Ouvir as vozes da América, continente que testemunhou mais de 500 anos de exploração. Deixem os gritos dos excluídos entrar em suas almas e verão que o sangue derramado em nossos campos não fertilizaram a terra, que a soberba dos imperialistas se camufla em guerras ou globalização, que nosso povo pagou com suas vidas o alto preço dos lucros. A literatura e história são as nossas armas e com elas, havemos de continuar resistindo, recriando a latinidade.
domingo, 18 de novembro de 2007
Patético I
Para que os países convidados sejam efetivados, quem vota contra ou a favor, é o parlamento dos países membros do Mercosul e aí começa o problema. Os deputados brasileiros estavam demorando demais para aceitar a Venezuela, quando o Presidente Hugo Chavéz revelou aquilo que todos sabem, mas poucos gostam de ouvir, "o parlamento brasileiro é marionete dos interesses dos EUA, por isto, hesitam em aceitar a Venezuela como membro do Mercosul". Pronto, fez-se a discórdia. Respostas oficiais de um lado, contra resposta do outro, muita bobagem na imprensa (vendida aos EUA) no Brasil, algumas capas da Veja, Época, e aberrações do gênero.
Até que, o crédulo parlamento brasileiro, escolheu para ser o relator do parecer sobre a Venezuela, o representante máximo de sua credibilidade, o incontestável, ilibado, honestíssimo... Deputado Paulo Salim MALUF!? Isto mesmo, o velho Maluf, aquele que teve contas (no plural por favor) descobertas no exterior e que não condizem com seus rendimentos, aquele que responde a processos por lavagem de dinheiro e evasão de divisas no exterior, mas que no Brasil é tratado por Vossa Excelência.
O patético foi ver o deputado Maluf, dizer que Hugo Chavéz é um "ditador", que " o presidente da Venezuela não merece o cargo que ocupa", que "é um mal a ser combatido" e ...
Bem, primeiro que de ditadura, devo admitir, o Maluf entende, pois foi prefeito biônico de São Paulo e governador biônico do Estado de São Paulo nos tenebrosos tempos da ditadura militar. Serviu como um bom lacaio aos ditadores e fez fortuna nesse tempo, daí não poder esclarecer a origem suja de seu dinheiro. Foi ele, quando prefeito pela ARENA partido dos militares golpistas, quem presenteou cada jogador brasileiro campeão da copa do mundo de 1970 no México, com um fusca, mas com dinheiro público claro.
E, assim, depois de dizer o que quis do presidente da Venezuela com o silêncio complacente dos meios de comunicação de massa do Brasil, terminou seu relatório dizendo que aceita a Venezuela no Mercosul. Estranho? Não, petróleo.
Patético - II
Não bastasse o ridículo de ver um ladrão do colarinho branco, réu confesso, solto pelas ruas e invadindo nossas casas sem a menor cerimônia, depois de assumir ter recebido propina de dinheiro público, conhecido como "mensalão" e nada ter sido feito na área criminal contra este "cidadão" (sim, cidadão, pois se fosse pobre, negro, nordestino e tivesse roubado um banco ou uma carteira, já tinha levado porrada, apareceria na mesma televisão nos programas sensacionalistas que gostam de humilhar pessoas ao vivo com truculência jornalística e estaria justificando o discurso de pena de morte nas vozes ofegantes e vingativas de uma classe média sem rumo), o ex-deputado, aliado de sempre do ex-presidente Collor (sem comentários por enquanto), ex-membro da base aliada de FHC, ex- aliado de Lula, vem a público para defender a invasão dos EUA ao Iraque e propor, nas entrelinhas, que o Brasil deveria fazer o mesmo para garantir seus interesses na Bolívia???!!!
Ao se pronunciar no programa eleitoral de seu partido, afirmou: "Bu$h e Blair invadiram o Iraque para assegurar o petróleo para seus povos. A Bolívia quebrou o contrato com a Petrobrás e o governo brasileiro nada fez para impedir a ação do Presidente Morales. O Brasil precisa de um governo forte..."
Oportunista, faz apologia a uma guerra contra nossos vizinhos bolivianos, que sofreram como nós uma invasão ibérica por mais de 4 séculos. Perderam quase tudo, menos o gás e a dignidade. Hoje resistem e tentam fazer de suas riquezas, alavancas, para um crescimento econômico que só chegou no século XXI, quando um novo índio, voltou ao poder, como antes de Colombo, e tentam reescrever a história na esperança de recuperar os 516 anos perdidos.
Deu até no Jornal Nacional
Pois é, na edição deste dia 17, do jornal televisivo mais asistido do país, em meio a um fogo cruzado e sem sentido contra a Bolívia do índio Morales e do bolivariano Chavéz da Vanezuela, eis a constatação do irrefutável. Ônibus lotados de velhinhos esperançosos partem do Brasil em direção da Bolívia, atravessam a fronteira e vão parar em pequenas cidades que, quase sem nenhuma estrutura, recebem as caravanas de enfermos dos olhos.
Buscam operar cataratas, ou quaisquer soluções para seus crônicos problemas oftalmológicos que o sistema de saúde brasileiro não consegue dar soluções. E o melhor: inteiramente de graça, até mesmo para estrangeiros como o caso relatado por este comunicador de massa global.
Pois é caros amigos, o índio Evo Morales fez um acordo com o maior sistema de saúde da América Latina - Cuba - e são os médicos cubanos que atendem as espectativas e esperanças de "uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta". Mas saem da Bolívia com o alívio que não recebem pela máfia do sistema privado de "sanguessugas" na área de saúde e tampouco no público, refém que virou dos interesses desses inescrupulosos planos de saúde.
Vida longa a esta nova Bolívia! Vida longa a Cuba e seu combalido, mas não derrotado, socialismo!
A ironia é que os olhos que não querem enxergar que as contradições do capitalismo nos obrigam a procurar soluções nos países vizinhos, foram curados por aqueles que nos são mostrados como sendo do "eixo do mal", é assim que os vemos.
Agora que podemos ver, só nos falta enxergar.
sábado, 3 de novembro de 2007
Invisível, simples e com grande valor - Dido, um suburbano.
E por incrível que pareça, hoje, dia 03 de Novembro, já início do próximo vencimento, ainda tem R$ 50,00 guardados, ou 5o "mil réis" como gosta de chamar o homem que parece ter vindo do século XV.
Vive de escambo, não se importa com a idade, não conta as horas e não dá a mínima com o que escrevo aqui. Mas tem uma coisa que estamos todos perdendo: este homem, dá um enorme valor ao outro, tirando de seu barraco a comida que lhe fará falta, para dar para os amigos que ainda têm menos do que ele.
Para muitos ele é um bobo na Corte, mas de fato, é um anônimo herói brasileiro, sem nome, sem face, sem história, sem medalhas, sem títulos, mas solidário.
ONU: 188 votos pelo reparo de uma injustiça x 4 votos à favor da injustiça. Vitória do DEMOcracia
Dos 192 países membros desta organização, apenas 4 votaram a favor da manutenção desta brutalidade: Os EUA por razões históricas e visceráis. Israel por ser o fiel cão de guerra no Oriente, lacaio dos interesses estadunidenses para assuntos de morte aos palestinos; As Ilhas Marshall e Palau, por razões tão desconhecidas quanto as suas localizações no mapa político munidal.
O que se sabe é que o Império do Norte se gaba mundo a fora, através dos mais diversos meios ideológicos, de ser a "maior democracia" do planeta e quando a máscara cai... vemos a farsa da democracia descortinando a espécie ditatorial travestida de liberdade. Mais um papelão do Tio Sam e seus capachos.
Para os meios de comunicação conservadores do Brasil ficam umas perguntinhas: Quem é o ditador, Fidel ou Bush? Onde temos uma ditadura, em Cuba ou nos EUA? Quando a imprensa burguesa vai tratar o terrível embargo econômico à Cuba como crime contra a humanidade, uma vez que desde 1959 todos os países que fazem comércio com os EUA estão proibidos de comercializarem com Cuba?
E o descalábrio parece não ter fim. Bu$h classificou Cuba como "Gulag tropical"!!?? Para quem não sabe, Gulag era uma prisão para trabalhos forçados na Sibéria, nos sombrios tempos de Stálin na URSS, onde o tirano disfaçado de líder mundial do comunismo, mantinha presos políticos até a morte, inclusive os comunistas anti-stalinistas. Pois é, em Cuba há um Gulag, mas não é cubano!!!
A base militar dos EUA em Guantánamo é um presídio onde centenas de presos políticos já passaram e morreram por lá. Hoje, repleto de árabes que ousaram lutar contra a invasão dos EUA no Oriente Médio. Guantánamo fere todos os preceitos de direitos humanos e convenções militares de guerra, mas curiosamente, ninguém dá àquele inferno o tratamento e os adjetivos que merece. Qual seria a razão? Perguntaria, já sabendo a resposta, qualquer pessoa dotada de um mínimo de senso crítico e humanitário.
Falar de democracia é fácil; ser o senhor da guerra é fácil; invadir o Oriente Médio armando covardemente Israel para os seus interesses é fácil; vender a imagem de país referência do mundo com essa imprensa vendida aos seus caprichos é fácil; crescer economicamente as custas de duas guerras mundiais, uma guerra fria, e mais dezenas de outras guerras continentais para aquecer o mercado de armas e a indústria bélica é fácil; difícil, pequeno Bu$h, é conviver com uma proibição comercial-econômica desde 1959 e ainda ser espelho para o mundo quanto educação, saúde e independência, provando que um outro mundo é possível, sem dominadores e dominados. Isto talvez vocês não entendam nunca.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
A Igreja Católica e o conservadorismo que se afastam dos ideais de Jesus Cristo - Parte II

"Devemos nos indagar se a perseguição do nazismo contra os judeus não teria sido facilitada pelos preconceitos anti judaicos existentes em alguns corações e mentes cristãos". - Cardeal Edward Cassidy - Nós lembramos - uma reflexão sobre o Shoah, 1998
Durante os duros anos de Guerra de Unificação na Itália, o estado pontifício de Roma, também fora unificado pela luta burguesa, fazendo assim com que a milenar Igreja perdesse sua sede mundial.
Após anos de brigas internas e sucessivas Santidades papais, fora assinado então um acordo, já no século XX, entre o Papa Pio XII e o chefe do Estado italiano, o nada menos repugnante... Mussolini!!!
Este acordo - Tratado de Latrão - fazia com que a Santa Igreja recebesse de volta um estado, o país Vaticano, sob a forma de indenização em troca do apoio a ditadura fascista que se consolidava no eixo Roma-Berlim, que levaria o mundo a se quedar paralisado ante a possibilidade nazi-fascista conquistar o planeta, neste caso com o aval vaticanista.
Chamavam-no de il Tedesco, "o alemão". E não sem razão. Ninguém nas altas esferas do Vaticano superava a germanofilia do Cardeal Eugênio Pacelli. A Alemanha era a sua segunda pátria, o alemão seu outro idioma, e os Hohenzoller, a dinastia lá reinante, os soberanos do seu coração. Ele estava em Munique em 1917 quando nomearam-no arcebispo e núncio, autorizando-o a negociar uma concordata com os bávaros. A seguir, de 1925 a 1929, fixou-se em Berlim, quando então o Papa Pio XI chamou-o à Roma nomeando-o secretário de estado. Anos perigosos e difíceis aqueles, quando a Igreja Católica, indisposta com o liberalismo e inimiga de morte do comunismo, decidiu-se associar-se ao fascismo.
Pelo Tratado de Latrão, de 1929, a roupeta preta confraternizou-se com a camisa negra. Em troca de 750 milhões de liras - o "empréstimo da conciliação"-, o Papado reconheceu o regime de Mussolini. A mão que abençoava os cristãos apertou a mão de quem sufocava as liberdades. A própria Igreja Católica apressou-se em suprimir da política italiana o Partito Popolare, e todas as demais organizações laicas católicas que pudessem atrapalhar ou impedir a implantação do regime de partido único na Itália. Quando Hitler chegou ao poder em 1933, foi o próprio Pacelli quem supervisionou os termos da concordata, assinada em 20 de Julho de 1933, redigidos pelo Monsenhor Gröber, o "bispo nazista"(der braune Bischof), de Fribourg, que, a pretexto de proteger os católicos, tirou o Führer dos nazistas do isolamento diplomático em que se encontrava nos primeiros momentos da sua ascensão.
O papa Pio XII, que dispunha da única rádio independente em toda a Europa ocupada, jamais alçou-se em fazer sequer uma denúncia pública das atrocidades que os nazistas estavam cometendo. Na reunião do Lago de Wansee, ocorrida na periferia de Berlim em Janeiro de 1942, como se sabe, os altos hierarcas do partido e do governo comprometeram-se a conjugar esforços para executar a Endlösung, a Solução Final, gazeando toda a população judaica européia (calculada em 11 milhões). O máximo que obteve-se de Sua Santidade foi uma alocução, no Natal de 1942, na qual, sem especificar quem eram as vítimas, apontou "as centenas e os milhares que, sem falta ou culpa alguma, talvez apenas em razão da sua nacionalidade ou raça, foram marcados pela morte e pela progressiva extinção." O estranho argumento dos defensores do mutismo pacellista era de que se o Sumo Pontífice delatasse os crimes, os nazistas, em represália, poderiam aumentar o número dos imolados, tornado o sofrimento ainda maior! Alegam ainda, como fez o historiador Christopher Browning, que é uma ingenuidade pensar-se que o papa pudesse, em qualquer momento, deter o genocídio que, em sua maior parte, deu-se bem longe da Itália, vitimando ciganos, judeus poloneses e russos, e prisioneiros soviéticos. Raciocínio que nos leva a concluir que o sentimento de solidariedade cristã e indignação humana contra os assassinatos em massa está limitado pela geografia! Ninguém, é bom lembrar, considera a Cúria Papal um exército, nem vê o papa como um general a quem se recorre para complicadas operações de salvamento e resgate, mas sim acredita ser a Igreja Católica uma força ética e uma reserva moral do Ocidente, de quem espera-se que aja em favor das vítimas justo nesses momentos terríveis.
Qual então a razão do seu silêncio? Segundo a historiadora Annie Lacroix-Riz (Le Vatican l 'Europe et le Reich, Paris, 1996), sabe-se que em privado, com representantes alemães, Pacelli externava os mesmos sentimentos anti judaicos deles. Mas presumo ser outra a causa do seu silêncio. Essa, de ordem subjetiva-objetiva. O papa, sendo um implacável anti comunista, um aristocrata de família toscana, nascido em Roma em 1876, tendo por um irmão um conde, encarnava os valores últimos de uma nobreza européia agonizante. Viu no nazismo, como tantos outros da sua casta, a oportunidade de liquidar com os bolcheviques ateus (versão contemporânea dos jacobinos, que tantos padecimentos fizeram sofrer a nobreza e a igreja nos tempos modernos), mesmo que o preço a pagar fosse moralmente monstruoso. Somente eles, os super-homens de Hitler e de Mussolini, com sua política de total impiedade, colocando-se bem "acima do bem e do mal", poderiam abatê-los. A pavorosa morte dos judeus era o tributo moral que exigiam dele. A política do Vaticano de sustentação incondicional do Reich, "excluía emocionar-se por suas vítimas".
Os tempos são outros, a conjuntura histórica mudou, mas a Igreja e o atual Papa insistem numa Igreja segregacionista, anti-comunista, etnocêntrica, portanto anti-cristã. Somente as vozes dos que acreditam em Deus e/ou dos que acreditam num mundo justo, fraterno e igualitário, podem frear a aberrações cometidas em nome Dele ou em nome de uma ética materialista cujos pressupostos passem pelo outro e não por interesse rasteiros como lucro e propriedade.
Colaboração do síto mundo história
A Igreja Católica e o conservadorismo que se afastam dos ideais de Jesus Cristo
O Papa Bento XVI pode ser visto na fotografia ao lado junto ao médico alemão Josef Menguele, que ficou famoso na Segunda Guerra Mundial por fazer "experiências" com prisioneiros de guerra judeus, comunistas, prostitutas, críticos ao nazismo. O jovem Ratznger foi militante da União de Jovens Nazistas e hoje, chefe maior da Igreja católica, faz valer seu ultraconservadorismo.No papado do também conservador João Paulo II, ele foi o braço direito, responsável pela versão moderna do Tribunal da Santa Inquisição, que na Idade média condenava à fogueira os "hereges", homens e mulheres que questionavam os dogmas da Santa Igreja. Na versão século XX, este Tribunal, entre outras calaminades, calou as oposições dentro da própria Igreja, como a Teologia da Libertação. O próprio Ratznger decretou o silêncio por dois anos do então frei, Leonardo Boff, hoje professor e excomungado da Igreja Católica.
O artigo que se segue foi escrito pelo Núcleo de Estudos Anarquistas da UFF (Universidade Federal Fluminense) sobre a mais recente polêmica envolvendo o Papa e os rumos conservadores desta Instituição, que em recente visita ao Brasil, afirmou em discurso na sessão inaugural dos trabalhos da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (CELAM), que se realizou na Basílica de N. Sra. Aparecida, Bento 16 negou que o catolicismo tenha sido imposto pela Igreja aos povos indígenas que viviam na América do Sul. Falando em espanhol, o papa disse que a cultura indígena permite afirmar que, mesmo sem saber, os índios procuravam Jesus Cristo. "O que significou para os povos latino-americanos ter aceitado a fé cristã? Para eles, significou conhecer e acolher Cristo, o Deus desconhecido que seus antepassados, sem saber, procuravam em suas ricas tradições religiosas. Cristo era o Salvador que buscavam silenciosamente", disse o pontífice.
Segundo ele, o anúncio de Jesus e seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, a alienação das culturas pré-colombianas, nem foi a imposição de uma cultura estranha, acrescentou. Para o papa, as culturas autênticas não estão fechadas em si mesmas ou petrificadas em um determinado ponto da história. "Mais ainda, buscam o encontro com outras culturas, esperam alcançar a universalidade no encontro e diálogo com outras formas de vida e com os elementos que possam levá-las a uma nova síntese, em que se respeite a diversidade das expressões e sua realização cultural concreta", reiterou.
Vaticano beatifica 498 "mártires" da Guerra Civil espanhola
CIDADE DO VATICANO - Neste domingo no palco da Praça São Pedro aconteceu uma das mais patéticas ações promovidas pelo Vaticano nestes
últimos anos: a beatificação de 498 espanhóis considerados mártires das
"perseguições religiosas" durante a Guerra Civil espanhola (1936-1939).
Essa foi a maior beatificação coletiva da história da Igreja. Após a cerimônia, o
Papa Bento XVI disse que o"com seus gestos de perdão em relação a seus
perseguidores, (os novos beatos) nos impulsionam a trabalhar pela
reconciliação e convivência pacífica". "Com seu testemunho, iluminam
nosso caminho espiritual para a santidade e ns levam a entregar nossas vidas
como oferenda de amor a Deus e aos irmãos" - disse funebremente o pontífice,
após a cerimônia celebrada pelo cardeal português José Saraiva Martins,
prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e representante oficial do
Papa.
O Papa Bento XVI (que, não por coincidência, é egresso das
fileiras nazistas, filho um combatente da SS e tendo participado da
União de Jovens Nazistas da Alemanha), assistiu a cerimônia do
Palácio Apostólico e não mencionou as circunstâncias históricas nas
quais os "mártires" morreram. Muitos padres e líderes da Igreja
Católica se aliaram ao genral fascista Francisco Franco durante a
Guerra Civil, fazendo mais de 500.000 pessoas mortas, dentre eles
grande número de trabalhadores socialistas e anarquistas.
Grande parte destes "mártires" eleitos pelo Vaticano foi assassinada
pela própria população espanhola, organizada contra a ditadura
fascista de Franco. Durante décadas, a Igreja Católica na Espanha colheu provas de que centenas de seus membros morreram durante a guerra "devido à crença que seguiam", o que os torna, na opinião dela, "elegíveis à beatificação".
Na cerimônia, o Cardeal José Saraiva Martins disse que os 498 novos beatos
"derramaram seu sangue pela fé durante a "perseguição religiosa" na
Espanha". Completando essa cena asquerosa, o Cardeal afirmou que, "antes de morrer perdoaram os que os perseguiam e rezaram por eles". E, de acordo
com "as estatísticas" da Igreja, os """"mártires"""" dos anos da Guerra Civil
Espanhola, classificados no que o Papa João Paulo II denominou como os
"Mártires do Século XX", podem chegar a 10 mil. O resultado do teatro bizarro
foi a beatificação de 977 destes indivíduos e a santificação de 11 deles em
outras cerimônias celebradas no Vaticano, e avisou que caso católicos
devotos relatem milagres decorrentes de preces direcionadas aos """mátires"""
que foram beatificados neste domingo, eles podem ser colocados na lista do
longo processo de santificação.
------------x--------------
Aos que almejam a justiça social e a liberdade, resta o repúdio e a denúncia desta barbaridade que o Vaticano está proclamando!
Neste momento, os que forem religiosos cabe prestar reverências e
preces e os que não forem religiosos cabe prestar as devidas
homenagens à população espanhola que lutou na Guerra Civil,
contra a ditadura fascista apoiada pela Igreja Católica, e aos muitos
que foram assassinados nesta luta.
GEA-NEC / UFF
Agradecemos a colaboração do professor e amigo J.J. pelo artigo enviado.
Abraços fraternos, Vozes da América.
domingo, 28 de outubro de 2007
Um pedido sincero aos amigos e inimigos deste sítio
A vocês, os quase 10 leitores que temos, viemos fazer um pedido: divulguem esta página!
Quem nos conhece sabe que não queremos expor verdades, mas sim, fomentar a discussão e o debate sobre o mundo que nos cerca e, assim, falar de uma visão de mundo incomum aos grandes meios de comunicação de massa.
Veja a seguir algumas declarações de personalidades que já passaram por aqui:
"Eu não li, não tenho nada a ver com isto, e se tiver algum assessor meu ligado a este sítio precisamos investigar rapidamente, ainda que tenhamos que cortar nossa própria carne".
sábado, 27 de outubro de 2007
Sete dias, César Faria e o chorinho

Hoje faz sete dias que sua música silenciou. Morreu, no dia 20 de Outubro deste 2007, o violonista César Faria, fundador do grupo Época de Ouro, tinha 88 anos e dedicou sua vida a boa música brasileira e popular.
Um infarto emudeceu seu violão, que já havia acompanhado outras lendas da nossa música como Jacob do Bandolim, Cartola, seu filho Paulinho da Viola... mas sua falta será sentida por sua insistência na valorização da nossa cultura, afinal, o dedilhado e as cordas que não se ouvirão mais ao vivo, serviram de resistência na década de 60 ao chorinho, este gênero brasileiro em que César Faria foi militante e as rádios insistem em esconder, com raras e louváveis exceções como a Roquete Pinto FM (94,1). O despejo sobre nossos ouvidos dos lixos de massa, imbecializam nossa juventude e recriam a ode ao nada, ao vazio, a vulnerabilidade do consumo do tipo que se usa e se joga fora para a próxima moda passar.
Viva a música popular brasileira, "que agoniza mas não morre/ alguém sempre te socorre/ antes do suspiro derradeiro (...)"
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
O neo-nazismo: da Suiça ao Rio de Janeiro
Na propaganda de rua ao lado, vê-se o escárnio do neo-nazismo que exalta a expulsão dos "estrangeiros criminosos" da Suiça, e tudo isto em nome da "segurança". No canto direito o símbolo do partido UDC, contrasta o sol feliz a comemorar com a face desolada da ovelha diferente das demais pagando o preço da intolerância.Quando será que veremos uma campanha como esta no Brasil? Afinal, a julgar pela política de César "imperador" Maia e "Adolf" Cabral Filho, só está faltando o cartaz. Mas por favor neo nazistas fluminenses, não esqueçam de colocar seus partidos, respectivamente DEM e PMDB!
No cartaz, podem-se ver três ovelhas brancas situadas sobre uma bandeira suíça, dando uma patada com os membros traseiros em uma ovelha negra, que expulsam do quadro. O desenho em questão não é mais que o último capítulo de uma longa série de provocações feitas pelo SVP-UDC (Partido Popular da Suíça), a formação nacionalista do caudilho de direita Christoph Blocher. O que marca a diferença de outras campanhas do mesmo tipo que possam existir na Europa é que o homem que dirige esse partido não é um radical nem um messiânico exaltado, mas sim um poderoso e brilhante industrial de Zurique que ocupa o cargo de conselheiro federal (equivalente a ministro) da Justiça e da Polícia, e, portanto assim, consegue disfarçar melhor seu neo-nazismo, travestindo-se de bem sucedido empresário. A ovelha negra não seria outra coisa senão a óbvia metáfora escolhida pelo SVP-UDC para simbolizar os "criminosos estrangeiros" que, segundo eles, "abusam do sistema, fazem badernas e traficam drogas" na Suíça. Estrangeiros indesejáveis que o partido de Blocher, capitaneado por seu presidente, Ueli Maurer, deseja ver deportados o quanto antes.
A mensagem calou fundo entre seus conterrâneos, já que o SVP-UDC é o que possui maior número de assentos no Parlamento, com quase 30% dos votos e o pior, venceu as eleições parlamentares de 21 de Outubro. A campanha, que incluiu a remessa de suas propostas de porta em porta, chamou a atenção inclusive da Organização das Nações Unidas. O relator especial para Racismo da ONU, o senegalês Doudou Diène, viu-se obrigado a alertar as autoridades sobre o perigo de "desvios xenófobos" em um país que se orgulha de sediar organismos internacionais como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos ou a Cruz Vermelha Internacional.
Em um recente debate televisivo, o caudilho de Zurique advertiu claramente: "Serei ainda mais perigoso fora do governo, porque agora conheço por dentro os mecanismos do poder". Eis uma característica do velho nazi-fascismo: a política de ameaças, o medo impositivo, a sentença que propaga a idéia de impotência, pois de uma forma ou de outra "serei perigoso", logo é inútil tentar me deter.
Explicar o Neo nazismo como fruto da política neo liberal não é tarefa difícil. A globalização burguesa expande a cultura dominante esmagando as demais, exporta modelos teoricamente bem sucedidos amplamente veiculados pelos meios de comunicação de massa, transforma em lucro a miséria do mundo, incentivando o crescimento das elites regionais que acirram ainda mais as contradições sociais. Esse mar de gente que não pode jogar o covarde jogo neo-liberal está excluído e busca, naturalmente, outras paragens, migrando em busca de oportunidades que lhes foram negadas em seus países de origem. Por outro lado, os países de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) atrativos formulam e executam políticas protecionistas que vão além das leis invisíveis de mercado, adotando o discurso excludente e perigoso do ultranacionalismo xenófobo, que revive a barbárie dos tempos coloniais e escala seres humanos por etnia, raça, credo e classe social.
Enquanto isso... no Rio de Janeiro,
O Nazifascista Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, aquele mesmo que ordenou ataques sucessivos e ininterruptos ao Complexo do Alemão na Penha – RJ, matando pessoas em nome da luta contra o narcotráfico, fortalecendo o Estado-Policial ainda mais, disse nessa terça-feira dia 23 de Outubro, dois dias depois da derrota da humanidade na Suíça, que sua estratégia contra a "bandidagem" está correta, se referindo a lamentável cena de perseguição e morte que as televisões mostraram sem críticas. Ali, na favela da Coréia, em Senador Camará , um helicóptero da polícia dava tiros em dois SUSPEITOS que corriam morro abaixo. As balas furavam a terra ainda seca e explodia em pequenos chumaços de areia até que os supostos traficantes foram mortos por uma polícia assassina, liderada por um secretário neo-nazista que ainda ousou argumentar assim o fato dos traficantes levarem para a zona sul seus armamentos e drogas:
“É difícil a polícia entrar ali, porque um tiro em Copacabana é uma coisa. Um tiro na favela da Coréia, no complexo do Alemão (zonas oeste e norte respectivamente) é outra”.
O comentário argumentativo deste secretário, pasmem, de segurança pública, carrega a real face da elite carioca que entende haver de fato uma cidade partida, uma segregação espacial e social que se reflete no tratamento diferenciado dado às populações marginalizadas.
E como se não bastasse e até como desdobramento desta política segregacionista, o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho não deixou por menos. No dia 24 de Outubro, ontem, se justificando por ser a favor da legalização do aborto como forma de acabar com a violência, evocou as teses dos autores de "Freakonomics", livro dos norte-americanos Steven Levitt e Stephen J. Dubner, que estabelece relação entre a legalização do aborto e a redução da violência nos EUA.. Os economistas estadunidenses escreveram isto na década de 70 e o governador do Rio argumentou assim seu racismo:
"Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal", declarou e decretou Adolf Cabral Filho.
O desinformado governador não leu os últimos relatórios do IBGE, que afirmam que as mulheres de baixa renda tem tido menos filhos, que portanto, a curva de natalidade vem caindo ano-a-ano no Brasil e nem por isso a pobreza diminuiu.
A onda neo-nazista chegou de fato ao Rio de janeiro e não está apenas na esfera estadual. Não podemos esquecer a insistente tentativa do prefeito-imperador, César Maia, em impor na marra, contra a vontade dos profissionais da educação e estudantes, a malfadada "aprovação automática" nas escolas municipais. Mais uma tentativa de maquiar números às custas da população pobre que, segundo tal política, terá tratamento diferenciado em relação ao filho da classe média de escolas particulares.
Pobre Rio de janeiro, tão longe da sua tradição à esquerda, tão perto da tirania neo-nazista.
Sinto-me como àquela ovelha negra do quadro acima, desolado e estrangeiro em meu próprio país, cercado por um putrefato sistema social que olha pessoas e enxerga lucros, que não entende o pluralismo e não respeita a diferença.
"Erguei-vos, ó vítimas da fome"!
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
O mediano pensamento de uma classe medianamente medíocre
As mesas muito juntas encheram meu desejum de fel. O casal discutia o filme Tropa de Elite quando a mulher executou a sentença: "você sabe porque nós gostamos tanto do filme"? perguntou a carrasca e logo respondeu - "pelo fato dele fazer o que todos nós tínhamos vontade, limpar a sujeira da favela do resto da cidade". (!!!???)
Acabou o café, acabou o sábado... será que é o início do fim daquilo que nos restou?
Obeservação: Cuidado! A classe média que marchou com Deus e pela Pátria da TFP em 1964 apoiando o golpe militar que nos colocou nas trevas por 21 longos anos, agora é o "Cansei" da burguesia de São Paulo (que conta com o apoio da sempre desprezível Hebe Camargo, da "Axé-bestial Ivete Sangalo e de donos de joalherias, haras, donos de televisão, latifundiários, apresentadores e seus rolex...) e sempre suscetível ao discurso Estado-policialesco da Ordem a qualquer custo e em tempo recorde. Coisas que o filme em questão exalta reforçando esse traço rançoso de limpeza étnica digno de um tribunal internacional para crimes contra a humanidade.
sábado, 20 de outubro de 2007
A guerra fria continua - segunda parte

É impressionante como algumas pessoas vestem-se em uma áurea mitológica, fruto da conjunção tempo-espaço-conjuntura-ideologia-competência. Che é uma dessas pessoas e assim, tudo ao seu redor ganha proporções igualmente magníficas. As histórias na selva de Sierra Maestra, o médico que quis virar soldado, o asmático que negava ajuda como exemplo do esforço revolucionário, a opção por mudar o mundo que julgava injusto, sua rápida passagem por cargos burocráticos na nova Cuba, a condecoração feita por Jânio Quadros no Brasil, a heróica tentativa de salvar as vítimas de uma explosão num navio belga carregado de armas no porto de Havana, o enterro simbólico das cinzas das vítimas no dia seguinte que flagrou um Che introspectivo nas lentes de Alberto Korda - imotalizando para sempre a imagem do mito na mais divulgada fotografia de todos os tempos, a despedida de Cuba e de seu Comandante Fidel, a aventura no Congo, a guerrilha na Bolívia, a emboscada da CIA, a morte do homem e a eternização do mito.
Mas também impressiona as tentativas de transformá-lo num "aventureiro", "totalitário", "terrorista" ou produto mercantil do capitalismo. Na edição do dia 03 de Outubro de 2007, uma certa revista de tiragem semanal, que por uma questão de respeito ao leitor desse pequeno artigo me recuso a escrever o seu nome imperativo, trouxe de volta os anos de guerra fria. Um panfleto anti-comunista, como tantos que já publicou, mas com o status de matéria de capa, que revela um Che "maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia". (?)
A idéia desta revista (?) era impactar o leitor com um discurso de movimento estudantil de direita aos moldes da Mackenzie de São Paulo nos idos da ditadura militar e o seu tenebroso braço armado da pequena-burguesia juvenil paulistana do CCC - Comando Caça Comunista. Nas páginas chovinistas do semanário pode-se encontrar apresentações como "Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido". E...???
As letras frias do artigo panfleto vão além: "Por suas convicções ideológicas, Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro. Entre a captura e a execução de Che na Bolívia, passaram-se 24 horas. Nesse período, o governo boliviano e os americanos da CIA que ajudaram na operação decidiram entre si o destino de Guevara. Execução sumária? Não para os padrões de Che. Centenas de homens que ele fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários cujas deliberações muitas vezes não passavam de dez minutos." Alguém precisa avisar a esta "conceituada" revista que tanto nas "execuções sumárias em Cuba", quanto na própria morte de Che, estávamos em guerra, em processo revolucionário, que tem como pressuposto - se certo ou não é outra discussão - o sangue, a morte de um sistema para o nascimento de outro. Tudo bem que não tenho como hábito poluir-me com esta droga semanal, mas ao que me consta, nunca foi feito uma matéria sequer, sobre a violência das revoluções burguesas: O quão violentos foram os anos de guerra civil na Inglaterra do século XVII para instituir a primeira experiência capitalista da história. Ou as cenas absolutamente desprezíveis dos estadunidenses nas terras indígenas sioux, exterminando nações inteiras em nome da democracia representativa que inauguravam no norte desta América. Também não me lembro de ler ali, no pasto do conservadorismo de imprensa, críticas a teoria da predestinação, ou a doutrina Monroe ou ainda ao "Big Stick". São coisas cujo teor chocaria mesmo a um pequeno aprendiz de consumista neste mundo de valores invertidos, como disse William Evarts, secretário de Estado dos EUA (1877 – 1881), em reunião com financistas e dignitários mexicanos em Nova York, que lançou uma “pérola” que parece antever o futuro, explicando o que seria a tal Doutrina Monroe:
“A América para os americanos. Ora, eu proporia com prazer um aditamento: para os americanos, sim, senhores, entendamo-nos, para os americanos do norte (aplausos). Comecemos pelo nosso caro vizinho, o México, de que já comemos um bocado em 1848. Tomemo-lo (risos). A América central virá depois, abrindo nosso apetite para quando chegar a vez da América do sul. Olhando para o mapa, vemos que aquele continente tem a forma de um presunto. Uncle Sam é bom de garfo; há de devorar o presunto (aplausos e risos demorados). Isto é fatal, isto é apenas questão de tempo”.
(Extraído do livro A Ilusão Americana, de Eduardo Prado - 1894).
Não me lembro de ler uma crítica às guilhotinas da revolução francesa, nesta tradicional e retrógrada revista, nem tampouco sobre os fuzilamentos revolucionários de Napoleão Bonaparte. Mas ainda que esta revista optasse por escrever apenas sobre temas atuais, não se debruçando a um passado secular, também não me recordo de ler ali reprimendas irônicas a invasão estadunidense, inglesa, espanhola... ao Iraque, Afegansitão, Granada, Chile... e a lista é enorme.
Parece-me claro que, por alguma razão que até a esquerda desconhece, a revista imperativa retomou a velha discussão de antagonismos da guerra fria, revivendo o fantasma comunista que dormia embaixo da cama ou dentro dos armários dos neuróticos generais ditatoriais latino-americanos nas décadas de 60 e 70 do século passado.
De qualquer forma, como cidadão latino-americano, devo aqui prestar minha quase silenciosa homenagem ao revolucionário socialista, que reinventou sua própria vida em nome de uma vida mais digna para seus irmãos latinos. Ao sensível político que entendeu que “tão importante que construir uma nova Cuba é construir um novo homem cubano” e assim foi feito. Dessa forma, aquela pequena ilha do Caribe ainda resiste, mesmo que você não Veja além das linhas que são escritas sobre os opositores do neo-liberalismo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
A guerra fria continua - primeira parte
A guerra fria ainda não acabou. A América latina vive ainda hoje, e de forma raivosa, sob os efeitos de uma guerra dissimulada, sórdida e acobertada pelo monopólio das comunicações.
Desde de 1959 a autodeterminação do povo cubano optou por um país livre das amarras do imperialismo estadunidense que transformava aquela ilha num quintal dos interesses dos EUA. A Revolução de Fidel, Raúl, Che, Camilo e do povo cubano, fez de Cuba um território de resistência, e o medo da “cubanização” do restante da América Latina, justificou invasões militares como em Granada, El Salvador, Nicarágua, e ainda patrocinou ditaduras militares como na Argentina, no Chile, no Brasil...E o que vemos hoje, tal como ontem, é a tentativa de se inverter a dicotomia liberdade Vs tirania.
Nesse 1º de Agosto de 2006 o comandante em chefe Fidel Castro Ruz se licenciou de suas tarefas no comando de Cuba, para fazer às pressas uma cirurgia.
E foi tudo o que precisavam os canais de informação de massa do mundo ocidental. Mostraram a “fragilidade” do Presidente cubano quando levou um tombo em 2003, a “debilidade” de sua saúde quando num discurso em 2002 na praça da revolução quase desmaiou. Mas nada foi mais patético que a festa dos cubanitos de Miami comemorando a “saída” de Fidel temporariamente.
O que poucos veículos colocaram no ar, foi o apoio do povo cubano a Raúl Castro, irmão de Fidel e figura importantíssima na arquitetura ideológica da Revolução de 59 e a solidariedade à Fidel com os votos de regresse logo, pois sabe aquele povo o valor de um processo revolucionário que destruiu um dos tentáculos do neocolonialismo na América latina.
Para nós, expostos ao monopólio da informação de meia dúzia de redes internacionais, vale a reflexão: O que é democracia? O que é ditadura? O que é ser tirano? Qual sistema deve acabar? E comparemos a pequena Cuba com o gigante EUA. Qual dos dois tem um presidente que é sustentado pela indústria bélica? Qual dos dois bate no peito e se orgulha de ter sido o governante que mais matou em seu estado quando fora governador? Qual dos dois invade o Oriente Médio com a empáfia de se auto declarar o paladino da democracia? Qual dos dois patrocinou ditaduras sangrentas na América latina, África e Ásia? Qual dos dois mantém no cargo uma mulher que compara a guerra de Israel contra o Líbano a um “parto necessário para o Oriente Médio”, pois estaria nascendo ali uma nova democracia? Qual dos dois manteve negócios de Petróleo com Osama Bin Laden? Qual dos dois “criou” Sadam Hussein para combater a URSS? Qual dos dois sistemas não só não resolveu o problema da fome como acentuou? Qual dos dois sistemas acredita no consumo como fundamento para o progresso? Qual dos dois sistemas faz da educação pouco acessível a maior parte da população?...
Que Fidel errou nesses anos de governo em Cuba, não duvido. Que Fidel se distanciou do marxismo algumas vezes em nome do isolamento, tampouco. Mas que Cuba ousou dar um passo à frente do restante do planeta, me parece claro.
Por isso, vida longa a Revolução Cubana! Que Fidel volte logo para ver seu povo o apoiando e possa fazer uma transição, ao estilo democrático cubano, e dessa forma, calar mais uma vez a boca de todos que estão a serviço do imperialismo.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Tropa de Elite: A Criminalização da Pobreza!
Um bolivariano abraço, JJ e Vozes da América.
TROPA DE ELITE:
A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA!
(Ivan Pinheiro)
"Homem de preto.
Qual é sua missão?
É invadir favela
E deixar corpo no chão"
(refrão do BOPE)
Não dá cair no papo furado de que "Tropa de Elite" é "arte pura" ou "obra aberta". Um filme sobre questões sociais não podia ser neutro. Trata-se de uma obra de arte objetivamente ideológica, de caráter fascista, que serve à criminalização e ao extermínio da pobreza. É possível até que os diretores subjetivamente não quisessem este resultado, mas apenas ganhar dinheiro, prestígio e, quem sabe, um Oscar. Vão jurar o resto da vida que não são de direita. Aliás, você conhece alguém no Brasil, ainda mais na área cultural, que se diga de direita?
Como acredito mais em conspirações do que no acaso, não descarto a hipótese de o filme ter sido encomendado por setores conservadores. Estou curioso para saber quais foram os mecenas desta caríssima produção, que certamente foi financiada por incentivos fiscais.
O filme tem objetivos diferentes, para públicos diferentes. Para os proletários das comunidades carentes, o objetivo é botar mais medo ainda na "caveira" (o BOPE, os "homens de preto"). O vazamento escancarado das cópias piratas talvez seja, além de uma estratégia de marketing, parte de uma campanha ideológica. A pirataria é a única maneira de o filme ser visto pelos que não podem pagar os caros ingressos dos cinemas. Aliás, que cinemas? Não existe mais um cinema nos subúrbios, a não ser em shopping, que não é lugar de pobre freqüentar, até porque se sente excluído e discriminado.
No filme, os "caveiras" são invencíveis e imortais. O único que morre é porque "deu mole". Cometeu o erro de ir ao morro à paisana, para levar óculos para um menino pobre, em nome de um colega de tropa que estava identificado na área como policial. Resumo: foi fazer uma boa ação e acabou assassinado pelos bandidos.
Para as classes médias e altas, o objetivo do filme é conquistar mais simpatia para o BOPE, na luta dos "de cima", que moram embaixo, contra os "de baixo", que moram encima.
Os "homens de preto" são glamourizados, como abnegados e incorruptíveis. Apesar de bem intencionados e preocupados socialmente, são obrigados a torturar e assassinar a sangue frio, em "nosso nome". Para servir à "nossa sociedade", sacrificam a família, a saúde e os estudos. Nós lhes devemos tudo isso! Portanto, precisam ser impunes. Você já viu algum "caveira" ser processado e julgado por tortura ou assassinato? "Caveira" não tem nome, a não ser no filme. A "Caveira" é uma instituição, impessoal, quase secreta.
Há várias cenas para justificar a tortura como "um mal necessário". Em ambas, o resultado é positivo para os torturadores, ou seja, os torturados não resistem e "cagüetam" os procurados, que são pegos e mortos, com requintes de crueldade. Fica outra mensagem: sem aquelas torturas, o resultado era impossível.
Tudo é feito para nos sentirmos numa verdadeira guerra, do bem contra o mal. É impossível não nos remetermos ao Iraque ou à Palestina: na guerra, quase tudo é permitido. À certa altura, afirma o narrador, orgulhoso : "nem no exército de Israel há soldados iguais aos do BOPE".
Para quem mora no Rio, é ridículo levar a sério as cenas em que os "rangers" sobem os morros, saindo do nada, se esgueirando pelas encostas e ruelas, sem que sejam percebidos pelos olheiros e fogueteiros das gangues do varejo de drogas! Esta manipulação cumpre o papel de torná-los ainda mais invencíveis e, ao mesmo tempo, de esconder o estigmatizado "Caveirão", dentro do qual, na vida real, eles sobem o morro, blindados. O "Caveirão", a maior marca do BOPE, não aparece no filme: os heróis não podem parecer covardes!
O filme procura desqualificar a polêmica ideológica com a esquerda, que responsabiliza as injustiças sociais como causa principal da violência e marginalidade. Para ridicularizar a defesa dos direitos humanos e escamotear a denúncia do capitalismo, os antagonistas da truculência policial são estudantes da PUC, "despojados de boutique", que se dão a alguns luxos, por não terem ainda chegado à maioridade burguesa.
Os protestos contra a violência retratados no filme são performances no estilo "viva rico", em que a burguesia e a pequena-burguesia vão para a orla pedir paz, como se fosse possível acabar com a violência com velas e roupas brancas, ou seja, como se tratasse de um problema moral ou cultural e não social.
A burguesia passa incólume pelo filme, a não ser pela caricatura de seus filhos que, na Faculdade, fumam um baseado e discutem Foucault. Um personagem chamado "Baiano" (sutil preconceito) é a personificação do tráfico de drogas e de armas, como se não passasse de um desses meninos pobres, apenas mais espertos que os outros, que se fazem "Chefe do Morro" e que não chegam aos trinta anos de idade, simples varejistas de drogas e armas, produtos dos mais rentáveis do capitalismo contemporâneo. Nenhuma menção a como as drogas e armas chegam às comunidades, distribuídas pelos grandes traficantes capitalistas, sempre impunes, longe das balas achadas e perdidas. E ainda responsabilizam os consumidores pela existência do tráfico de drogas, como se o sistema não tivesse nada a ver com isso!
O Estado burguês também passa incólume pelo filme. Nenhuma alusão à ausência do Estado nas comunidades carentes, principal causa do domínio do banditismo. Nenhuma denúncia de que lá falta tudo que sobra nos bairros ricos. No filme, corrupção é um soldado da PM tomar um chope de graça, para dar segurança a um bar. Aliás, o filme arrasa impiedosamente os policiais "não caveiras", generalizando-os como corruptos e covardes, principalmente os que ficam multando nossos carros e tolhendo nossas pequenas transgressões, ao invés de subirem o morro para matar bandido.
A grande sacada do filme é que o personagem ideológico principal não é o artista principal. Este, branco, é o que mais mata. Ironicamente, chama-se Nascimento. É um tipo patológico, messiânico, sanguinário, que manda um colega matar enquanto fala ao celular com a mulher sobre o nascimento do filho.
Mas para fazer a cabeça de todos os públicos, tanto os "de cima" como os "de baixo", o grande e verdadeiro herói da trama surge no final: Thiago, um jovem negro, pacato, criado numa comunidade pobre, que foi trabalhar na PM para custear seus estudos de Direito, louco para largar aquela vida e ser advogado. Como PM, foi um peixe fora d'água: incorruptível, respeitava as leis e os cidadãos. Generoso, foi ele quem comprou os óculos para dar para o menino míope. Sua entrada no BOPE não foi por vocação, mas por acaso.
Para ficar claro que não há solução fora da repressão e do extermínio e que não adianta criticar nem fazer passeata, pois "guerra é guerra", nosso novo herói se transforma no mais cruel dos "caveiras" da tropa da elite, a ponto de dar o tiro de misericórdia no varejista "Baiano", depois que este foi torturado, dominado e imobilizado. Para não parecer uma guerra de brancos ricos contra negros pobres, mas do bem contra o mal, o nosso herói é um "caveira" negro, que mata um bandido "baiano", de sua própria classe, num ritual macabro para sinalizar uma possibilidade de "mobilidade social", para usar uma expressão cretina dos entusiastas das "políticas compensatórias".
A fascistização é um fenômeno que vem sendo impulsionado pelo imperialismo em escala mundial. A pretexto da luta contra o terrorismo, criminalizam-se governos, líderes, povos, países, religiões, raças, culturas, ideologias, camadas sociais.
Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda.
No Brasil, a mídia burguesa há muito tempo trabalha a idéia de que estamos numa verdadeira guerra, fazendo sutilmente a apologia da repressão. Sentimos isso de perto. Quantas vezes já vimos pessoas nas ruas querendo linchar um ladrão amador, pego roubando alguma coisa de alguém? Quantas vezes ouvimos, até de trabalhadores, que "bandido tem que morrer"?
Se não reagirmos, daqui a pouco a classe média vai para as ruas pedir mais BOPE e menos direitos humanos e, de novo, fazer o jogo da burguesia, que quer exterminar os pobres, que só criam problemas e ainda por cima não contam na sociedade de consumo. Daqui a pouco, as milícias particulares vão se espalhar pelo país, inspiradas nos heróicos "homens de preto", num perigoso processo de privatização da segurança pública e da justiça. Não nos esqueçamos do modelo da "matriz": hoje, os mais sanguinários soldados americanos no Iraque são mercenários recrutados por empresas particulares de segurança, não sujeitos a regulamentos e códigos militares.
Parafraseando Bertolt Brecht, depois vai sobrar para nós, que teimamos em lutar contra o fascismo e a barbárie, sonhando com um mundo justo e fraterno.
A trilha sonora do filme já avisou:
"Tropa de Elite,
Osso duro de roer,
Pega um, pega geral.
Também vai pegar você!"
(Ivan Pinheiro)
domingo, 23 de setembro de 2007
O Dia em que Lula negou Jesus
Não bastasse vermos as duas mortes de Lula, uma em 1989 quando perdeu a eleição para Collor em segundo turno contra tudo e todos da mais fedorenta elite nacional e internacional e a outra em 2002 quando, repaginado, se esforça para parecer do clube dos iguais, se constituindo no mais novo membro-sócio da putrefata política burguesa. Vimos na quinta-feira, 20 de Setembro, os seguranças do Palácio do Planalto segurarem, imobilizarem, humilharem o camponês Angelo de Jesus, de 37 anos, vindo de carona da cidade de Pindobaçu na Bahia. Portador de hanseníase e há quatro dias sem comer, gritava frente a dantesca cena: "Presidente, salva eu, salva eu presidente". Mal sabia o agricultor que Lula estava naquele momento salvando a imaculada imagem do Brasil no exterior, pois no terceiro andar no mesmo prédio em que sofria a violenta repressão, o presidente dava entrevista para o porta-voz do Império do Norte o The New York Times.
Quem diria, Jesus pedindo ajuda a Lula e pior, o presidente negou. Talvez pelo fato de se preocupar cotidianamente em salvar banqueiros, mensaleiros, Calheiros, sanguessugas... e quem é Jesus para ser salvo pelo Presidente tendo tantas outras mais importantes obrigações na lista de prioridades?
O lavrador foi levado ao hospital regional da Asa Norte, onde chegou "desorientado" segundo funcionários, e não é para menos. Um dia, ele e todos nós - até a elite - acreditamos que Lula nos salvaria, que ao chegar à Presidência o povo seria assistido, não com assistencialismos, mas com políticas públicas que levasse o Brasil a corrigir erros históricos como reforma agrária, educação e saúde de qualidade para todos, emprego e renda e o fim da subserviência internacional. Mas não. A desorientação de Jesus faz sentido.
O mesmo funcionário informou que ele chegara ao hospital com 144 batimentos cardíacos por minuto. Também creio fazer sentido pois a surra que tomou para ser domado pelos seguranças do Presidente não tranquilizaria nenhum de nós.
E a última informação dada por D. Maria, mãe de Jesus, do interior da Bahia, informava que "ele, meu filho, ultimamente não estava batendo muito bem da cabeça". Ora nossa senhora, neste país dos absurdos diários, qualquer cidadão que cumpre as obrigações e não recebe do estado e muito menos do privado, nada em troca, não anda batendo nada bem. Aliás, vendo as fotos da violência sofrida pelo lavrador Jesus, os únicos que andam batendo bem são os seguranças do Palácio do Planalto.
E o pior de tudo: para muitos deste país a única saída era Jesus! E agora, o que devemos fazer?
sábado, 19 de agosto de 2006
Há 70 anos a Guerra Civil Espanhola adiava um sonho e matava um poeta

Hoje o dia amanheceu triste aqui no Sapê. O céu estava cinzento, o mormaço abrasava um calor que me parecia artificial. Estranhamente tudo transcorreu bem, apesar dos contratempos comuns àqueles que estão vivos. Mas havia algo errado e conforme o dia se despedia, o céu anunciava uma chuva que enfim chegou trazendo uma má lembrança. Hoje faz 70 anos que o poeta Federico García Lorca fora executado pelas garras assassinas do fascismo espanhol.
Em 1936 começava na Espanha uma espécie de ensaio para a Segunda Guerra Mundial. Os republicanos, eleitos democraticamente, compunham o governo que em 1931 derrubara a Monarquia, mas não havia conseguido sanar os problemas sociais. Um grande número de greves e manifestações explodiram, à direita e à esquerda, questionando o governo legal. Uma onda de violência assola a Espanha, marcando a história daquele país com sangue, sentimentos separatistas, arranjos políticos, pactos de governabilidade, num tempo de cólera, onde a Europa se armava há anos para dar continuidade ao insolúvel conflito da Primeira Guerra terminada em 1918. Nesse período entre guerras, o ultranacionalismo alemão e italiano paria uma abominável máquina de fazer cadáveres em nome da supremacia ariana e da pseudo pureza ideológica dos valores morais e nacionais daqueles que insistiam em burlar as regras eleitorais que eles mesmos criaram, mas que agora estavam à serviço dos seus desafetos.
O povo espanhol elegeu então uma aliança de esquerda – Frente Popular - e consolidava o socialismo na península ibérica e demarcando, do ponto de vista geopolítico, uma perigosa arquitetura estratégica nesse tempo onde a poesia de Lorca, de Neruda e tantos outros amainava as tensões acalentando as almas. Mas a Falange, grupo golpista liderado pelo fascista-facínora-general Francisco Franco ganha o apoio de Hitler e de Mussolini, respectivamente Alemanha e Itália, para colocar em prática a sua manobra de impedir a classe operária de atravessar as fronteiras do oeste europeu e assim, materializar o destino internacionalista do socialismo.
A esquerda espanhola contava com o apoio da URSS que financiou os republicanos até onde seus interesses cabiam. Pois os trotskistas do POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista) e os anarquistas lutavam contra a falange de Franco, nas diversas frentes de batalha, aguardando em vão a ajuda soviética que não vinha mais desde a metade da guerra civil. Eu falei que o dia havia amanhecido triste e agora entendo a razão. O Primeiro Estado operário do mundo, orgulho da luta coletiva, utopia de Marx, Engels e de todos os trabalhadores e trabalhadoras que deram a vida por uma sociedade igualitária, engenharia de Lênin e Trotsky – incontestáveis comandantes da Revolução Russa, traía seus princípios e deixava morrer no campo de batalha, para deleite das assassinas mãos da falange, os camaradas espanhóis e de todos os cantos do mundo, que não eram stalinistas. A URSS havia ficado do tamanho da mediocridade. Stálin aguardava o desfecho das alianças da guerra mundial que se avizinhava e por isso não quis assustar as potências capitalistas do ocidente, esperando, quem sabe, pelo benévolo aceno da burguesia. Dessa forma, apertou o gatilho junto com os fascistas, na direção do peito e do sonho daqueles espanhóis que acreditaram e, por muito pouco não concretizaram, a libertação da classe trabalhadora.
Dessa forma morremos todos há 70 anos. Mas de todas as mortes, aquela que hoje fez chover foi a do poeta García Lorca. A tristeza da lembrança contrasta com o imponderável. Aquilo que vive eternamente na cabeça dos que insistem em reescrever a história um dia. Os corpos putrefatos que jazem, adubam a terra como as idéias que um dia semearam em vida. A água que cai hoje sobre esses restos mortos, nublam os olhos, despertam reflexões, mas enchem de esperança, pois a idéia de um mundo solidário e fraterno, sem patrões ou empregados, sem exploradores e explorados pululam nas cabeças dos que herdaram o legado imensurável dos imprescindíveis.
Lorca vive na sua obra e naquilo que contraditoriamente o fez sucumbir.
“Ousar lutar, ousar vencer”!
Uma boa dica para quem quer saber mais sobre o tema Guerra Civil Espanhola é assistir ao belíssimo filme Terra e Liberdade
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Aos que virão depois de nós

I.
Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
Uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses,
Quando falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
Já está então inacessível aos amigos
Que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso.
Nada do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
Se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
E sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
Pagar o mal com o bem,
Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
II.
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
Quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta
E me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
Deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
E não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a terra.
III.
Vocês, que vão emergir das ondas
Em que nós perecemos, pensem,
Quando falarem das nossas fraquezas,
Nos tempos sombrios
De que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes,
Mudando mais seguidamente de países que de sapatos, desesperados!
Quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos:
O ódio contra a baixeza
Também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
Faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
Que queríamos preparar o caminho para a amizade,
Não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
Em que o homem seja amigo do homem,
Pensem em nós
Com um pouco de compreensão.
Até quando?

Eduardo Galeano (*)
Em Canaã, onde Jesus converteu água em vinho para celebrar o amor humano, o ódio humano despedaça mais de 30 crianças num grande bombardeio. A guerra segue indiferente. Como de costume, dizem que foi um erro. Até quando os horrores continuarão sendo chamados de erros? (em espanhol errores, o que dá um sentido mais poético à frase).
Esta guerra, esta carnificina de civis, desencadeou-se a partir do seqüestro de um soldado israelita. Até quando o seqüestro de um soldado israelita poderá justificar o seqüestro da soberania palestina?
Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo o Líbano?
A caça aos judeus foi durante séculos o “esporte” favorito dos europeus. Em Auschwitz desembocou um antigo rio de espantos que havia atravessado toda a Europa. Até quando os palestinos e outros árabes seguirão pagando por crimes que não cometeram?
O Hezbollah não existia quando Israel arrasou o Líbano em suas invasões anteriores. Até quando continuaremos acreditando no conto do agressor agredido, que pratica o terrorismo porque tem direito de defender-se do terrorismo?
Iraque, Afeganistão, Palestina, Líbano, até quando poderemos seguir exterminando países impunemente?
As torturas de Abu Ghraib, que despertaram certo mal-estar universal, não têm nada de novo para nós, latino-americanos. Nossos militares aprenderam essas técnicas de interrogatório na Escola das Américas, que agora perdeu seu nome, mas não as suas manhas..
Até quando seguiremos aceitando que a tortura continue sendo legitimada, como o fez a Corte Suprema de Israel, em nome da legítima defesa da pátria?
Israel não deu ouvidos a 46 resoluções da Assembléia Geral da ONU e de vários outros organismos da ONU. Até quando o governo de Israel continuará exercendo o privilégio da surdez?
As Nações Unidas recomendam, mas não decidem. Quando decidem, a Casa Branca impede que decidam, porque tem direito de veto. A Casa Branca tem vetado no Conselho de Segurança quarenta resoluções que condenavam Israel. Até quando as Nações Unidas continuarão atuando como se fossem outro nome dos Estados Unidos?
Desde que os palestinos foram desalojados de suas casas e despojados de suas terras, correu muito sangue. Até quando o sangue continuará correndo para que a força justifique o que o direito nega?
A história se repete, dia após dia, ano após ano e para cada 10 árabes mortos, morre um israelense. Até quando a vida de cada israelense continuará valendo dez vezes mais?
Em proporção à população, os 50 mil civis, em sua maioria mulheres e crianças, mortos no Iraque, equivalem a oitocentos mil estadunidenses. Até quando continuaremos aceitando, como se fosse normal, a matança de iraquianos numa guerra cega que esqueceu os seus pretextos? Até quando continuará sendo normal que os vivos e os mortos sejam de primeira, segunda, terceira ou quarta categoria?
O Irã está desenvolvendo a energia nuclear. Até quando continuaremos acreditando que isso baste para provar que um país é um perigo para a humanidade? À chamada comunidade internacional, não causa angústia o fato de que Israel tenha 250 bombas atômicas, mesmo sendo um país que vive à beira de um ataque de nervos. Quem guia o perigosímetro universal? Teria sido o Irã o país que jogou as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki?
Na era da globalização o direito de pressão pode mais que o direito de expressão. Para justificar a ocupação ilegal de terras palestinas, a guerra se chama paz. Os israelenses são patriotas e os palestinos são terroristas e os terroristas acionam o alarme universal. Até quando os meios de comunicação continuarão sendo medos de comunicação?
A matança atual, que não é a primeira e – temo – não será a última, ocorre em meio ao silêncio. O mundo estará mudo? Até quando continuarão soando em vão as vozes da indignação? Estes bombardeios matam crianças, mais de um terço das vítimas e às vezes mais do que isso, como em Canaã. Quem se atreve a denunciar isso é acusado de anti-semita. Até quando continuaremos sendo anti-semitas ao denunciar os crimes do terrorismo de Estado? Até quando aceitaremos essa extorsão? São anti-semitas os judeus horrorizados pelo que é feito em seu nome? São anti-semitas os árabes, tão semitas como os judeus? Por acaso não há vozes palestinas que defendem a pátria palestina e repudiam o hospício fundamentalista?
Os terroristas se parecem entre si: os terroristas de Estado, respeitáveis homens de governo, e os terroristas privados, que são loucos à solta ou loucos organizados desde os tempos da Guerra Fria contra o totalitarismo comunista. E todos atuam em nome de Deus, chame-se esse Deus Jeová ou Alá. Até quando seguiremos ignorando que todos os terrorismos desprezam a vida humana e que todos se alimentam mutuamente? Não é evidente que nesta guerra entre Israel e o Hezbollah, são os civis, libaneses, palestinos, israelenses, que entram com os mortos? Não é evidente que as guerras do Afeganistão e do Iraque e as invasões de Gaza e do Líbano são incubadoras do ódio, que fabricam fanáticos em série?
SOMOS A ÚNICA ESPÉCIE ANIMAL ESPECIALIZADA NO EXTERMÍNIO MÚTUO. Destinamos 2,5 milhões de dólares, por dia a gastos militares. A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, devora os vivos e os mortos. Até quando continuaremos aceitando que este mundo, apaixonado pela morte, é o nosso único mundo possível?
(*) Escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina
Um homem a serviço da luta contra a opressão

CINQUENTENÁRIO BRECHT
50 anos da morte do dramaturgo alemão são lembrados em todo o Brasil
Estréias de peças, seminários, workshops, debates, shows e palestras ilustram a importância e a contribuição do dramaturgo alemão para a história do teatro e para a história da luta contra a opressão.
Eduardo Carvalho - Carta Maior
No próximo dia 14 de agosto, comemora-se o cinquentenário da morte de Bertold Brecht. A partir desta quinta-feira, 9 de agosto, uma série de estréias de peças, shows de música de seus espetáculos, seminários, workshops e debates marcam a data em todo o Brasil.Ugen Friedrich Bertolt Brecht nasceu em 10 de fevereiro de 1898 em Augsburgo, Baviera, Alemanha. Em 1913 começou sua produção literária, ainda na escola. Escrita em 1918 e encenada em 1923, Baal é considerada a primeira grande peça do dramaturgo e poeta na fase inicial de sua obra. A partir da peça Um homem é um homem (1926), Brecht começa a se interessar pelo estudo do marxismo e a aplicação no campo estético. No final dos anos 30, ele começa a teorizar sobre o teatro épico como de superação da forma dramática.
Com a ascensão de Adolf Hitler e a Segunda Guerra Mundial, Brecht partiu para o exílio em países da Europa e acabou por fixar-se nos Estados Unidos, onde foi perseguido pelo movimento anti-comunista conhecido como Macarthismo. Retornou à Alemanha em 1945 e trabalhou em seu teatro, o Berliner Ensemble, nos últimos oito anos de vida, até falecer em 14 de agosto de 1956. Sua obra teatral abrange 50 peças, dentre as quais se destacam Mãe Coragem, Galileu, Galilei, Santa Joana dos Matadouros e O círculo de giz caucasiano, que trata da questão da disputa pela terra e que estréia no dia 09, no CCBB-Rio, com a Companhia do Latão e fica em cartaz até 24 de setembro.
O CÍRCULO DE GIZ CAUCASIANO GANHA MONTAGEM NO RIO“Obra-prima do teatro moderno” é como o poeta e tradutor Manuel Bandeira define O círculo de giz caucasiano, ao traduzir este que é um dos mais consagrados textos do dramaturgo alemão. E é a versão de Bandeira que a Companhia do Latão, grupo brasileiro dedicado ao universo brechtiano, estréia a convite do próprio CCBB para homenagear o dramaturgo alemão que uniu arte e política deixando um legado fundamental para o teatro moderno, abordando questões pertinentes até os dias de hoje. A tradução de Bandeira para O círculo de giz caucasiano foi encenada pela última vez em 1963, pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC). O círculo de giz caucasiano foi escrito no final da Segunda Guerra Mundial, durante o exílio de Brecht nos EUA, e aborda a discussão sobre a disputa de terras. Um grupo de agricultores e outro de criadores de cabras disputam a posse de um vale fértil, cuidado e defendido dos nazistas durante a guerra pelos agricultores. A questão chega a bom termo, dando lugar à uma fábula, a história do círculo de giz caucasiano, passada na Geórgia, sobre a disputa de uma criança.O espetáculo conta com a participação especial do grupo Filhos da Mãe Terra, formado por crianças e adolescentes do Movimento dos Sem Terra (MST), do assentamento Carlos Lamarca, localizado na região de Sarapuí, no interior de São Paulo. Eles estão no vídeo que é utilizado como prólogo da encenação. “Essa montagem tem o objetivo de repensar o legado artístico de Bertolt Brecht em relação ao Brasil atual”, pontua o diretor do espetáculo Sérgio de Carvalho. “Talvez o principal aspecto da forma épica criada por Brecht seja a historicização dos acontecimentos. Não se procura mostrar a vida como ela é, mas como não deveria ter se tornado. O público é quem realiza o sentido da cena ao pensar sobre os subterrâneos dos fatos observados, ao estabelecer o vínculo interrogativo entre uma história que se mostra incompleta e suas causas sociais e econômicas”, explica o diretor Sérgio de Carvalho.“Escolhi esse texto por ser um clássico e por discutir a questão da terra. Acho o momento perfeito para essa encenação”, observa Sérgio de Carvalho. A montagem envolve uma super-produção: elenco de 11 atores que se dividem em 50 personagens ao longo de 2h40, com intervalo; a montagem é permeada por 21 canções especialmente compostas por Martin Eikmeier; dois músicos estarão em cena tocando cello, piano, instrumentos orientais e rabeca.
Agenda de atividades sobre Brecht:
1) O círculo de giz caucasiano Bertolt Brecht, com a Companhia do Latão. Estréia dia 9 de agosto, às 19h, no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rua Primeiro de Março, 66. Centro – RJ. Tel. Tel (21) 3808.2020. Ingressos: R$ 10,00. De quarta a domingo às 19h. Duração: 2h40. Temporada: De 10 de agosto a 24 de setembro. Classificação etária: 16 anos.
2) Cida Moreira - Aos Que Estão Por Vir – Um Concerto CabaretTom Jazz - Avenida Angélica nº 2331 – Higienópolis - (11) 3255-363511 e 12 de agosto - 22h - de R$ 30,00 a R$ 50,00
3) Na Selva das Cidades
São Paulo - 1º,2,3 de setembro (sexta a domingo) - sexta e sábado, 21 horas, domingo 19 horas. Teatro SESC Pinheiros - R. Paes Leme , 195 - Pinheiros - Telefone: 11 3095-9400
Santos (ou Ribeirão Preto) - 8 e 9 de setembro - sexta e sábado
Teatro SESC Salvador - 12 e 13 de setembro - terça e quarta.
Teatro Vila Velha - Avenida Sete de Setembro s\n – Passeio Público - Telefone: 71 3336-1384.Workshop - Teatro Vila Velha: 11 de setembro - segunda
Guaramiranga - (XIII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga)15 de setembro – sexta - Teatro Municipal Rachel de Queiroz
Fortaleza - 16 de setembro – sábado - Theatro José de Alencar - Praça José de Alencar s/n - Centro - 85 252-2324 Workshop - SESC Fortaleza: 19 de setembro - terça
Brasília - (Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília) - 21 e 22 de setembro - quinta e sexta - Teatro Nacional - Sala Martins Penna. Workshop - Festival Cena Contemporânea: 21 de setembro - quinta.
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Olhar, uma dica.
Poesia e crítica instigam o visitante que participar. Critique, comente, analise, exponha suas idéias, mas não fique indiferente.
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