unidos nesta esfera, basta assinalar que quando se produziu sua desintegração, em 1991, na Bielorrúsia havia 81 ogivas nucleares, no Cazaquistão 1.400 e na Ucrânia aproximadamente 5 mil, as quais passaram à Federação Russa, único Estado capaz de sustentar seu imenso custo, para manter a independência.
Em virtude dos tratados START e SORT sobre a redução de armas ofensivas, assinados entre as duas grandes potências nucleares, o número destas se reduziu para vários milhares.
Em 2010, foi assinado um novo Tratado deste tipo entre ambas as potências.
Desde então, os maiores esforços foram consagrados ao aperfeiçoamento dos meios de direção, alcance, precisão e engano da defesa adversária. Imensas quantias são investidas na esfera militar.
Muito poucos no mundo, salvo raros pensadores e cientistas, se dão conta e advertem de que bastaria a explosão de 100 armas nucleares estratégicas para pôr fim à existência humana no planeta. A imensa maioria teria um fim tão inexorável como horrível, em consequência do inverno nuclear que seria gerado.
O número de países que possuem armas nucleares, neste momento se eleva a oito, cinco deles são membros do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, e China. Índia e Paquistão adquiriram o caráter de países possuidores de armas nucleares, em 1974 e 1998, respectivamente. Os sete mencionados reconhecem esse caráter.
Israel, ao avesso, nunca reconheceu seu caráter de país nuclear. Contudo, calcula-se que possui entre 200 e 500 armas desse tipo, ficando indiferente quando o mundo se inquieta pelos gravíssimos problemas que ocorreriam, em decorrência da eclosão de uma guerra, na região onde se produz grande parte da energia que move a indústria e a agricultura do planeta.
Graças à posse das armas de destruição em massa é que Israel pôde desempenhar seu papel como instrumento do imperialismo e do colonialismo, nessa região do Oriente Médio.
Não se trata do direito legítimo do povo israelense a viver e trabalhar em paz e liberdade, se trata precisamente do direito dos demais povos da região à liberdade e à paz.
Enquanto Israel criava aceleradamente um arsenal nuclear, atacou e destruiu, em 1981, o reator nuclear iraquiano de Osirak. Fez exatamente o mesmo com o reator sírio, em Dayr az-Zawr, no ano de 2007, um fato sobre o qual estranhamente a opinião pública mundial não foi informada. As Nações Unidas e a AIEA conheciam perfeitamente o ocorrido. Tais ações contavam com o apoio dos Estados Unidos e da Aliança Atlântica.
Nada tem de estranho que as mais altas autoridades de Israel proclamem agora sua intenção de fazer o mesmo com o Irã. Esse país, imensamente rico em petróleo e gás, tinha sido vítima das conspirações da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, cujas empresas petrolíferas saqueavam seus recursos. Suas forças armadas foram equipadas com o armamento mais moderno da indústria bélica dos Estados Unidos.
O xá Reza Pahlevi também aspirava a dotar-se de armas nucleares. Ninguém atacava seus centros de pesquisas. A guerra de Israel era contra os muçulmanos árabes. Os do Irã não, porque tinham se transformado em um baluarte da OTAN, que apontava suas armas para o coração da URSS.
As massas dessa nação, profundamente religiosas, sob a direção do aiatolá Khomeini, desafiando o poder daquelas armas, desalojaram o xá do trono e desarmaram um dos exércitos melhor equipados do mundo sem disparar um tiro.
Por sua capacidade de luta, o número de habitantes e a extensão do país, uma agressão ao Irã não guarda semelhança com as aventuras bélicas de Israel no Iraque e na Síria. Uma sangrenta guerra se desencadearia inevitavelmente. Sobre isso não deve haver nenhuma dúvida.
Israel dispõe de um elevado número de armas nucleares e da capacidade de fazê-las chegar a qualquer ponto da Europa, Ásia, África e Oceania. Eu me pergunto: A AIEA tem o direito moral de sancionar e asfixiar um país, se tenta fazer em sua própria defesa o que Israel fez no coração do Oriente Médio?
Penso realmente que nenhum país do mundo deve possuir armas nucleares e que essa energia deve ser posta a serviço da espécie humana. Sem esse espírito de cooperação a humanidade marcha inexoravelmente rumo a sua própria destruição. Entre os próprios cidadãos de Israel, um povo sem dúvida laborioso e inteligente, muitos não estarão de acordo com essa disparatada e absurda política que também os leva ao desastre total.
De que se fala hoje no mundo acerca da situação econômica?
As agências internacionais de noticias informam que "O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu par chinês, Hu Jintao, apresentaram agendas comerciais divergentes […] ressaltando as crescentes tensões entre as duas maiores economias do mundo."
"Obama usou seu discurso ― afirma a agência Reuters ― para ameaçar a China com sanções econômicas, a menos que comece a ‘jogar segundo as regras do jogo’…". Tais regras são, sem dúvida, os interesses dos Estados Unidos.
"Obama ― afirma a agência ― está envolvido na batalha pela reeleição, no próximo ano, e seus opositores republicanos o acusam de não ser suficientemente severo com a China."
As notícias publicadas na quinta-feira e sexta-feira últimas, refletiam muito melhor as realidades que estamos vivendo.
A agência estadunidense AP, a melhor informada desse país, comunicou: "O líder supremo iraniano advertiu os Estados Unidos e Israel de que a resposta do Irã será enérgica se seus arqui-inimigos lançarem um ataque militar ao Irã…"
A agência noticiosa alemã informou que a China tinha declarado que, como sempre, acreditava que o diálogo e a cooperação eram a única forma de aproximação ativa para resolver o problema.
A Rússia se opôs igualmente às medidas punitivas contra o Irã.
A Alemanha rechaçou a opção militar, mas se mostrou partidária de fortes sanções contra o Irã.
O Reino Unido e a França defendem fortes e enérgicas sanções.
A Federação Russa assegurou que fará todo o possível para evitar uma operação militar contra o Irã e criticou o informe da AIEA.
"‘Uma operação militar contra o Irã pode acarretar graves consequências e a Rússia terá que fazer tudo de sua parte para aplacar os ânimos’, afirmou Contantín Cosakov, chefe da comissão das Relações Exteriores da Duma" (Parlamento) e criticou, segundo a agência Efe, "as afirmações por parte dos Estados Unidos, França e Israel sobre o possível uso da força e de que o lançamento de uma operação militar contra o Irã está cada vez mais próxima".
O editor da revista estadunidense Executive Intelligence Review, Edward Spannaus, declarou que o ataque contra o Irã desencadeará a Terceira Guerra Mundial.
O próprio secretário da Defesa dos Estados Unidos, depois de viajar a Israel, há alguns dias, reconheceu que não pôde obter do governo israelense um compromisso de se consultar previamente com os Estados Unidos sobre um ataque contra o Irã. Chegou-se a esses extremos.
O subsecretário de Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos desvelou cruamente os obscuros propósitos do império:
"Israel e Estados Unidos se envolverão nas manobras conjuntas ‘mais importantes’ e ‘de maior transcendência’ da história dos aliados, declarou no sábado (12) Andrew Shapiro, subsecretário dos Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos".
"…no […] Instituto Washington para a Política do Oriente Médio, Shapiro anunciou que participarão nas manobras mais de 5 mil efetivos das forças armadas estadunidenses e israelenses e simularão a defesa de mísseis balísticos de Israel".
"‘A tecnologia israelense é essencial para melhorar nossa segurança nacional e proteger nossas tropas’, acrescentou…"
"Shapiro destacou o apoio do governo de Obama a Israel, apesar dos comentários da sexta-feira por parte de um alto funcionário estadunidense que expressou sua preocupação de que Israel não avisasse os Estados Unidos, antes de levar a cabo uma ação militar contra as instalações nucleares do Irã."
"Nossa relação com a segurança de Israel é mais ampla, mais profunda e mais intensa do que nunca antes."
"‘Apoiamos Israel porque é de nosso interesse nacional fazê-lo’ […] É a pura força militar de Israel o que dissuade os possíveis agressores e ajuda a fomentar a paz e a estabilidade."
Hoje, 13 de novembro, a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, disse à rede BBC que a possibilidade de uma intervenção militar no Irã não só não está fora da mesa, mas é uma opção real que está crescendo, por culpa do comportamento iraniano.
Ele insistiu em que a administração norte-americana está chegando à conclusão de que será necessário acabar com o atual regime do Irã para evitar que este crie um arsenal nuclear. "Estou convencida de que a mudança de regime vai ser a nossa única opção aqui", reconheceu Rice.
Não é necessário nem uma palavra mais.
Fidel Castro Ruz
13 de novembro de 2011
20h17
Em virtude dos tratados START e SORT sobre a redução de armas ofensivas, assinados entre as duas grandes potências nucleares, o número destas se reduziu para vários milhares.
Em 2010, foi assinado um novo Tratado deste tipo entre ambas as potências.
Desde então, os maiores esforços foram consagrados ao aperfeiçoamento dos meios de direção, alcance, precisão e engano da defesa adversária. Imensas quantias são investidas na esfera militar.
Muito poucos no mundo, salvo raros pensadores e cientistas, se dão conta e advertem de que bastaria a explosão de 100 armas nucleares estratégicas para pôr fim à existência humana no planeta. A imensa maioria teria um fim tão inexorável como horrível, em consequência do inverno nuclear que seria gerado.
O número de países que possuem armas nucleares, neste momento se eleva a oito, cinco deles são membros do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, e China. Índia e Paquistão adquiriram o caráter de países possuidores de armas nucleares, em 1974 e 1998, respectivamente. Os sete mencionados reconhecem esse caráter.
Israel, ao avesso, nunca reconheceu seu caráter de país nuclear. Contudo, calcula-se que possui entre 200 e 500 armas desse tipo, ficando indiferente quando o mundo se inquieta pelos gravíssimos problemas que ocorreriam, em decorrência da eclosão de uma guerra, na região onde se produz grande parte da energia que move a indústria e a agricultura do planeta.
Graças à posse das armas de destruição em massa é que Israel pôde desempenhar seu papel como instrumento do imperialismo e do colonialismo, nessa região do Oriente Médio.
Não se trata do direito legítimo do povo israelense a viver e trabalhar em paz e liberdade, se trata precisamente do direito dos demais povos da região à liberdade e à paz.
Enquanto Israel criava aceleradamente um arsenal nuclear, atacou e destruiu, em 1981, o reator nuclear iraquiano de Osirak. Fez exatamente o mesmo com o reator sírio, em Dayr az-Zawr, no ano de 2007, um fato sobre o qual estranhamente a opinião pública mundial não foi informada. As Nações Unidas e a AIEA conheciam perfeitamente o ocorrido. Tais ações contavam com o apoio dos Estados Unidos e da Aliança Atlântica.
Nada tem de estranho que as mais altas autoridades de Israel proclamem agora sua intenção de fazer o mesmo com o Irã. Esse país, imensamente rico em petróleo e gás, tinha sido vítima das conspirações da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, cujas empresas petrolíferas saqueavam seus recursos. Suas forças armadas foram equipadas com o armamento mais moderno da indústria bélica dos Estados Unidos.
O xá Reza Pahlevi também aspirava a dotar-se de armas nucleares. Ninguém atacava seus centros de pesquisas. A guerra de Israel era contra os muçulmanos árabes. Os do Irã não, porque tinham se transformado em um baluarte da OTAN, que apontava suas armas para o coração da URSS.
As massas dessa nação, profundamente religiosas, sob a direção do aiatolá Khomeini, desafiando o poder daquelas armas, desalojaram o xá do trono e desarmaram um dos exércitos melhor equipados do mundo sem disparar um tiro.
Por sua capacidade de luta, o número de habitantes e a extensão do país, uma agressão ao Irã não guarda semelhança com as aventuras bélicas de Israel no Iraque e na Síria. Uma sangrenta guerra se desencadearia inevitavelmente. Sobre isso não deve haver nenhuma dúvida.
Israel dispõe de um elevado número de armas nucleares e da capacidade de fazê-las chegar a qualquer ponto da Europa, Ásia, África e Oceania. Eu me pergunto: A AIEA tem o direito moral de sancionar e asfixiar um país, se tenta fazer em sua própria defesa o que Israel fez no coração do Oriente Médio?
Penso realmente que nenhum país do mundo deve possuir armas nucleares e que essa energia deve ser posta a serviço da espécie humana. Sem esse espírito de cooperação a humanidade marcha inexoravelmente rumo a sua própria destruição. Entre os próprios cidadãos de Israel, um povo sem dúvida laborioso e inteligente, muitos não estarão de acordo com essa disparatada e absurda política que também os leva ao desastre total.
De que se fala hoje no mundo acerca da situação econômica?
As agências internacionais de noticias informam que "O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu par chinês, Hu Jintao, apresentaram agendas comerciais divergentes […] ressaltando as crescentes tensões entre as duas maiores economias do mundo."
"Obama usou seu discurso ― afirma a agência Reuters ― para ameaçar a China com sanções econômicas, a menos que comece a ‘jogar segundo as regras do jogo’…". Tais regras são, sem dúvida, os interesses dos Estados Unidos.
"Obama ― afirma a agência ― está envolvido na batalha pela reeleição, no próximo ano, e seus opositores republicanos o acusam de não ser suficientemente severo com a China."
As notícias publicadas na quinta-feira e sexta-feira últimas, refletiam muito melhor as realidades que estamos vivendo.
A agência estadunidense AP, a melhor informada desse país, comunicou: "O líder supremo iraniano advertiu os Estados Unidos e Israel de que a resposta do Irã será enérgica se seus arqui-inimigos lançarem um ataque militar ao Irã…"
A agência noticiosa alemã informou que a China tinha declarado que, como sempre, acreditava que o diálogo e a cooperação eram a única forma de aproximação ativa para resolver o problema.
A Rússia se opôs igualmente às medidas punitivas contra o Irã.
A Alemanha rechaçou a opção militar, mas se mostrou partidária de fortes sanções contra o Irã.
O Reino Unido e a França defendem fortes e enérgicas sanções.
A Federação Russa assegurou que fará todo o possível para evitar uma operação militar contra o Irã e criticou o informe da AIEA.
"‘Uma operação militar contra o Irã pode acarretar graves consequências e a Rússia terá que fazer tudo de sua parte para aplacar os ânimos’, afirmou Contantín Cosakov, chefe da comissão das Relações Exteriores da Duma" (Parlamento) e criticou, segundo a agência Efe, "as afirmações por parte dos Estados Unidos, França e Israel sobre o possível uso da força e de que o lançamento de uma operação militar contra o Irã está cada vez mais próxima".
O editor da revista estadunidense Executive Intelligence Review, Edward Spannaus, declarou que o ataque contra o Irã desencadeará a Terceira Guerra Mundial.
O próprio secretário da Defesa dos Estados Unidos, depois de viajar a Israel, há alguns dias, reconheceu que não pôde obter do governo israelense um compromisso de se consultar previamente com os Estados Unidos sobre um ataque contra o Irã. Chegou-se a esses extremos.
O subsecretário de Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos desvelou cruamente os obscuros propósitos do império:
"Israel e Estados Unidos se envolverão nas manobras conjuntas ‘mais importantes’ e ‘de maior transcendência’ da história dos aliados, declarou no sábado (12) Andrew Shapiro, subsecretário dos Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos".
"…no […] Instituto Washington para a Política do Oriente Médio, Shapiro anunciou que participarão nas manobras mais de 5 mil efetivos das forças armadas estadunidenses e israelenses e simularão a defesa de mísseis balísticos de Israel".
"‘A tecnologia israelense é essencial para melhorar nossa segurança nacional e proteger nossas tropas’, acrescentou…"
"Shapiro destacou o apoio do governo de Obama a Israel, apesar dos comentários da sexta-feira por parte de um alto funcionário estadunidense que expressou sua preocupação de que Israel não avisasse os Estados Unidos, antes de levar a cabo uma ação militar contra as instalações nucleares do Irã."
"Nossa relação com a segurança de Israel é mais ampla, mais profunda e mais intensa do que nunca antes."
"‘Apoiamos Israel porque é de nosso interesse nacional fazê-lo’ […] É a pura força militar de Israel o que dissuade os possíveis agressores e ajuda a fomentar a paz e a estabilidade."
Hoje, 13 de novembro, a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, disse à rede BBC que a possibilidade de uma intervenção militar no Irã não só não está fora da mesa, mas é uma opção real que está crescendo, por culpa do comportamento iraniano.
Ele insistiu em que a administração norte-americana está chegando à conclusão de que será necessário acabar com o atual regime do Irã para evitar que este crie um arsenal nuclear. "Estou convencida de que a mudança de regime vai ser a nossa única opção aqui", reconheceu Rice.
Não é necessário nem uma palavra mais.
Fidel Castro Ruz
13 de novembro de 2011
20h17
domingo, 27 de novembro de 2011
Ato em homenagem a Convergência Socialista emociona
A emoção tomou conta do ato público em homenagem aos militantes da Convergência Socialista que foram perseguidos e presos pela ditadura militar. O ato, que lotou o Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa de São Paulo na noite desse 17 de novembro, também reivindica reparação e Justiça aos militantes perseguidos da extinta organização. A atividade, que contou com mais de 250 pessoas, teve o apoio do deputado estadual Carlos Gianazzi do PSOL de São Paulo.
Bernardo Cerdeira, ex-editor do jornal Convergência Socialista e ex-preso político, explicou a motivação do ato. “Esse ato se insere nas comemorações dos 10 anos da Comissão de Anistia e é também uma homenagem aos militantes mortos, presos, demitidos, perseguidos pela ditadura,”, lembrando que a antiga organização fez parte da história da luta contra o regime de exceção.
Bernardo lembrou da ocupação do campus da USP pela PM, como prova da manutenção dos aparatos de repressão da ditadura militar e disse: “defender que a Verdade venha à tona, que se possa reconstituir a memória das vítimas desta perseguição, que haja Justiça e punição aos torturadores e assassinos, não é um exercício de nostalgia. É uma iniciativa para que isso nunca mais volte a acontecer em nossa história para que não haja torturas nem criminalização dos movimentos sociais”, sendo bastante aplaudido.
Também dirigiu uma critica contundente ao governo do PT que até hoje se recusa a abrir todos os arquivos secretos da ditadura. “Só pode haver uma verdade se os documentos forem abertos sem segredo de Estado” .
A Comissão da Verdade foi alvo de quase todos os oradores. A maior parte da criticas são dirigidas ao caráter totalmente limitado que não prever a possibilidade de punir os torturadores. “Uma verdadeira Comissão da Verdade indicia processa e pune os torturadores da ditadura” , avalia Bernardo Cerdeira.
Mas o momento de maior emoção no ato foi quando os presos políticos da CS foram chamados para frente da mesa. Lá estavam os ex-presos políticos da antiga Liga Operária e da Convergência Socialista que sofreram torturas e perseguições sob o regime militar
Na história desta repressão destacam-se duas operações movidas pelos órgãos de segurança. A primeira, em maio de 1977 contra a Liga Operária, que resultou em prisões e torturas dos militantes políticos. A segunda foi em agosto de 1978, quando a repressão coloca em prática a “Operação Lótus” e prende a direção da CS, além de três militantes estrangeiros, entre eles Nahuel Moreno. Toda história é contada em um documentário sobre as perseguições dos militantes da CS. O documentário foi exibido durante o ato e emocionou muitos ativistas.
Mais de 150 militantes da CS foram presos e enquadrados pela Lei de Segurança Nacional. Calcula-se que pelo menos 100 ativistas foram demitidos em razão de seus empregos devido a perseguição política. Hoje, uma Comissão de ex-presos e perseguidos políticos destas antigas organizações, que reúne 75 pessoas, reivindicam justiça e reparações junto ao Estado brasileiro.
Em sua fala, Agmar Oliveira, vice-presidente da Comissão Nacional de Anistia, explicou que os trabalhos desenvolvidos pela comissão nestes 10 anos correm o risco de paralisia. Por isso alertou: “É necessário uma pressão maior sobre a Comissão da Anistia e sobre o Ministério da Justiça para que sejam julgados os 6 mil processos que ainda precisam ser julgados” . O advogado ainda completou: “Não é demérito nenhum ser anistiado. O Estado brasileiro tem uma dívida com aqueles que litaram e foram torturados ou assassinados”, disse.
Márcia Basseto Paes, presa em 1977 por distribuir panfletos do 1° de maio, emocionou o plenário ao relatar sua experiência no cárcere ao lado de Zé Maria de Almeida e Celso Bambrila. Incomunicáveis, os presos corriam risco de morte nas mãos da polícia, que até então não reconhecia as prisões. Foi quando um grupo de operários foi a uma assembleia de estudantes na USP para denunciar as prisões. O fato levou o movimento estudantil às ruas, produzindo a maior mobilização contra a ditadura desde 1968. “Os companheiros tiveram muita coragem para ir à USP pedir liberdades democráticas e a nossa libertação. E isso não era fácil naquela época. Eu tenho certeza que se não fosse isso a gente não estaria mais aqui”, disse. Ela arrancou aplausos do plenário quando denunciou o papel do ex-senador Romeu Tuma, como um dos chefes da repressão durante a ditadura. “Tuma foi um torturador sim!”, disse sob aplausos.
Finalizando o ato e com a voz embargada, Zé Maria de Almeida criticou o governo por “blindar” os torturados da ditadura com a Comissão da Verdade. “Nós temos uma dívida com aqueles que não estão mais entre nós. Devemos isso para aqueles que morreram na luta. A presidente Dilma foi torturada, mas seu governo impede a punição e o esclarecimento dos crimes da ditadura”, criticou.
Bernardo Cerdeira, ex-editor do jornal Convergência Socialista e ex-preso político, explicou a motivação do ato. “Esse ato se insere nas comemorações dos 10 anos da Comissão de Anistia e é também uma homenagem aos militantes mortos, presos, demitidos, perseguidos pela ditadura,”, lembrando que a antiga organização fez parte da história da luta contra o regime de exceção.
Bernardo lembrou da ocupação do campus da USP pela PM, como prova da manutenção dos aparatos de repressão da ditadura militar e disse: “defender que a Verdade venha à tona, que se possa reconstituir a memória das vítimas desta perseguição, que haja Justiça e punição aos torturadores e assassinos, não é um exercício de nostalgia. É uma iniciativa para que isso nunca mais volte a acontecer em nossa história para que não haja torturas nem criminalização dos movimentos sociais”, sendo bastante aplaudido.
Também dirigiu uma critica contundente ao governo do PT que até hoje se recusa a abrir todos os arquivos secretos da ditadura. “Só pode haver uma verdade se os documentos forem abertos sem segredo de Estado” .
A Comissão da Verdade foi alvo de quase todos os oradores. A maior parte da criticas são dirigidas ao caráter totalmente limitado que não prever a possibilidade de punir os torturadores. “Uma verdadeira Comissão da Verdade indicia processa e pune os torturadores da ditadura” , avalia Bernardo Cerdeira.
Mas o momento de maior emoção no ato foi quando os presos políticos da CS foram chamados para frente da mesa. Lá estavam os ex-presos políticos da antiga Liga Operária e da Convergência Socialista que sofreram torturas e perseguições sob o regime militar
Na história desta repressão destacam-se duas operações movidas pelos órgãos de segurança. A primeira, em maio de 1977 contra a Liga Operária, que resultou em prisões e torturas dos militantes políticos. A segunda foi em agosto de 1978, quando a repressão coloca em prática a “Operação Lótus” e prende a direção da CS, além de três militantes estrangeiros, entre eles Nahuel Moreno. Toda história é contada em um documentário sobre as perseguições dos militantes da CS. O documentário foi exibido durante o ato e emocionou muitos ativistas.
Mais de 150 militantes da CS foram presos e enquadrados pela Lei de Segurança Nacional. Calcula-se que pelo menos 100 ativistas foram demitidos em razão de seus empregos devido a perseguição política. Hoje, uma Comissão de ex-presos e perseguidos políticos destas antigas organizações, que reúne 75 pessoas, reivindicam justiça e reparações junto ao Estado brasileiro.
Em sua fala, Agmar Oliveira, vice-presidente da Comissão Nacional de Anistia, explicou que os trabalhos desenvolvidos pela comissão nestes 10 anos correm o risco de paralisia. Por isso alertou: “É necessário uma pressão maior sobre a Comissão da Anistia e sobre o Ministério da Justiça para que sejam julgados os 6 mil processos que ainda precisam ser julgados” . O advogado ainda completou: “Não é demérito nenhum ser anistiado. O Estado brasileiro tem uma dívida com aqueles que litaram e foram torturados ou assassinados”, disse.
Márcia Basseto Paes, presa em 1977 por distribuir panfletos do 1° de maio, emocionou o plenário ao relatar sua experiência no cárcere ao lado de Zé Maria de Almeida e Celso Bambrila. Incomunicáveis, os presos corriam risco de morte nas mãos da polícia, que até então não reconhecia as prisões. Foi quando um grupo de operários foi a uma assembleia de estudantes na USP para denunciar as prisões. O fato levou o movimento estudantil às ruas, produzindo a maior mobilização contra a ditadura desde 1968. “Os companheiros tiveram muita coragem para ir à USP pedir liberdades democráticas e a nossa libertação. E isso não era fácil naquela época. Eu tenho certeza que se não fosse isso a gente não estaria mais aqui”, disse. Ela arrancou aplausos do plenário quando denunciou o papel do ex-senador Romeu Tuma, como um dos chefes da repressão durante a ditadura. “Tuma foi um torturador sim!”, disse sob aplausos.
Finalizando o ato e com a voz embargada, Zé Maria de Almeida criticou o governo por “blindar” os torturados da ditadura com a Comissão da Verdade. “Nós temos uma dívida com aqueles que não estão mais entre nós. Devemos isso para aqueles que morreram na luta. A presidente Dilma foi torturada, mas seu governo impede a punição e o esclarecimento dos crimes da ditadura”, criticou.
“Liberdade de imprensa”?
Esta aconteceu em Washington e mostra que “liberdade de imprensa” é uma expressão que os estadunidenses só usam quando interessa a eles, mas lá a coisa é diferente.
O fato aconteceu com o jornalista independente Sam Husseini que compareceu a uma coletiva do príncipe Turki al-Faisal, da Arábia Saudita (grande aliada dos EUA), no Clube Nacional de Imprensa de Washington. Ele aguardou pacientemente sua vez para fazer uma pergunta ao príncipe e perguntou: “que legitimidade tem o seu regime, caro senhor. O senhor se apresenta entre nós como representante de um dos regimes mais autocráticos do planeta (...). Que legitimidade tem o seu regime, além de bilhões de dólares e armas?”
O príncipe não respondeu, mas o governo dos EUA respondeu. No mesmo dia, Sam Husseini recebeu uma carta informando que estava suspenso do Clube Nacional de Imprensa.
Ernesto Germano
O fato aconteceu com o jornalista independente Sam Husseini que compareceu a uma coletiva do príncipe Turki al-Faisal, da Arábia Saudita (grande aliada dos EUA), no Clube Nacional de Imprensa de Washington. Ele aguardou pacientemente sua vez para fazer uma pergunta ao príncipe e perguntou: “que legitimidade tem o seu regime, caro senhor. O senhor se apresenta entre nós como representante de um dos regimes mais autocráticos do planeta (...). Que legitimidade tem o seu regime, além de bilhões de dólares e armas?”
O príncipe não respondeu, mas o governo dos EUA respondeu. No mesmo dia, Sam Husseini recebeu uma carta informando que estava suspenso do Clube Nacional de Imprensa.
Ernesto Germano
Assinar:
Postagens (Atom)